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Publicado em 02/05/2025, às 09h27 Reprodução/Redes Sociais Marcelo Ramos
Uma cabeleireira transgênero brasileira, identificada como Tarlis Marcone de Barros Gonçalves, foi detida por autoridades de imigração ao tentar entrar nos Estados Unidos. As informações foram reveladas pela Folha de São Paulo.
Tarlis, de 28 anos, ficou encarcerada na prisão de Guantánamo, no México, em uma ala destinada a homens, onde relatou ter enfrentado assédio e se sentido insegura.
Ela havia cruzado a fronteira do México em 15 de fevereiro, pagando R$ 70 mil a um coiote, com a intenção de solicitar asilo devido à perseguição que sofria por ser uma mulher trans. Após sua detenção em El Paso, Texas, Tarlis foi transferida para um centro de detenção no Novo México, onde permaneceu por nove dias. Sem saber para onde estava sendo levada, ela foi enviada para Guantánamo.
“Falei várias vezes para eles que eu era uma mulher trans e não me sentia bem no local só com homens, que não me sentia segura. Tinha três beliches na cela, e um banheiro que não fechava a porta", disse à Folha.
“Disse para eles que estava sofrendo assédio, mas não fizeram nada, disseram que eu ia ficar na cela para homens. Também não me deixaram ligar para ninguém da minha família, nem falar com algum advogado”, continuou.
Em depoimento dado em português a advogados e traduzido para o inglês, a brasileira descreveu sua situação.
“Eu disse que estava sendo assediada por homens nos corredores e na cela, mas ninguém fez nada", afirmou.
O depoimento da cabeleireira foi incluído em ação movida pela União Americana das Liberdades Civis (ACLU) e pelo Centro para Direitos Constitucionais (CCR) contra o governo Trump para impedir que dez homens detidos pela imigração americana fossem mandados a Guantánamo.
Após cinco dias em Guantánamo, sem nenhuma explicação, Gonçalves foi colocada em um avião militar americano e levada para Miami e, de lá, para um centro de detenção na Louisiana. Após muitos pedidos para não ser alojada junto com prisioneiros homens, foi colocada em uma solitária por 17 dias.
“Só saía da cela para um banho de sol de 25 minutos", relatou à Folha.
Tarlís foi deportada para o Brasil no início de abril. Veio com algemas nos punhos e nas pernas.
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