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Experimento em linha de trem na Europa desperta interesse global e pode redefinir uso da infraestrutura

Sistema permite remoção fácil dos painéis, garantindo manutenção da via férrea sem comprometer a operação dos trens  |  Divulgação

Publicado em 30/03/2026, às 09h18   Divulgação   Redação Bnews

Uma iniciativa em fase de testes na Suíça está chamando atenção ao propor um novo uso para uma estrutura já consolidada: a malha ferroviária. Em vez de servir apenas ao transporte, trilhos passaram a gerar eletricidade com a instalação de painéis solares removíveis, sem interromper a circulação dos trens.

O projeto piloto foi implementado na pequena cidade de Buttes, no cantão de Neuchâtel. Em um trecho de 100 metros, foram instalados 48 módulos fotovoltaicos entre os trilhos, com capacidade próxima de 18 kW. A expectativa é que a estrutura produza cerca de 16 mil kWh por ano, energia que, neste momento, é direcionada à rede elétrica local.

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A proposta aposta em um conceito direto: aproveitar espaços já existentes para ampliar a geração de energia renovável, sem a necessidade de ocupar novas áreas. No caso das ferrovias, a extensão territorial e a integração com o ambiente urbano e rural tornam o modelo especialmente atraente do ponto de vista estratégico.

Um dos diferenciais do sistema está na possibilidade de remoção dos painéis. Os módulos foram projetados para serem retirados e reinstalados com facilidade, o que permite a realização de manutenções na via férrea sem comprometer a operação — um dos principais desafios para iniciativas desse tipo em linhas ativas.

Apesar do início promissor, o projeto ainda está em fase experimental. O trecho em funcionamento opera com trens que atingem até 70 km/h, e a previsão é que os testes sigam até 2028. Nesse período, serão avaliados fatores como desgaste dos equipamentos, acúmulo de sujeira, impacto das vibrações e eficiência da geração ao longo do tempo.

Estudos preliminares indicam que, se expandida para trechos viáveis da rede ferroviária suíça, a tecnologia poderia alcançar uma produção anual de até 1 TWh. A estimativa considera apenas áreas com condições adequadas, excluindo túneis e regiões com baixa incidência solar.

Mesmo com o potencial elevado, há obstáculos relevantes. A manutenção frequente, a limpeza dos painéis e os custos associados à retirada e reinstalação dos módulos estão entre os pontos de atenção. Além disso, o impacto contínuo do tráfego ferroviário sobre os equipamentos ainda precisa ser melhor compreendido.

Ainda assim, o projeto já desperta interesse internacional. A combinação entre infraestrutura existente, geração de energia limpa e possibilidade de replicação em outros países coloca a iniciativa no radar de especialistas e governos.

Com isso, a experiência em Buttes abre espaço para uma discussão mais ampla: até que ponto estruturas tradicionais podem ser adaptadas para desempenhar novos papéis na transição energética. Caso os resultados se confirmem, os trilhos podem deixar de ser apenas rotas de deslocamento para se tornarem também fontes de energia. Com informações de Click Petróleo e Gás.

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