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Mãe aos 62! Mulher tem primeiro filho e médicos fazem alerta sobre gravidez

Nascimento de David reacendeu entre especialistas o debate sobre os riscos de uma gravidez em idade avançada  |  Arquivo Pessoal

Publicado em 14/08/2026, às 07h09   Arquivo Pessoal   Redação Bnews

Uma mulher, de 62 anos, deu à luz o primeiro filho na quarta-feira (12), no Hospital San Felipe, em San Nicolás, na província de Buenos Aires, na Argentina. Mabel teve o bebê após uma gestação obtida por meio de fertilização in vitro. David nasceu de cesariana, pesando 2,750 quilos, e está em “perfeitas condições”, segundo a mãe. A informação é do La Nacion.

Gravidez aos 62 anos
O nascimento chamou atenção para os limites e os riscos de uma gestação em idade avançada, principalmente quando envolve reprodução assistida. Especialistas apontam que não existe uma legislação que estabeleça uma idade máxima para esses tratamentos na Argentina.

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Os consensos médicos, porém, indicam que os procedimentos não deveriam ser realizados após os 55 anos. Na prática, centros de medicina reprodutiva costumam evitar o início de tratamentos depois dos 50.

Segundo os especialistas, o uso de material genético de doadoras mais jovens pode reduzir os riscos genéticos para o bebê, mas não elimina os riscos relacionados à idade da mãe durante a gestação.

Mãe aos 62 anos: veja fotos do nascimento do primeiro filho e do caso que chamou atenção - FOTO: ARQUIVO PESSOAL
Mãe aos 62 anos: veja fotos do nascimento do primeiro filho e do caso que chamou atenção - FOTO: ARQUIVO PESSOAL
Mãe aos 62 anos: veja fotos do nascimento do primeiro filho e do caso que chamou atenção - FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Médica considera caso excepcional
Stella Lancuba, diretora do Centro de Investigações em Medicina Reprodutiva (Cimer) e ex-presidente da Sociedade Argentina de Medicina Reprodutiva (Samer), classificou a gravidez após os 60 anos como um caso excepcional.

“A gravidez depois dos 60 é um tema excepcional e evitável. A posição atual da comunidade científica internacional é a favor da educação médica, da prevenção dos riscos frequentes e da realização de medidas epidemiológicas para conscientizar os pacientes sobre o efeito negativo do aumento da idade materna e paterna na busca por filhos”, afirmou a médica.

Segundo Lancuba, consensos científicos e guias clínicos internacionais desaconselham categoricamente a transferência de embriões para o útero em procedimentos de fertilização in vitro a partir dos 55 anos.

“Os especialistas em medicina reprodutiva aderimos há quatro décadas aos Consensos Científicos Internacionais e às Diretrizes Clínicas de diferentes sociedades médicas do mundo, cujos padrões desaconselham categoricamente a gravidez por meio da transferência de embriões para o útero em procedimentos de fertilização in vitro a partir dos 55 anos, porque os riscos superam os benefícios”, pontuou.

Riscos aumentam com a idade
A médica também citou riscos maternos e fetais associados à idade avançada. “Dentro do aumento inusitado dos riscos maternos e fetais que aparecem depois dos 40 anos de idade, estão o aumento da mortalidade materna, os riscos cardiovasculares e metabólicos, aborto ou perdas fetais. Em relação aos riscos fetais, aumenta a frequência de baixo peso ao nascer e de maiores complicações obstétricas e implicações éticas e sociais”, acrescentou Lancuba.

Entre os riscos apontados pelos especialistas estão aborto espontâneo, parto prematuro, problemas cardiovasculares e metabólicos e hemorragias uterinas após o parto.

A prematuridade é uma das principais preocupações porque pode comprometer a saúde do bebê.

Reprodução assistida não elimina os riscos
Leandro Mezzabotta, presidente da Sociedade de Ginecologistas e Obstetras de Buenos Aires (Sogiba), afirmou que a idade avançada aumenta os riscos mesmo quando são utilizados óvulos de doadoras mais jovens.

“Mesmo com material genético de doadoras. A decisão deve ser consensual e baseada em informações claras sobre as possíveis complicações, sem naturalizar ou presumir que a reprodução assistida elimine esses riscos. É verdade que, se for uma ovodoação com inseminação de doadora e estas forem mais jovens, os riscos genéticos diminuem, mas não os relacionados ao fato de passar por uma gravidez depois dos 40 anos, já que isso implica maior risco diante de doenças crônicas, além de maior risco de a gestação não chegar ao fim e terminar em um nascimento prematuro, com o que isso representa de risco de prematuridade para o bebê. Além disso, também aumentam os riscos de hemorragias pós-parto ou cesariana, porque o útero não tem a mesma elasticidade que o de uma mulher mais jovem”, detalhou.

