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Sueca reencontra mãe 45 anos anos depois de adoção ilegal na Bahia

Segundo a mãe, a mulher nasceu em Medeiros Neto, na Bahia  |  A criança foi levada do Brasil com uma certidão de nascimento em que o nome do casal consta como pais biológicos. - Reprodução/TV4

Publicado em 26/08/2026, às 18h54   A criança foi levada do Brasil com uma certidão de nascimento em que o nome do casal consta como pais biológicos. - Reprodução/TV4   Elisa Martins

Após mais de 40 anos e de ter descoberto adoção ilegal, Gabriela Bengtsson, crescida na Suécia, reencontrou a mãe biológica no Brasil. Segundo a mãe, a sueca nasceu no fim de 1980 em Medeiros Neto, na Bahia. Aos três meses de idade, ela foi vendida para um casal sueco. 

Aos 69 anos, depois de ter dado à luz a 12 filhos, a senhora afirma que nunca perdeu a esperança de localizar Creuza, nome que deu à bebê antes do desaparecimento. "Eu pedia a Deus para não deixar eu morrer antes de saber da minha filha", afirma ao jornal DW.

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Gabriela desembarcou no Brasil neste ano. Desde criança, ela sabia dos trâmites, mas não sabe sobre o valor exato que sua família adotiva pagou para comprá-la. 

"Foi simplesmente maravilhoso. Foi bonito. Muitos abraços, muito amor. Tudo fez sentido, eu senti isso no meu coração", afirma emocionada ao conseguir voltar. 

A adoção teve intermediários e custou uma quantia considerável ao casal sueco. A bebê foi levada do Brasil com uma certidão de nascimento e documentos em que o nome do casal aparecia como pais biológicos. 

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Como aconteceu?

Depois da morte do pai adotivo, Gabriela encontrou caixas antigas no sótão da casa. Elas guardavam registros da adoção no Brasil. Foi quando ela passou a vasculhar os vestígios para descobrir de onde vinha. 

Em 13 de julho de 2020, ela escreveu uma mensagem numa página da internet de um grupo de voluntários que ajudam pessoas a localizar familiares no país. Mesmo sem entender português direito, Gabriela percebeu que seu pedido circulou. 

"Quando eu comecei a traduzir os comentários, vi que a pessoa envolvida na minha adoção foi suspeita de participar de um esquema ilegal nos anos de 1980", conta Gabriela.

Seis anos depois, após seguir as pistas do resultado de um teste de DNA e muita busca,  a mulher chegou no país.

Passado

A mãe biológica havia conhecido duas voluntárias em uma creche e elas diziam ser holandesas. Na época, ela tinha três filhos mais velhos e morava numa casa sem paredes, de chão batido e coberta de palha. O pai das crianças trabalhava em fazenda, então passava longos períodos fora de casa.

As duas voluntárias pediam constantemente para que a mãe deixasse a bebê de 3 meses com elas. Abatida pela miséria, a senhora aceitou. "Elas diziam que tomariam conta dela e que eu sempre poderia vê-la", conta.

Mas depois de um tempo, ela se arrependeu e voltou para buscar Gabriela. Ao chegar na casa de uma das holandesas, foi recebida por uma empregada e afirma ter visto a dona da casa correr pelos fundos com a bebê. 

A mãe biológica afirma nunca ter recebido ajuda financeira das mulheres que levaram a menina.

Por anos, ela acreditou que a filha pudesse estar na Holanda. Essa era a origem de uma das mulheres envolvidas no sumiço, Catharina Anna Gertruida Maria Seeder, também conhecida como Cathia. 

Atualmente, não se tem informações sobre o paradeiro de Catharina, ou se ela ainda vive. 

Bahia

Na década de 1970, o Brasil ficou conhecido na rota internacional para quem tinha interesse em adotar. A estimativa é de que pelo menos 30 mil crianças foram adotadas por estrangeiros entre os anos de 1965 e 1988, segundo um estudo do historiador brasileiro Fábio Macedo, pesquisador da Universidade de Angers, na França.

De acordo com o pesquisador, nem todas as adoções envolviam raptações. Contudo, Macedo ressalta que já era crime o nome dos pais adotivos constar como pais biológicos na certidão. 

Classificação Indicativa: Livre


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