Meio Ambiente

Junho Verde: O que já mudou no Brasil com os eventos climáticos extremos e o que vem pela frente

estudos apontam que os modelos de produção e consumo da sociedade precisam ser transformados para se enfrentar a crise climática  |  Reprodução Freepik

Publicado em 22/06/2026, às 06h00   Reprodução Freepik   Mariana Cedrim

As mudanças climáticas são transformações a longo prazo nos padrões de temperatura e clima, que podem ser influenciadas por diversos fatores como desmatamento de terras e florestas, aterros para lixo e queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás.

De acordo com uma pesquisa da Aurora Lab e da More in Common, sobre a transição de energias sujas, as mudanças climáticas já afetam 85% dos brasileiros e deste total quase metade (46%) julga esse impacto intenso. Dos 2360 entrevistados, 93% acreditam que os modelos de produção e consumo da sociedade precisam ser transformados para se enfrentar a crise climática

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Um dos impactos observados com a mudança do clima no país é a alteração no ciclo das chuvas. Enquanto algumas áreas enfrentam secas severas, outras sofrem com chuvas intensas em pouco tempo, provocando enchentes e deslizamentos, conforme apontou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Em maio deste ano, a Zona da Mata foi atingida por uma enchente, com 72 mortes confirmadas, e já é considerada, conforme o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o maior desastre por chuvas desde as enchentes do Rio Grande do Sul, em maio de 2024. Na última década, o Brasil registrou cinco grandes desastres pluviométricos letais.

A síntese atualizada com as perspectivas para decisões estratégicas organizada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em conjunto com a Rede Clima, WWF-Brasil e Alana apontam que as mudanças na estação seca na parte central da América do Sul vão refletir no Brasil devido ao início e recuo tardios das monções, além da diminuição da precipitação sobre a Amazônia e o Brasil central.

“Espera-se também aumento na frequência e na extensão geográfica da seca meteorológica na Amazônia Oriental, composta pelos estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, e o oposto na porção Ocidental, que abrange os estados do Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins e Mato Grosso”, aponta o estudo.

Além disso, há a expectativa que o país poderá sofrer redução da precipitação anual total, a despeito do aumento de tempestades e de uma probabilidade até quatro vezes maior de ocorrerem secas severas em diversas regiões do país, devido um aumento de 2oC na temperatura média global.

Durante um debate no Senado, o pesquisador Carlos Nobre enfatizou que as previsões futuras trazem muita preocupação porque o fenômeno acontece em um cenário de aumento gradual da temperatura global e reiterou que as pesquisas científicas apontam para uma alta probabilidade de o El Niño ocorrer já neste ano.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou, em 7 de novembro de 2025, o Fórum Integrado sobre Mudanças Climáticas e Comércio (IFCCT) durante a Cúpula do Clima de Belém, na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP 30.

O Fórum busca contribuir para desenvolver soluções progressivas e de fortalecimento mútuo sobre a intersecção de políticas públicas de comércio e clima em domínios como a transição energética, o combate ao desmatamento e a contabilidade de carbono.

E um dos principais agentes para contribuir com as soluções é o ser humano, que precisa adotar e/ou intensificar hábitos para redução de danos como economizar energia elétrica,  reciclar o lixo, ter mais cuidado ao consumir embalagens, comer menos carne suína e bovina, dar preferência ao transporte coletivo e bicicletas e o principal que é plantar árvores, de preferência nativas de sua região.

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