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Falsa entrevista de emprego termina em roubo de R$ 34 bilhões em criptomoedas

Hackers enganaram funcionário da Binance com uma suposta oportunidade profissional e conseguiram acesso aos sistemas da maior corretora de criptomoedas do mundo  |  Ilustrativa

Publicado em 08/11/2026, às 16h23   Ilustrativa   Tiago Di Araújo

Uma falsa entrevista de emprego teria sido a porta de entrada para um dos maiores roubos financeiros já registrados. Hackers desviaram US$ 6,3 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 34 bilhões, da Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, após enganarem um funcionário da empresa com uma suposta oportunidade profissional.

O caso, detalhado em reportagem do G1 publicada neste domingo (8), expõe uma modalidade de golpe que utiliza processos seletivos, propostas de trabalho freelance e contatos profissionais falsos para invadir sistemas corporativos.

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Segundo a Binance, a operação criminosa começou a ser articulada em junho. Em setembro, um engenheiro de software que buscava novas oportunidades participou de um processo seletivo aparentemente legítimo, que incluiu até uma reunião virtual com uma pessoa que se apresentava como CEO de uma empresa.

Durante a seleção, o funcionário baixou um repositório de códigos maliciosos no computador corporativo. A partir daí, os criminosos conseguiram uma brecha para avançar nos sistemas da corretora.

Em 20 de outubro, os hackers utilizaram o equipamento comprometido e uma ferramenta interna de inteligência artificial para assumir o controle dos sistemas de dois desenvolvedores responsáveis pelas carteiras de criptomoedas. Nove dias depois, em 29 de outubro, ocorreu o desvio bilionário.

Golpe usa falsas vagas e propostas de trabalho

A estratégia é conhecida como engenharia social. De acordo com Hiago Kim, presidente da Associação Brasileira de Segurança Cibernética, criminosos criam perfis falsos, principalmente no LinkedIn, e se apresentam como recrutadores ou profissionais de empresas para atrair trabalhadores.

Depois de estabelecer contato, oferecem testes técnicos, arquivos, planilhas ou projetos para análise. Ao executar o material, a vítima pode instalar programas que permitem aos hackers controlar remotamente o computador e utilizar os acessos do próprio funcionário.

O golpe também aparece em propostas de freelances e pedidos de ajuda em comunidades profissionais, fóruns e grupos de Telegram e Discord.

Coreia do Norte é apontada como suspeita

O FBI atribuiu o ataque a um grupo de hackers ligado à Coreia do Norte. Empresas especializadas em rastreamento de criptomoedas, como TRM Labs e Chainalysis, também apontaram essa possibilidade. O governo norte-coreano nega envolvimento.

A reportagem do G1 também destaca que a responsabilização do funcionário que cai em um golpe não é automática. Especialistas em Direito do Trabalho explicam que a empresa precisa demonstrar, entre outros fatores, que houve descumprimento de regras de segurança conhecidas pelo trabalhador. Um erro isolado diante de um golpe sofisticado dificilmente justificaria, por si só, uma demissão por justa causa.

Entre as medidas de prevenção recomendadas estão verificar a autenticidade de recrutadores e contratantes, evitar executar arquivos recebidos em processos seletivos sem checagem e comunicar imediatamente qualquer atividade suspeita.

Classificação Indicativa: Livre


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