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Publicado em 16/11/2025, às 19h20 Reprodução Instagram Juliana Barbosa
O biólogo marinho Mauricio Hoyos, pesquisador com mais de 30 anos de experiência, ainda se lembra da sensação que teve quando ficou preso na garganta de um tubarão-das-galápagos de mais de três metros de comprimento. O ataque aconteceu no fim de setembro, nas águas da Ilha do Coco, na Costa Rica.
Segundo ele, tudo aconteceu muito rápido. O animal avançou em alta velocidade, e Hoyos só conseguiu abaixar a cabeça para proteger a jugular. As informações são do portal BBC.
"Quando ele fechou sua boca, senti a pressão da mordida e, acho que depois de um segundo, ele abriu a boca e me deixou ir embora", contou, em recuperação na sua casa em La Paz, na Baixa Califórnia, mais de um mês após o incidente.
Ataque inesperado a 40 metros de profundidade
Hoyos descia até 40 metros para marcar a fêmea de tubarão com um dispositivo usado por cientistas para acompanhar deslocamentos. Ele já sabia que era uma fêmea grande e que estava em uma “estação de limpeza”, área onde pequenos peixes retiram parasitas dos tubarões.
O pesquisador conseguiu aplicar a marca, mas o tubarão reagiu de uma forma incomum.
"Eu vi como seu olhinho prestava atenção em mim e a vejo dando a volta, mas muito tranquila", lembra. Em segundos, o animal investiu contra ele.
"Baixei a cabeça e senti sua mandíbula inferior se enterrando na minha bochecha e a parte superior, na cabeça. Ali fiquei... dentro da sua boca, que ela simplesmente voltou a abrir."
Os dentes serrados do tubarão cortaram profundamente o rosto e a cabeça de Hoyos, e ainda romperam sua mangueira de oxigênio. A visibilidade ficou quase nula, já que a máscara também foi rasgada.
Com pouco ar e sangrando, ele calculou que tinha menos de um minuto para subir.
Corrida pela sobrevivência
Sem enxergar direito e com o equipamento falhando, Hoyos tentou usar o regulador reserva, mas percebeu que ele estava soltando ar demais.
"Precisei recordar meu treinamento e fazer a regulagem com os lábios", contou.
Ele seguiu a direção da luz até a superfície, evitando movimentos bruscos para não atrair novamente o animal. Ao chegar ao barco, foi socorrido por um jovem da equipe e levado imediatamente para atendimento.
Embora o golpe tivesse sido forte, a dor só veio depois.
"O que mais me doeu foi o golpe. Quando o tubarão me mordeu… foi como se um carro tivesse me atingido", disse.
Recuperação impressionante
O ataque aconteceu em 27 de setembro. Depois de viajar por 34 horas para receber atendimento especializado, Hoyos passou por lavagem cirúrgica e, em pouco tempo, os médicos já avaliavam reconstrução.
A recuperação surpreendeu a equipe médica.
"Eles me disseram que minha evolução havia sido incrível", afirma. Apesar da gravidade, nenhuma ferida infeccionou.
Vai voltar a mergulhar
Apesar do trauma, Hoyos decidiu voltar à água já no mês seguinte.
"Na verdade, minha evolução foi incrível. De fato, eles me deram alta e já tenho viagem para mergulhar marcada para o dia 14 de novembro."
Ele acredita que o ataque não foi de caça, mas de defesa.
"Neste caso, esta mordida foi como a dos cães… Eles não o machucam, mas, com isso, o outro cachorro se tranquiliza."
Hoyos também considera que a fêmea poderia estar grávida.
"Imagine… você não está só protegendo a si mesmo, mas também à sua prole."
Uma vida dedicada aos tubarões
A relação de Hoyos com os tubarões começou ainda na infância, quando ouviu as histórias que seu pai contava sobre o filme “Tubarão”, de Steven Spielberg.
"Esse medo irracional gerado pelo filme nos seres humanos foi bastante negativo. Mas, para mim, gerou o efeito contrário."
O pesquisador já estudou centenas de espécies e afirma que os tubarões são essenciais para o equilíbrio do oceano.
"São como o sistema imunológico dos oceanos. Muitas pessoas pensam que seriam melhores sem eles, mas não conhecem o papel importante que desempenham."
Marca no rosto, orgulho na fala e viagens já marcadas: Hoyos quer voltar ao mesmo ponto onde quase morreu, na chamada Rocha Suja. E espera reencontrar a fêmea que o atacou, que segue nadando livremente, agora identificada pela marca que ele conseguiu colocar segundos antes do ataque.
"Esta é a prova que tenho para demonstrar que aquela fêmea poupou a minha vida", diz. "Vou continuar defendendo os tubarões e falando bem deles."