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Publicado em 23/03/2025, às 15h32 Reprodução/Instagram @ellidy_ Redação Bnews
A australiana Ellidy Pullin não esperava passar por uma experiência que mudaria de vez sua vida, mais de um ano depois da morte do marido. O evento foi o nascimento da sua filha, fruto de uma fertilização in vitro com o esperma coletado após a morte do parceiro. O casal já estava tentando engravidar havia meses, sempre com resultados negativos.
O marido de Ellidy, Alex "Chumpy" Pullin, morreu em julho de 2020, aos 32 anos, enquanto realizava uma pesca submarina na costa leste da Austrália. Ele foi porta-bandeira da Austrália nos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi-2014 e foi duas vezes campeão mundial de "snowboard cross".
Ellidy foi informada por uma amiga que a coleta do esperma poderia ser realizada. Mesmo em meio à comoção pela morte do marido, a amiga sabia das tentativas de gravidez do casal e comentou sobre a possibilidade de o procedimento ser feito com Pullin.
Ellidy e a família tiveram pouco tempo para encontrar um médico e um advogado. A extração de uma amostra viva do esperma do marido ocorreu 36 horas após a morte de Alex Pullin e foi feita por um médico. Ellidy falou sobre o caso em entrevista ao programa de rádio Outlook, da BBC internacional
“Para ser sincera, quando soubemos que o esperma estava na geladeira, não pensamos mais no assunto por muito tempo. Mal conseguíamos superar o fato de que estávamos sentados, e que Chumpy não estava conosco”, disse ela para a rádio.
O procedimento feito pela australiana é chamado de coleta de esperma post-mortem. A coleta tem de ser realizada poucas horas após a morte. Segundo os Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) dos EUA, quanto mais tempo passar, menores serão as chances de conseguir uma gravidez, e não há casos registrados de sucesso após 36 horas.
A técnica exige que uma instalação de criopreservação esteja disponível e próxima para garantir o acondicionamento do gameta, segundo um estudo de caso publicado sobre o tema na revista Clinical Practice and Cases in Emergency Medicine. Após congelado, o gameta pode ser usado em uma fertilização in vitro.
Esse tipo de procedimento não é permitido no Brasil. De acordo com a especialista em reprodução humana Maria do Carmo Borges de Souza, diretora do centro de reprodução humana Fertipraxis, o país não tem uma legislação específica para essa situação.
“Em situações emergenciais de morte (como o exemplo da australiana), ou quando há uma pressão familiar para fazer essa coleta do sêmen (após morte), isso não está contemplado dentro da norma do Conselho Federal de Medicina. Não há uma lei no país que o diga, mas seria uma situação em que o médico profissional estaria fazendo alguma coisa que não necessariamente aquele homem teria concordado ou permitido”, disse a médica especialista.
Quinze meses depois da morte do marido, a australiana anunciou a gravidez. No Instagram, ela escreveu: "Seu pai e eu sonhamos com você há anos, pequena. Com uma reviravolta de cortar o coração, estou honrada em finalmente dar as boas-vindas a um pedaço do fenômeno que é Chumpy de volta a este mundo."
Em 25 de outubro de 2021, nasceu Minnie Alex Pullin. Em entrevista à rádio, Ellidy disse que sente a falta de Chumpy o "tempo todo". "Mas a vida se desenvolve e cresce em torno da dor. Estou muito ocupada com a Minnie, com o trabalho. Penso nele todos os dias", desabafou.
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