Esporte
Publicado em 18/08/2026, às 14h00 Felipe Oliveira / EC Bahia / Divulgação Cauan Borges
Bahia e Vitória se enfrentam neste domingo (23), no Estádio Manoel Barradas, o Barradão, pela 24ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro. Além da tradição e da rivalidade que atravessa gerações, o Ba-Vi também carrega em sua história capítulos marcados por tensão, provocações e brigas que ficaram registrados no futebol baiano.
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Entre os episódios mais lembrados estão os clássicos disputados em 1985 e 1988, além de acontecimentos que marcaram a rivalidade em 1934 e 2018.
A história dos Ba-Vis também possui um episódio de extrema gravidade fora dos gramados. Em 2 de julho de 1934, durante uma partida válida pelo Campeonato Baiano, o jogador Antonio Fernandes da Costa, conhecido como Bitonho, do Bahia, agrediu o árbitro Vivaldo Tavares após o juiz marcar um pênalti para a equipe rival.
Após a confusão, os jogadores foram para os vestiários aguardar o início do 2º tempo. Porém, durante este intervalo, o Bitonho foi preso.
O caso provocou forte repercussão e resultou em punição aplicada pela Federação Baiana de Futebol. Bitonho, então com apenas 24 anos, foi profundamente afetado pelas consequências do episódio. No dia seguinte, 3 de julho, o jogador tirou a própria vida. A tragédia marcou de forma dolorosa o futebol baiano e se tornou um dos capítulos mais sombrios da história do clássico.
Em 15 de dezembro de 1985, Bahia e Vitória se enfrentaram pelo quadrangular final do Campeonato Baiano. O Tricolor venceu por 1 a 0, mas o resultado não foi suficiente para conquistar o Estadual.
Perto do fim da partida, os jogadores das duas equipes protagonizaram uma briga generalizada. O confronto interrompeu o jogo e transformou o gramado em palco de uma das confusões mais lembradas daquele campeonato.
O Leão da Barra terminou como campeão daquela edição após vencer a Catuense por 2 a 1, na Arena Fonte Nova, e encerrou um jejum de quatro anos sem conquistas.
Um dos Ba-Vis mais emblemáticos aconteceu em 7 de agosto de 1988, na Fonte Nova. Bahia e Vitória voltavam a decidir o Campeonato Baiano após sete anos, e o Tricolor chegava ao confronto embalado por uma campanha de destaque.
O Bahia era comandado por Evaristo de Macedo, treinador que meses depois levaria a equipe ao título do Campeonato Brasileiro daquele ano. Do outro lado, o Vitória tinha Orlando Fantoni no comando, técnico que já havia conquistado o Estadual pelo próprio Bahia em 1976 e 1987.
A confusão começou depois do terceiro gol do Bahia. Osmar marcou o tento que praticamente sacramentava o título tricolor e permaneceu caído na área do Vitória durante a comemoração.
Ainda no chão, o atacante foi agredido pelo goleiro rubro-negro Tonho. Os jogadores do Bahia correram para defender o companheiro. Renato foi um dos primeiros a chegar, mas também acabou atingido pelo arqueiro, sofrendo uma lesão na perna direita.
O tumulto rapidamente tomou conta do gramado. Jogadores titulares e reservas das duas equipes entraram na confusão, enquanto a Polícia Militar precisou intervir para tentar controlar a situação.
A briga chegou às arquibancadas e o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia tomou uma decisão drástica: expulsou todos os jogadores e encerrou a partida antes do fim do tempo regulamentar.
Com o jogo terminado, o Bahia iniciou a comemoração do título, enquanto o presidente do Vitória, Ademar Pinheiro Lemos, tentou contestar a decisão e buscou entregar ao árbitro um documento pedindo a anulação da partida. A tentativa, porém, não avançou.
Em 18 de fevereiro de 2018, no Barradão, o momento mais icônico e emblemático na história do maior clássico do Norte-Nordeste aconteceu pela 6ª rodada do estadual, e seria conhecido como o “Ba-Vi da Paz”.
O Vitória vencia o Bahia por 1 a 0, com gol de Denilson ainda no primeiro tempo. No início da segunda etapa, aos três minutos, o árbitro Jailson Macêdo Freitas marcou pênalti para o Bahia. Vinicius, o Vina, cobrou e empatou a partida.
Na comemoração, o atacante do Esquadrão realizou uma dança em frente à torcida da equipe de Canabrava. O gesto provocou a reação dos jogadores rubro-negros e desencadeou uma briga generalizada, com troca de socos e pontapés.
O tumulto teve consequências severas, com nove jogadores expulsos. Sem condições para a continuidade do confronto, a partida acabou encerrada aos 34 minutos do segundo tempo. Desde então, por determinação da Justiça, todos os clássicos Ba-Vis são disputados com torcida única em seus respectivos estádios.
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