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Publicado em 21/10/2026, às 06h04 Investigação Aponta Tortura e Ameaças na Bamor em Salvador - Divulgação/E.C BAHIA Samuel de Jesus
Áudios atribuídos ao presidente da Bamor, Matheus Pires Castro, mostram convocações e orientações para sessões de tortura contra membros da própria torcida, em Salvador.
As gravações foram obtidas pelo G1 e fazem parte de uma investigação que apura crimes cometidos na sede da agremiação, reforçando as suspeitas de que as agressões eram planejadas pela cúpula da torcida organizada.
Amanhã a gente vai pegar ele daquele jeito. Quem tiver nojo de sangue não vá, porque a gente vai pegar ele e vai ser uma cena triste para ficar de exemplo."Fala atribuída ao presidente da Bamor
De acordo com as investigações do MP-BA, Matheus teria enviado mensagens de voz. a outros dirigentes com ameaças e instruções relacionadas às agressões. Em um dos áudios que o g1 teve acesso, ele afirma que o encontro resultaria em uma “cena triste”. O conteúdo também indicava a intenção de intimidar as vítimas para obter confissões sobre supostos desvios financeiros.
A gente vai abrir logo a cabeça dele lá no meio, essa desgraça. Então, quem for amigo, quem ficar com pena, quem falar que pode dar merda porque a família pode correr atrás, que pode dar polícia, nem vá para a reunião. Deixa que quem quiser resolve, entendeu? Porque amanhã ele vai ter que sair com a mão esmagada para, de lá, ele fazer cirurgia. Tem que se foder e apanhar mesmo para servir de exemplo".
Segundo as apurações do G1, duas pessoas foram vítimas de violência física e psicológica dentro da sede da torcida, em julho deste ano. Uma delas era integrante da Bamor há 18 anos e responsável pelo cadastro de associados, enquanto a outra prestava serviços de TI para o grupo.
No dia 28 de setembro, dez integrantes da diretoria da Bamor foram presos preventivamente, incluindo o presidente e o vice-presidente, Luciano Silva Venâncio, em uma operação conjunta do Ministério Público da Bahia (MP-BA) e das forças de segurança, que cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão em Salvador. .
Segundo o Ministério Público, os investigados foram denunciados por organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça. Durante a operação, os agentes apreenderam objetos usados na agressão, além de documentos e dispositivos eletrônicos.
As defesas de Matheus Pires Castro e Luciano Silva Venâncio afirmaram que os clientes são inocentes e que as medidas judiciais cabíveis estão sendo adotadas.
A Bamor declarou que não apoia nem compactua com condutas ilícitas e defendeu que as responsabilidades sejam apuradas individualmente, com respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência.
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