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Publicado em 17/09/2026, às 08h19 Reprodução / Redes Sociais Tiago Di Araújo
Uma cirurgiã-dentista de 28 anos morreu após passar mal com fortes dores no estômago e procurar atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. Jaqueline de Melo Silva foi medicada e liberada após apresentar melhora, mas voltou a passar mal ao chegar em casa e sofreu um infarto fulminante.
O caso aconteceu na terça-feira (15). Segundo um familiar ouvido pelo g1, Jaqueline permaneceu por cerca de quatro horas na UPA. Após receber medicação e apresentar melhora, retornou para casa.
Pouco depois, no entanto, os sintomas voltaram. A dentista foi colocada em um carro e levada pela família ao Hospital do Juruá, mas chegou à unidade já sem vida.
Segundo uma nota divulgada pela família, o laudo médico apontou infarto fulminante como causa da morte.
“Tinha crises de gastrite muito forte. Isso já desencadeava a ansiedade. Ela foi umas quatro horas para a UPA, ficou lá até umas seis horas, tomou remédio, voltou para casa, teve a crise e infartou. Levaram de carro para o Hospital do Juruá, mas já chegou morta”, relatou um familiar ao g1.
Jaqueline convivia com problemas no estômago há anos e havia passado por duas cirurgias cerca de quatro anos antes da morte. De acordo com o familiar, as crises de gastrite eram frequentes e também provocavam episódios de ansiedade e nervosismo.
Por causa da condição, a dentista mantinha cuidados rígidos com a alimentação e evitava comer em locais que não conhecia.
“Ela amava sushi, mas só comia de um lugar específico, assim como hambúrguer, pastel. Eram lugares que ela já sabia que não ia passar mal. Se comesse qualquer coisa errada, tinha uma crise de gastrite”, contou o familiar.
Formada em Rio Branco, Jaqueline chegou a trabalhar durante um ano na capital do Acre antes de retornar a Cruzeiro do Sul, onde vivia a família. Ela atendia em uma clínica da cidade e havia concluído recentemente uma especialização.
Além da odontologia, a jovem tinha uma relação especial com os animais. Ela atuava no resgate de animais abandonados, tinha um gato chamado Flock e alimentava o sonho de cursar medicina veterinária.
Segundo o familiar, Jaqueline também sonhava em se casar, ter filhos e mudar de cidade para ampliar os conhecimentos profissionais.
“Os animais eram a segunda paixão dela. Resgatou vários, tinha essa veia de protetora. Ela tinha o sonho de casar, falava em ter filhos e sonhava em mudar de cidade para aprender mais. Ela era muito querida por amigos e pacientes”, relembrou.
A dentista também era lembrada pela personalidade alegre e pela disposição em acompanhar amigos em diferentes programas.
“Ela vivia sorrindo. Era dentista e a gente brincava com ela sobre o fato de viver sorrindo. Era uma pessoa muito engraçada, esperta, gentil, bonita e simpática com todo mundo. Ficamos em choque”, afirmou o familiar ao g1.
A morte de Jaqueline provocou comoção entre familiares, amigos, pacientes e entidades ligadas à odontologia no Acre.
Ela foi velada na Igreja São João Batista, no bairro Cohab, em Cruzeiro do Sul, e sepultada ainda na terça-feira (15).
O Conselho Regional de Odontologia do Acre (CRO-AC) divulgou uma manifestação de pesar pela morte da profissional. O Sindicato dos Odontologistas do Acre (Sinodonto-AC) também lamentou a perda e destacou a trajetória da jovem.
A Associação dos Militares do Estado do Acre (AME-AC) igualmente prestou homenagem. Jaqueline era filha do primeiro-tenente da reserva remunerada da Polícia Militar Salésio Figueira da Silva.
A família pediu respeito e empatia diante da perda inesperada da jovem.