Meio Ambiente
Publicado em 27/08/2025, às 10h56 - Atualizado às 11h02 Divulgação / Pixabay Verônica Macedo
A água é muito mais do que um recurso natural; é uma infraestrutura invisível, uma energia líquida e a matéria-prima essencial para a produção industrial. É o que afirma Lorena Zapata, diretora de Novos Negócios e Sustentabilidade na Engeper Ambiental e Perfurações a poucos meses para a realização da COP30 – Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que ocorrerá em novembro, em Belém, no Pará.
“No contexto do plano de reindustrialização do Brasil lançado em 2024, que aposta na transição ecológica e na inovação tecnológica, a questão do uso racional da água se torna central. Não é possível pensar em reindustrialização sustentável sem repensar radicalmente o consumo hídrico, especialmente por meio do reúso, que representa uma necessidade econômica e produtiva para garantir a competitividade global do país”, diz a especialista.
Segundo a executiva, a reutilização da água, um dos principais temas da Conferência do Clima, é uma alternativa cada vez mais viável e eficiente. Tecnologias como a eletrodiálise reversa (EDR) permitem recuperar até 95% dos efluentes industriais, inclusive aqueles com alta carga salina, e operar com baixo consumo energético. Essas inovações são acompanhadas por sistemas de monitoramento em tempo real e plataformas de telemetria, que aprimoram a inteligência hídrica e promovem maior autonomia operacional, conforme ela explica.
Para Lorena, no cenário global, a tendência de crescimento do mercado de reuso é expressiva, com taxa anual composta (CAGR) estimada em 9,7% até 2030, segundo estudos e analises do Grand View Research. “Essa expansão demonstra o movimento internacional para práticas mais circulares e sustentáveis, impulsionadas por demandas regulatórias, de investidores e consumidores. Para as indústrias brasileiras, aderir a essa lógica não é apenas uma questão ambiental, mas um requisito para cumprir metas ESG (ambiental, social e governança) e manter acesso a financiamentos e mercados competitivos”, pontua.
A especialista salienta que, embora alguns possam questionar o custo inicial e a complexidade de implementar tecnologias de reúso, essa visão subestima os riscos de manter o modelo atual, baseado no consumo linear e no desperdício. “A escassez hídrica crescente e as pressões econômicas evidenciam que ignorar a inteligência hídrica coloca em risco a soberania produtiva e a capacidade do Brasil de se manter competitivo no cenário mundial. O reuso representa um investimento com retorno claro em eficiência operacional e sustentabilidade”, ressalta.
De acordo com Lorena, é fundamental entender que a água reutilizada não é um resíduo tratado, mas um insumo valioso e regenerado, que permite a criação de ciclos produtivos circulares. “Essa mudança de paradigma, do “quanto posso usar” para o “quanto posso devolver”, deve orientar a nova indústria brasileira, promovendo justiça ambiental e inovação tecnológica”, frisa.
Assim, a reindustrialização sustentável do Brasil depende diretamente da incorporação da inteligência hídrica e do reúso como elementos centrais da política industrial, segundo Lorena. Conforme esclarece a executiva, reduzir custos operacionais, atender às exigências ESG e garantir a autonomia na gestão da água são passos fundamentais para assegurar um futuro produtivo e competitivo, em que a água seja reconhecida como o maior ativo estratégico do país.
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