Meio Ambiente
Publicado em 28/10/2026, às 10h35 Reprodução | Antalya/Turquia Lucas Pacheco
Entre os dias 09 e 20 de novembro, a Turquia sediará a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2026 (COP31), mas a escolha do país não foi fruto de uma candidatura isolada e nem foi uma decisão simples. Um impasse entre Turquia e Austrália, que também queria ser sede do evento, somente chegou ao fim após uma negociação diplomática.
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Turquia e Austrália mantiveram suas candidaturas até o fim e nenhum dos dois países aceitou abrir mão da oportunidade antes da COP30, que aconteceu em Belém, no final de 2025, o que gerou uma grande preocupação, já que a falta de consenso ameaçava prolongar a definição sobre o encontro de 2026.
No final, os dois países resolveram fazer uma espécie de “dobradinha”, um modelo até então incomum de compartilhamento de responsabilidades: a Turquia fica com a presidência da conferência, a organização do evento e a condução da Agenda de Ação. Já a Austrália assume a liderança das negociações oficiais.
A COP31 será realizada em Antalya, cidade turca turística, às margens do Mar Mediterrâneo, com o ministro turco do Meio Ambiente, Urbanização e Mudanças Climáticas, Murat Kurum, presidindo a conferência, e o ministro australiano da Mudança Climática e Energia, Chris Bowen, conduzindo as negociações entre os países participantes.
Mas o que cada país vai comandar?
País transcontinental, já que fica localizado entre a Europa e a Ásia, fazendo divisa com Grécia, Bulgária, Geórgia, Armênia, Azerbaijão, Irã, Iraque e Síria, e banhada pelo Mar Negro ao norte, Mar Egeu a oeste e Mar Mediterrâneo ao sul, a Turquia vai receber a conferência e a cúpula de líderes, exercer a presidência da COP31 e liderar a Agenda de Ação, voltada a iniciativas concretas de enfrentamento às mudanças climáticas.
País insular de dimensões continentais, situado na Oceania, sendo o sexto maior país do mundo em área territorial, a Austrália, sob a liderança de Chris Bowen, será responsável por conduzir as negociações oficiais, organizar consultas entre os países e trabalhar na construção dos textos das decisões climáticas.
Cerca de 80% do interior do país é formado por uma vasta região desértica e semiárida conhecida como Outback.
Mediterrâneo e Pacífico no centro do debate
A divisão de responsabilidades entre Turquia e Austrália representa uma tentativa de ampliar a influência de países insulares do Pacífico, considerados os mais vulneráveis à elevação do nível do mar e aos eventos climáticos extremos.
A preparação ministerial e a reunião de líderes foram realizadas na região, com atividades em Fiji e Tuvalu, entre os dias 5 e 8 de outubro de 2026, aproximando as negociações multilaterais da realidade de comunidades que já enfrentam os efeitos da crise climática.
O que está em jogo?
A escolha da Turquia vai muito além da localização geográfica de Antalya, cidade do país escolhida para sediar a conferência. Ela preserva a distribuição de funções e responsabilidade entre dois países, ao mesmo tempo que reserva espaço para as prioridades do Pacífico.
A COP31 está sendo, desde a sua preparação, um teste de cooperação entre regiões, com a diplomacia do Mediterrâneo e as demandas do Pacífico buscando espaço na mesma mesa de discussão e debate.
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