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BNews Novembro Negro: O Rosário dos Pretos e o ato político pela vivência da fé

A Igreja do Rosário dos Pretos, no Pelourinho, marca a resistência pela vivência da fé com características africanas  |  Reprodução / Instagram

Publicado em 17/11/2025, às 06h00   Reprodução / Instagram   Davi Lemos

Sete novos irmãos, 8 postulantes e 3 noviços realizaram votos para ingresso na Irmandade dos Homens Pretos, em solenidade realizada em 26 de outubro na histórica Igreja do Rosário dos Pretos, no Pelourinho. O ato vivido e registrado durantes os festejos pelos 340 anos do templo católico construído por negros escravizados oriundos do Congo e de Angola representa não somente a manutenção de uma tradição, mas de uma história por luta da vivência livre da fé por homens e mulheres negros.

Antes da edificação do templo histórico, os negros em Salvador - esta era uma realidade do Brasil colônia - não poderiam manifestar a própria fé, ainda que fosse, como neste caso, a católica. "A Igreja do Rosário dos Pretos nasce com um propósito diferente: ser um lugar de acolhimento dos negros, dos escravizados. Foi um ato de fé, mas também um ato político", disse o capelão do Igreja do Rosário dos Pretos, Lázaro Muniz.

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O sacerdote destacou que o templo não é somente "um lugar para chamar de seu", mas "para manifestar a fé cristã católica de maneira mais própria". Sendo uma irmandade católica, com características dos povos negros que a fundaram, a Irmandade dos Homens Pretos foi elevada à categoria de Ordem Terceira no final do século XIX, em 2 de Julho de 1899, data em que se celebra a Independência da Bahia.

Padre Lázaro destaca que o templo nasceu para a vivência da fé católica, "mas na perspectiva de africanidade, afro diaspórica". O sacerdote salienta que ter um lugar para celebrar segunda a própria cultura étnica revela a marca de ser quilombo. "É uma resposta também política diante do desprezo étnico que identifica que o que é negro é do demônio".

O prior da Irmandade, Willian Justo, destaca que a Igreja do Rosário dos Pretos tem uma vocação para o diálogo inter-religioso. "Temos na irmandade a dupla pertença de alguns membros", diz Justo, ao indicar que alguns religiosos do irmandade seguem tanto o catolicismo quanto as religiões de matriz africana. Não há a utilização do termo "sincretismo", como se houvesse síntese de ritos, mas o encontro de religiões a partir de traços culturais comuns.

"Nas celebrações, temos atabaque, agogô, instrumentos que são também utilizados em outras religiões, que são instrumentos de nossa cultura", diz Willian Justo, que é religioso da Irmandade há 8 anos, mas frequenta há 12. Ele, que era acólito na Catedral Basílica, explicou como foram as primeiras experiências no Rosário dos Pretos.

"Foi muito diferente. Estava mais acostumado com as missas com órgãos ou violões, algo mais tradicional. Então vemos no Rosário dos Pretos a celebração muito mais alegre. Celebramos Deus de forma viva", salienta o prior da Irmandade dos Homens Pretos.

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