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Condenada à morte, vítima de violência sexual faz pedido inusitado antes de execução nos EUA: “Tenho os piores pesadelos”

Se sentença for cumprida, detenta será a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos  |  Reprodução

Publicado em 23/09/2026, às 08h02 - Atualizado às 09h38   Reprodução   Samuel de Jesus

Uma mulher chamada Christa Pike, de 50 anos, condenada à morte pelo assassinato de uma colega quando tinha 18 anos, fez um pedido inusitado às autoridades antes da execução marcada para 30 de setembro, no Tennessee, nos Estados Unidos. Caso a sentença seja mantida, Pike quer que a equipe responsável pela aplicação da injeção letal seja formada exclusivamente por mulheres. As informações são do New York Post.

A execução está prevista para ocorrer em Nashville, no Tennessee, e depende de uma eventual decisão de clemência do governador Bill Lee. Se for realizada, Pike será a primeira mulher executada no estado desde 1819.

Pedido envolve equipe feminina

Os advogados de Pike apresentaram uma petição de clemência de 226 páginas e afirmam que a detenta está “aterrorizada” diante da possibilidade de morrer por injeção letal.

Segundo a defesa, Pike sofreu abusos cometidos por homens durante a infância e apresenta transtorno de estresse pós-traumático. Por isso, caso a execução seja realizada, os advogados pedem que apenas mulheres participem da equipe responsável pelo procedimento, diante de testemunhas, incluindo familiares da vítima.

A defesa também afirma que a aplicação da injeção letal pode ser “prolongada e agonizante” devido a uma rara doença sanguínea que poderia dificultar a localização de uma veia e afetar a reação de Pike ao medicamento.

O protocolo atualizado do Tennessee prevê o uso de uma dose única de pentobarbital, administrada enquanto a pessoa condenada permanece presa a uma maca.

Pike diz estar aterrorizada

Pike chegou a recorrer à Justiça, em agosto, para pedir que fosse enforcada em vez de submetida à injeção letal. O advogado Stephen Ferrell argumentou que a aplicação do medicamento por homens aumentaria o risco de sofrimento.

“A injeção letal administrada por homens aumentará a probabilidade de que ocorra uma violação da Oitava Emenda”, afirmou Ferrell, em referência à proibição constitucional de punições cruéis e incomuns.

Em outro trecho, o advogado declarou:

“Há um risco maior de dor e sofrimento.”

Pike também busca impedir completamente a execução e substituir a pena de morte por prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

Em um documentário sobre a tentativa de impedir a execução, ela falou sobre o impacto da definição da data para sua morte:

Eu sei que disse que acreditava que uma data nunca seria marcada, mas agora que uma foi marcada, é como uma roleta de pensamentos, e seu cérebro é a bola quicando dentro dela. Meus nervos estão em frangalhos. Quando durmo, meu cérebro se consome. Tenho os piores pesadelos, mas acho que o pior foi terem me contado com um ano de antecedência. E, então, todos os dias eu acordo e vivo pensando nisso o dia inteiro, todos os dias, a cada momento em que estou acordada.”

Assassinato aconteceu em 1995

Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995, quando as duas eram estudantes do Job Corps Centre, em Knoxville. Segundo documentos judiciais, as jovens tinham uma relação conflituosa, e Pike dizia que Slemmer estaria tentando ficar com seu namorado.

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— Ken Arthur II (@KenArthurII2) September 22, 2026

Na noite de 12 de janeiro daquele ano, Pike teria atraído Slemmer para uma área próxima ao centro de treinamento com a desculpa de que as duas iriam a uma loja da Blockbuster. Depois, segundo os registros do processo, Pike e o namorado, Tadaryl Shipp, agrediram a vítima.

De acordo com a descrição da Suprema Corte do Tennessee citada nos documentos, Slemmer teve a garganta cortada, foi espancada e sofreu golpes na cabeça. Símbolos considerados satânicos também foram gravados no corpo da vítima.

Após o crime, Pike contou a uma colega que havia matado Slemmer e afirmou ter levado um pedaço do crânio da vítima como lembrança. Segundo o relato apresentado no processo, ela também descreveu ter usado um cutelo e um estilete durante o ataque.

O corpo de Slemmer foi encontrado em 13 de janeiro. Na época, Pike tinha 18 anos. Ela admitiu envolvimento no assassinato durante uma entrevista com a polícia.

vítima

Defesa cita histórico de abusos

O pedido de clemência também apresenta detalhes sobre a infância de Pike. Os advogados relatam um histórico de violência e abuso sexual e afirmam que esses acontecimentos devem ser considerados na análise da pena.

A petição menciona que Pike teria sido vítima de abuso sexual ainda aos dois anos de idade. A defesa também cita diagnóstico de transtorno bipolar e os cerca de 30 anos que ela passou em confinamento solitário.

Os advogados sustentam que mudanças em pesquisas e conhecimentos científicos ocorridas desde a condenação também devem ser consideradas no pedido de clemência.

Se o cronograma não for alterado, Pike deverá acordar às 5h30 do dia 30 de setembro, limpar a cela, tomar banho e se vestir. Depois, receberá uma última refeição e poderá ter contato com familiares ou com um orientador espiritual antes da execução.

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