Meio Ambiente

Junho Verde: Pequenas mudanças podem ajudar a evitar o desperdício de água no dia a dia

Brasil possui 12% da água doce do planeta, mas desperdício é um grande desafio para a gestão hídrica  |  Freepik

Publicado em 18/06/2026, às 06h00   Freepik   Analu Teixeira

Apesar de o Brasil possuir uma das maiores reservas de água doce do mundo, o desperdício ainda representa um desafio para a preservação dos recursos hídricos. Em um cenário marcado pelas mudanças climáticas e pelo crescimento populacional, especialistas alertam que o consumo consciente é fundamental para garantir a disponibilidade desse recurso para as próximas gerações.

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Grande parte do desperdício acontece dentro das próprias residências, em hábitos cotidianos que muitas vezes passam despercebidos. Segundo o gerente de Sustentabilidade da Embasa, o biólogo Fabrício Tourinho, pequenas atitudes podem gerar impactos significativos quando adotadas de forma coletiva.

“Um chuveiro ligado por 10 minutos consome, em média, 140 litros de água. Reduzir o tempo de banho é uma medida aparentemente simples, mas que gera um grande impacto na economia de água”, explica.

O especialista destaca ainda que manter a torneira aberta durante atividades como escovar os dentes ou lavar a louça também contribui para o desperdício. Para a higiene bucal, por exemplo, apenas um copo de água é suficiente. Além disso, utilizar máquinas de lavar roupas apenas com a capacidade completa, reaproveitar água sempre que possível e monitorar vazamentos são medidas importantes para reduzir o consumo.

Os vazamentos, inclusive, estão entre os principais vilões do desperdício doméstico. De acordo com a Embasa, um pequeno furo de apenas dois milímetros em uma tubulação pode resultar na perda de cerca de 3,5 mil litros de água em um único dia.

Para Rita Ariele, integrante do Diretório Acadêmico de Engenharia Sanitária e Ambiental (DAESA) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o problema vai além dos hábitos específicos e passa também pela forma como a população enxerga o impacto de suas ações.

“O principal hábito nem é um hábito específico, é mais essa ideia de que pequenas atitudes não fazem diferença, quando na verdade fazem sim”, afirma.

Segundo ela, embora os maiores consumos estejam concentrados em setores como a agricultura, a soma dos desperdícios domésticos representa um volume expressivo de água perdido diariamente. Deixar a torneira aberta, tomar banhos longos ou ignorar pequenos vazamentos são práticas que, quando reproduzidas por milhões de pessoas, geram impactos significativos.

A estudante ressalta ainda que mudanças simples de comportamento podem produzir resultados relevantes tanto para o meio ambiente quanto para o orçamento das famílias.

“Se cada um fizer a sua parte, no final a soma disso tudo vira um ‘todo’ bem grande. Além da questão ambiental, também existe a economia financeira direta, porque reduzir esses desperdícios diminui o valor da conta de água”, destaca.

De acordo com Fabrício Tourinho, o impacto das ações individuais se torna ainda mais evidente quando observado em larga escala. A redução do consumo em milhares de residências ajuda a diminuir a pressão sobre mananciais e sistemas de abastecimento, especialmente durante períodos de estiagem ou aumento da demanda.

“O que parece uma economia pequena para uma família se transforma em um ganho gigantesco quando praticado pela coletividade. A segurança hídrica começa nas escolhas individuais e se fortalece pela soma dos esforços de toda a sociedade”, afirma.

Apesar da abundância hídrica nacional, especialistas alertam que a disponibilidade de água não está distribuída de maneira uniforme pelo território brasileiro. Além disso, as mudanças climáticas vêm alterando os regimes de chuva e aumentando a frequência de eventos extremos, tornando algumas regiões mais vulneráveis à escassez.

“A água não é infinita e, principalmente nesse cenário de mudanças climáticas, onde o ciclo hidrológico fica comprometido, a gente fica bem vulnerável à escassez”, alerta Rita.

Segundo a Embasa, enfrentar esse cenário exige tanto investimentos em infraestrutura quanto a participação da população. Atualmente, a empresa investe cerca de R$ 23 milhões em ações voltadas à segurança hídrica, incluindo a implantação de uma rede hidrometeorológica com aproximadamente 60 pontos de monitoramento espalhados pelo estado, além de tecnologias para acompanhamento em tempo real de chuvas, vazões e níveis de reservatórios.

A companhia também desenvolve estudos em barragens estratégicas para o abastecimento da Bahia, como Pedra do Cavalo e Joanes II, responsáveis pelo fornecimento de água para a Região Metropolitana de Salvador. As iniciativas buscam antecipar riscos e aumentar a segurança dos sistemas diante das mudanças climáticas.

Para especialistas, a combinação entre investimentos tecnológicos, preservação dos mananciais e uso consciente da água será decisiva para garantir o abastecimento no futuro. Enquanto grandes projetos fortalecem a infraestrutura hídrica, atitudes simples dentro de casa continuam sendo uma das ferramentas mais importantes para evitar desperdícios e preservar um dos recursos mais essenciais para a vida.

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