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Publicado em 12/08/2026, às 09h24 Reprodução Redação BNews
Um padre de Jundiaí, no interior de São Paulo, foi declarado excomungado pela Igreja Católica após anunciar sua adesão voluntária à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), comunidade ultraconservadora que realiza celebrações e ordenações sem autorização do Vaticano.
Rodrigo de Oliveira da Silva, que já havia solicitado afastamento da Diocese de Jundiaí em fevereiro deste ano, foi declarado excomungado pela própria diocese em 6 de agosto, em razão de sua ligação com a fraternidade.
A excomunhão é uma das penas mais severas previstas pelo direito canônico e restringe a participação do fiel na vida sacramental da Igreja. No caso de Rodrigo, segundo a Diocese de Jundiaí, a medida está relacionada à adesão do sacerdote à FSSPX e à situação de cisma atribuída à organização. Para a Igreja Católica, o cisma ocorre quando há recusa de submissão ao papa ou de comunhão com os membros da Igreja que estão sujeitos à autoridade dele.
O que é a FSSPX?
Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a FSSPX surgiu em meio às discussões desencadeadas pelo Concílio Vaticano II. O grupo defende o retorno das missas em latim e rejeita parte das reformas adotadas pelo Vaticano há mais de 60 anos. Com uma sede em São Paulo (SP), católicos tradicionalistas se reúnem para participar de celebrações que estejam dentro do padrão defendido.
Dentre os pontos defendidos pela comunidade, estão celebrações com o padre voltado para o altar, de costas para os fiéis; a rejeição à separação entre Igreja e Estado; a rejeição da abertura da Igreja ao diálogo com outras religiões; e a rejeição de parte das reformas litúrgicas e pastorais adotadas pela Igreja nas últimas décadas.
Em julho deste ano, quatro bispos foram consagrados para a fraternidade sem autorização do papa Leão XIV. Antes da cerimônia, o pontífice pediu publicamente que o grupo desistisse da iniciativa e classificou a ação como um possível ato de natureza cismática.
Em 2 de julho, o Dicastério para a Doutrina da Fé declarou que os quatro bispos consagrados sem mandato pontifício haviam incorrido automaticamente em excomunhão, assim como outro bispo que participou da cerimônia como co-consagrante. Na ocasião, o Vaticano também alertou para as consequências canônicas da adesão formal ao cisma relacionado à fraternidade.
Conflito entre padre e Diocese
A relação entre o padre Rodrigo de Oliveira da Silva e a Diocese de Jundiaí começou a se complicar no início de 2026. Segundo comunicado oficial, o sacerdote comunicou seu desligamento voluntário das funções e da comunhão com a Igreja Particular de Jundiaí, motivado pela decisão de se unir à Fraternidade Sacerdotal São Pio X.
Em 12 de fevereiro, a diocese informou que Rodrigo estava suspenso do exercício do poder de ordem e proibido de celebrar missas, administrar sacramentos ou realizar atos de jurisdição em nome da Igreja Católica Romana na Diocese de Jundiaí.
A decisão ocorreu depois de o padre enviar, em janeiro, uma carta ao bispo Dom Arnaldo Carvalheiro Neto, na qual apresentou críticas aos rumos da Igreja e relatou sua aproximação com a chamada tradição católica.
Apesar de posteriormente ter sido declarado excomungado, Rodrigo afirmou publicamente, em abril, que não era membro oficial da FSSPX. Em vídeo publicado pelo canal Centro Dom Bosco, ele disse ser "um padre amigo" da fraternidade e afirmou buscar apoio e acompanhamento espiritual dos sacerdotes do grupo.
Na mesma ocasião, o sacerdote divulgou uma campanha para arrecadar recursos destinados à compra de um terreno e à construção de uma igreja própria em Campo Limpo Paulista, no interior de São Paulo.
Quem é Rodrigo de Oliveira da Silva?
Natural de Cajamar, em São Paulo, Rodrigo trabalhou desde a adolescência antes de seguir a vida religiosa. Segundo informações divulgadas em sua trajetória sacerdotal, ele atuou como repositor de supermercado, fez trabalhos de jardinagem, carpintaria e reciclagem.
O religioso ingressou no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Desterro, em Jundiaí, em 2004, onde concluiu os estudos de Filosofia e Teologia. Ele foi ordenado sacerdote em dezembro de 2011, em cerimônia realizada na Catedral Nossa Senhora do Desterro.
Durante o ministério, passou cerca de cinco anos em uma região de missão ligada à Diocese de Marabá, no Pará. Depois, retornou a São Paulo, onde assumiu a função de pároco da Paróquia Santo Antônio de Pádua e Voturucaia, em Jundiaí.
O sacerdote também exerceu funções ligadas à Pastoral do Dízimo e à ação evangelizadora da Diocese de Jundiaí. Mais tarde, deixou a função paroquial e recebeu autorização para viver uma experiência de eremitismo na Diocese de Campanha, em Minas Gerais, onde permaneceu até o fim de 2025.