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Publicado em 06/11/2026, às 09h56 - Atualizado às 13h52 Reprodução/Casa Branca Gabriel Dinis
Em uma rápida reviravolta jurídica, a Justiça Federal dos Estados Unidos impediu o início das obras do polêmico "Arco do Triunfo" idealizado pelo presidente Donald Trump. A decisão liminar foi proferida pela juíza distrital Tanya Chutkan na madrugada desta sexta-feira (6), poucas horas depois de a Comissão de Planejamento da Capital Nacional ter dado aval ao projeto, na noite de quinta-feira (5), após uma tensa audiência de quase dez horas.
A ordem de restrição tem caráter preventivo: com validade inicial de 14 dias, ela proíbe terminantemente a instalação de canteiros de obras, escavações ou qualquer movimentação de solo no Memorial Circle, rotatória histórica situada entre o Lincoln Memorial e o Cemitério Nacional de Arlington, na divisa entre a capital americana e o estado da Virgínia.
A intervenção judicial atende a um pedido de urgência protocolado logo após a votação de quinta-feira por uma coalizão formada pelos governos locais de Washington (Distrito de Columbia) e da Virgínia, historiadores e associações de veteranos da Guerra do Vietnã.
O principal argumento acolhido pela magistrada foi a ausência de respaldo legal para o início da obra. Pela legislação federal dos EUA, a construção de monumentos e memoriais públicos em áreas federais de Washington exige aprovação explícita do Congresso americano.
Para tentar viabilizar a obra sem passar pelo crivo dos parlamentares, a administração Trump recorreu a uma brecha em um estatuto da década de 1920, lei aprovada há cem anos para a edificação da ponte Memorial Bridge. Em seu despacho, Chutkan rejeitou a manobra, ressaltando que o governo não comprovou base jurídica válida para contornar o Legislativo e que autorizar as escavações antes de julgar o caso traria prejuízos urbanísticos e ambientais irreversíveis.
Monumento divide opiniões
O monumento foi proposto para comemorar os 250 anos da independência dos Estados Unidos, celebrados em 2026. O plano prevê uma estrutura monumental de 250 pés de altura (cerca de 76 metros), consideravelmente maior que o tradicional Arco do Triunfo de Paris, que possui 50 metros.
Mesmo antes da tentativa de iniciar os trabalhos no terreno, a proposta já enfrentava forte resistência. Um dos principais problemas é logístico: o Memorial Circle é uma das vias de maior fluxo da região metropolitana, e autoridades de trânsito alertam que um canteiro de obras no local provocaria um estrangulamento severo no tráfego diário de dezenas de milhares de trabalhadores que se deslocam entre a Virgínia e a capital. Além disso, entidades de veteranos de guerra sustentam que a estrutura colossal ofuscaria a solenidade do Cemitério Nacional de Arlington e quebraria a harmonia neoclássica dos memoriais nacionais vizinhos.
Durante a votação do comitê, um grupo de manifestantes e veteranos das Forças Armadas chegou a se concentrar no próprio Memorial Circle, em frente ao cemitério, para protestar contra a construção e participar virtualmente da audiência pública da comissão com críticas ao projeto.
Scene now at Memorial Circle near Arlington National Cemetery, where protesters, many of them military veterans, are rallying against Trump’s proposed triumphal arch. They’re preparing to deliver public comments virtually at today’s National Capital Planning Commission meeting. https://t.co/8AnvOQzqDv
— Tristan (@tristanespinoz) November 5, 2026
O debate ganhou contornos ainda mais controversos após declarações públicas do próprio Donald Trump. O republicano chegou a sugerir que o topo do arco contasse com atiradores de elite (snipers), drones e arsenais de vigilância militar. Embora a versão do projeto aprovada pela comissão não inclua essas estruturas bélicas, a oposição e entidades civis mantêm desconfiança sobre as intenções e a destinação final do monumento.
Próximos passos
Com o veto a qualquer intervenção física no terreno pelas próximas duas semanas, a juíza marcou uma nova audiência com representantes do Departamento de Justiça e os autores da ação. O tribunal decidirá se a liminar será prorrogada de forma definitiva até o julgamento final do mérito.
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