Geral

Entre a sala de aula e as ruas: estudante concilia Medicina com trabalho de coletor de lixo

Guilherme da Silva Mazini, de 24 anos, divide seu tempo entre a faculdade de Medicina e o trabalho como coletor de lixo em Presidente Prudente  |  Guilherme Mazini/Arquivo pessoal

Publicado em 12/09/2025, às 16h44   Guilherme Mazini/Arquivo pessoal   Analu Teixeira

Durante o dia, Guilherme da Silva Mazini, de 24 anos, dedica-se integralmente às disciplinas do curso de Medicina. À noite, assume a função de coletor de lixo para garantir a limpeza da cidade. Morador de Presidente Prudente (SP), ele divide a rotina entre livros e caminhões de coleta, tudo para manter vivo o sonho de se tornar médico.

Em entrevista ao G1, Guilherme contou como consegue conciliar os dois mundos. Ele trabalha em escala 6x1, enquanto banca os estudos por meio do Financiamento Estudantil (Fies). O desafio é ainda maior porque a Medicina é considerada uma das graduações mais elitizadas do país, com mensalidades que podem chegar a quase R$16 mil.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

“As aulas são integrais. Quando saio da faculdade, já preciso correr para o trabalho. O maior obstáculo é o horário, porque só termino a coleta por volta da meia-noite”, relata.

A semana de Guilherme começa cedo: das 7h30 às 17h10 ele está em sala de aula. Logo em seguida, às 18h, inicia o expediente na limpeza urbana, de segunda a sábado. Para ajustar os compromissos, pede para sair dez minutos mais cedo da faculdade e chega dez minutos atrasado ao trabalho.

A opção pela coleta surgiu há três anos, ainda durante a graduação em Enfermagem, na qual estudava com bolsa integral do Prouni. “Participei de um concurso e fiquei em segundo lugar. No começo foi difícil, tive muitas dores no joelho, ombro e mãos. A ideia partiu do meu tio, que me incentivou a tentar”, lembra.

Guilherme Mazini/Arquivo pessoal

Clique aqui e inscreva-se no canal do BNews no Youtube!

Apesar do esforço físico, Guilherme diz que se identificou com a função. “Gosto do contato com as pessoas e de servir à comunidade com esse tipo de serviço. Não é por acaso que escolhi a área da saúde”, afirma.

Já no segundo semestre de Medicina, o estudante decidiu que pretende seguir carreira na psiquiatria, motivado pela relevância da saúde mental e sua ligação com outras doenças.

“Acredito no propósito de levantar as pessoas, ajudá-las a se recuperar para que possam ter um futuro melhor”, destaca ao G1. 

O preconceito em relação à profissão de coletor, no entanto, não o intimida. “O preconceito existe na sociedade já tem um tempão, com certeza tem. As pessoas se assustam quando eu conto, por conta do preconceito que acontece sobre esse tipo de profissional, em que a maioria busca uma segunda renda, realiza outras atividades. Eu acompanho essa parte na contramão por meio do estudol”, afirma.

A trajetória de Guilherme ganhou novo rumo no início de 2025, quando ele conquistou a vaga na Medicina graças à nota do Enem de 2019.

Classificação Indicativa: Livre


TagsSaúdelimpezaEnemgraduaçãoserviçoFiesProUnimedicina

Leia também


Jovem da menor cidade do Ceará é aprovada em duas faculdades de Medicina


Curso de medicina com nota baixa pode ter corte de vaga ou extinção