Esporte
Publicado em 29/09/2026, às 17h51 - Atualizado às 17h53 Jose Cruz / Agência Brasil Cauan Borges
A decisão do governo federal de proibir as apostas de quota fixa no Brasil na última sexta-feira (25) provocou uma reação entre dirigentes de clubes e abriu uma nova frente de tensão com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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Além do boicote a uma reunião com integrantes do Executivo, clubes passaram a discutir medidas mais duras, que incluem a possibilidade de paralisação do Campeonato Brasileiro, segundo informações do colunista Marcel Rizzo, do Estadão.
A mobilização ganhou força na noite da última segunda-feira (28), quando dirigentes trocaram mensagens e telefonemas para organizar a ausência no encontro que estava previsto para esta terça-feira (29), em Brasília. A reunião acabou sendo adiada após uma parcela significativa dos presidentes indicar que não enviaria representantes.
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— Estadão Esportes (@EstadaoEsporte) September 29, 2026
Fim das bets: clubes aumentam pressão com ameaça de parar Brasileirão e ida ao STF
Veja os bastidores na coluna de @marcrizzo#EstadaoEsporteshttps://t.co/bf4TyRPyOv
Entre as principais reivindicações está a criação de um período de transição para o encerramento dos contratos de patrocínio com as empresas de apostas. Os dirigentes defendem que os acordos não sejam interrompidos de forma imediata e trabalham com um prazo que pode variar de seis meses a um ano para reorganizar as receitas dos clubes.
Os clubes também cobram do governo medidas de apoio financeiro. Uma das alternativas em discussão é uma linha de crédito com juros reduzidos para ajudar as equipes a reorganizar dívidas e enfrentar o impacto provocado pela perda dos contratos com as bets. A negociação de uma linha de crédito já vinha sendo discutida antes da publicação da medida provisória.
A possibilidade de paralisação do Brasileirão surgiu justamente como uma forma de ampliar a pressão sobre o governo e envolver a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nas negociações. Uma eventual interrupção da competição teria impacto direto no calendário nacional, que já está apertado até o fim da temporada.
Enquanto os clubes discutiam uma reação conjunta, o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF). A entidade pediu a suspensão da medida provisória que proibiu as bets ou, alternativamente, a criação de um período de transição de pelo menos seis meses. O pedido foi apresentado ao ministro Luiz Fux, relator das ações que questionam a medida.
O movimento também aproxima a CBF da disputa judicial. O Sinafut possui dirigentes ligados à confederação em sua estrutura e questiona no STF os efeitos da medida sobre contratos de clubes, federações e propriedades comerciais do futebol. Entre os contratos afetados está o naming rights do Campeonato Brasileiro.
A reação ocorre poucos dias depois de Lula editar a Medida Provisória nº 1.394/2026, que determina o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país. A medida alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online e também afeta autorizações estaduais e distritais.
O impacto financeiro dos patrocínios é um dos principais argumentos utilizados pelos dirigentes. Segundo levantamento citado pela Folha, os contratos com empresas de apostas movimentaram R$1,03 bilhão em patrocínios aos clubes das Séries A e B em 2025, alta de 66% em relação ao ano anterior.
Parte dos clubes afirma ainda que possui valores previstos para receber em 2026 e que os orçamentos para 2027 foram elaborados considerando a continuidade desses contratos. Por isso, os dirigentes defendem que uma eventual saída das bets ocorra de forma gradual, o que permitiria a busca por novos patrocinadores e evitaria um impacto imediato nas contas das equipes, segundo as equipes.
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