Tratamentos costumam ser desaconselhados
Sergio Pasqualini, fundador do Centro Halitus de Medicina Reprodutiva, afirmou que a maternidade em idade avançada está relacionada ao adiamento da maternidade e da paternidade.

“O adiamento da maternidade e da paternidade é uma realidade. Este caso está nesse contexto. Uma notícia de um homem de 80 anos com uma mulher de 45 que têm um filho chama menos atenção do que a de uma mãe com mais de 60. A única diferença são os papéis da mulher como mãe. Hoje se vive mais e se vive melhor, então, se avaliarmos bem a mulher, seus antecedentes, seu estado atual, talvez seja possível encontrá-la em condições de suportar a gravidez. Mesmo assim, existe o risco de levar a gestação adiante e acontecer alguma coisa”, afirmou.

Segundo Pasqualini, os tratamentos de ovodoação são recomendados até os 50 anos. A experiência, de acordo com os especialistas, mostra que o envelhecimento reprodutivo aumenta a prevalência de patologias no útero, reduz a eficácia dos tratamentos e eleva os riscos à saúde materna e fetal.

Na Argentina, os tratamentos de fertilização assistida são desaconselhados depois dos 50 anos. Lancuba destacou que, embora seja cientificamente possível engravidar aos 62 anos, isso não significa que o procedimento seja recomendado.

“É possível conseguir uma gravidez aos 62 anos? Sim. Mas o que é cientificamente possível costuma ser desafiador e nem sempre recomendável”, afirmou.

Saúde da mãe é um dos principais fatores
Os especialistas destacaram que doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, podem aumentar os riscos durante a gestação.

Segundo Pasqualini, uma gravidez em idade avançada deve considerar as condições de saúde da mulher e os possíveis impactos de doenças preexistentes.

“Esses são casos esporádicos, mas que têm um efeito de multiplicação porque despertam certa ternura em outras mulheres. Não é uma situação simples, o que vemos é que cada vez mais as mulheres têm mais idade para ter filhos. Como ter filhos é um ato de responsabilidade, não se pode julgar ou criticar a decisão das mulheres que têm filhos em idades mais avançadas. Os filhos devem ser tidos quando existem certas condições, não apenas um corpo de determinada idade. Não é a mesma coisa uma gravidez em uma mulher saudável e em uma que não é. Para uma mulher que tem alguma doença crônica, como diabetes ou hipertensão, uma gravidez nessa idade claramente pode prejudicá-la e seria francamente questionável, porque traz um esforço ao organismo que pode complicar suas patologias preexistentes. Se a mulher é saudável, a gravidez será acompanhada”, afirmou.

Casos de sucesso chamam atenção
Mezzabotta afirmou que os casos divulgados são, em geral, aqueles em que a gestação terminou com o nascimento do bebê.

“Os casos que vêm a público são os que tiveram sucesso, que conseguiram um nascimento, em que tudo correu bem. Mas não se conhecem aqueles que não terminaram da mesma forma”, disse.

O médico também destacou o aumento dos riscos conforme a idade materna avança. “Quando se afirma que uma mulher de 62 anos teve um bebê, isso é apresentado como algo que parece ser um procedimento muito simples, mas não é. A idade materna é um dos fatores que mais aumentam o risco na gravidez. A cada aniversário, o risco aumenta e, depois dos 40 anos, o aumento se torna exponencial. Por isso, se uma mulher vai realizar um tratamento desse tipo, é fundamental que a equipe médica responsável a informe sobre todos os riscos que isso implica para ela e para seu futuro filho. Não fazer isso realmente poderia ser uma má prática profissional”, afirmou.

O caso também levanta questões sobre o futuro da criança e o suporte familiar disponível. “Também poderíamos nos perguntar o que vai acontecer com esse filho no futuro, esse menino vai ficar sem a mãe teoricamente em uma idade precoce. Mas também a uma mulher jovem le pode passar algo. Por isso, se a mulher reúne todas as condições de saúde e tem o desejo de ser mãe, quem somos nós para julgar?”, afirmou Pasqualini.

O médico também destacou que a composição parental e familiar deve ser considerada, incluindo a idade do pai, caso exista, e a possibilidade de haver familiares capazes de acompanhar a criança por mais tempo. Segundo ele, madrinha e padrinho também podem ter importância nesse suporte. Para Pasqualini, situações como essa trazem novos dilemas para a relação entre médico e paciente e levantam questionamentos sobre quando o profissional deve acompanhar ou não o projeto de maternidade.

Classificação Indicativa: Livre


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