Geral
Publicado em 15/05/2025, às 17h11 Reprodução / Freepik Redação Bnews
No cenário global de expansão da energia eólica, um fenômeno conhecido como “roubo de vento” começa a gerar preocupação entre especialistas, governos e empresas do setor.
O termo, embora polêmico, descreve o efeito de quando um parque eólico reduz a velocidade do vento que chega a parques vizinhos posicionados a jusante, ou seja, na direção do vento predominante. Esse fenômeno, tecnicamente chamado de efeito esteira, pode comprometer a eficiência e a produção energética dos parques afetados, chegando a causar perdas de até 10% na geração prevista.
O efeito esteira ocorre porque, ao girar, as turbinas extraem energia do vento, deixando atrás de si uma “sombra” de ar mais lento e turbulento. Em grandes complexos eólicos offshore, essa esteira pode se estender por dezenas ou até mais de 100 quilômetros, especialmente em regiões com alta concentração de turbinas, como o Mar do Norte e o Mar Báltico. À medida que a demanda por energia limpa cresce e países correm para instalar novas turbinas, os parques eólicos ficam cada vez mais próximos, intensificando o impacto do fenômeno.
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Especialistas alertam que o “roubo de vento” não é apenas uma questão técnica, mas também política e econômica. A redução de eficiência pode comprometer o retorno financeiro dos investimentos, gerar conflitos entre desenvolvedores e até provocar disputas internacionais, já que o vento é um recurso compartilhado e sem fronteiras definidas. O advogado norueguês Eirik Finserås destaca que, embora ninguém seja dono do vento, já existem litígios envolvendo o tema, e a tendência é que esses conflitos aumentem com a saturação dos mares por turbinas.
Projetos de pesquisa, como o liderado por Pablo Ouro na Universidade de Manchester, buscam entender melhor o impacto das esteiras e antecipar cenários para 2030, quando a expectativa é de uma multiplicação das turbinas em águas britânicas e europeias. O desafio é criar regras claras e estratégias de cooperação internacional para gerenciar esse recurso comum e evitar que a corrida pela energia renovável gere novos impasses.
Além disso, o aumento do porte das turbinas – algumas já com pás superiores a 100 metros e capacidade para abastecer 20 mil residências – amplia ainda mais o alcance das esteiras, tornando o problema mais complexo. Governos e especialistas discutem alternativas, como o planejamento estratégico do posicionamento das turbinas, uso de tecnologias avançadas de modelagem atmosférica e acordos internacionais para mitigar os impactos do fenômeno.
O “roubo de vento” serve de alerta: até mesmo soluções consideradas limpas e sustentáveis exigem planejamento inteligente, cooperação e inovação para garantir uma transição energética eficiente e justa.
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