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Publicado em 16/09/2026, às 20h28 Reprodução / BNews Tv / Youtube Leonardo Oliveira
O secretário de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Marcelo Werner, comentou durante entrevista ao BNews Agora, nesta quarta-feira (16), sobre a violência envolvendo torcidas organizadas no estado.
Werner classificou os envolvidos em agressões como “criminosos travestidos de torcedores” e defendeu punições exemplares para coibir a violência nos estádios e nas ruas, incluindo punição individual por CPF e o monitoramento de locais clandestinos onde torcedores se reúnem para brigas. Além disso, ele reforçou a necessidade de diferenciar torcedores comuns de grupos criminosos dentro das organizadas.
“A gente sabe que, logicamente, não pode generalizar. Existe muita gente que vai para o estádio, sim, mas, infelizmente, há um grupo dentro da organizada voltado ao cometimento de crimes e à incitação da violência”, afirmou.
Segundo o secretário, a estratégia da SSP-BA inclui operações integradas e o uso de inteligência para identificar esses grupos. “Nós temos feito muitas operações, inclusive em relação a isso. Prendemos muitos. Temos que ser severos”, disse, citando o caso recente, antes do clássico Ba-Vi, em 23 de agosto de 2026, que culminou na morte de dois torcedores.
Para Werner, a chave para reduzir a violência é combater a impunidade. Ele citou o que chama de “solução dos três Is”: ações integradas, policiamento orientado pela inteligência e investimentos, mas alertou que tudo isso é comprometido se não houver punição efetiva.
“A primeira coisa é entender efetivamente que esse tipo de conduta tem que ser punido. A gente precisa pegar realmente esses elementos e dar a punição. Ser duro em relação a esse tipo de incitação à violência”, afirmou.
O secretário defendeu a punição individual, por CPF, como forma de banir torcedores violentos dos estádios, modelo já adotado em outros países. “É no CPF, acima de tudo, não só naquela organização”, disse, referindo-se à suspensão temporária das atividades da Bamor e da TUI, decidida pelo Ministério Público.
Werner revelou que a SSP tem direcionado mais efetivo para locais fora dos estádios, onde ocorrem encontros clandestinos de torcedores. “Muitas vezes, a gente emprega mais efetivo na cidade, ao longo desses locais, nos diversos bairros da capital e da Região Metropolitana de Salvador, do que realmente no estádio, para evitar esse tipo de coisa”, explicou.
Segundo ele, as investigações sobre os episódios recentes de violência seguem em andamento e novas operações devem ser realizadas.
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Questionado se a extinção das torcidas organizadas seria uma solução definitiva, Werner disse que o tema precisa ser avaliado com cuidado. “Eu acho que isso gerou uma provocação em todos: na opinião pública e no sistema de Justiça. Como vai ser?”, questionou.
Ele classificou a suspensão das atividades da Bamor e da TUI como um “primeiro passo” para ajustar condutas, mas não descartou medidas mais drásticas. “São procedimentos que foram adotados em outros estados e em outros países, que levaram efetivamente, alguns conseguiram ser resolvidos e outros levaram à extinção das organizadas”, afirmou.
O secretário destacou, porém, que é preciso observar os resultados das medidas atuais antes de decidir por ações mais radicais. “Agora é o momento de observar o que está acontecendo”, disse.
Werner também cobrou responsabilidade das diretorias das torcidas organizadas. “A própria diretoria da torcida tem que criar essa consciência de afastar esse tipo de gente”, afirmou, ressaltando que muitas pessoas nas organizadas são “pessoas de bem” e que o futebol se beneficia da presença da torcida nos estádios.
“É bonito ver a torcida ali, próxima. Eu, como Vitória, não sei se a Bamor tem essa sensação, mas a TUI faz uma diferença naquele estádio”, disse o secretário.
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