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Nasa encontra minerais que podem explicar sumiço da antiga atmosfera de Marte

O rover Curiosity, da NASA, identificou grandes concentrações de siderita, um mineral carbonático rico em ferro, nas encostas do Monte Sharp  |  Reprodução / NASA / JPL-Caltech / MSSS

Publicado em 22/04/2025, às 12h54   Reprodução / NASA / JPL-Caltech / MSSS   Redação Bnews

O rover Curiosity, da NASA, identificou grandes concentrações de siderita, um mineral carbonático rico em ferro, nas encostas do Monte Sharp, situado na Cratera Gale, em Marte. Essa descoberta representa um avanço significativo para desvendar a antiga atmosfera marciana e compreender melhor o potencial do planeta para abrigar vida.

Minerais carbonáticos, como a siderita, se formam quando o dióxido de carbono reage com água e rochas, funcionando como importantes indicadores das condições ambientais do passado. De acordo com estudo publicado na revista Science, a siderita corresponde a 5% a 10% da massa das amostras analisadas, o que sugere que parte do dióxido de carbono da atmosfera de Marte foi capturada e armazenada nas rochas.

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Segundo Ben Tutolo, professor da Universidade de Calgary e principal autor da pesquisa, a presença desse mineral reforça que Marte já foi habitável e valida os modelos científicos de habitabilidade do planeta. As amostras foram obtidas a partir de perfurações realizadas pelo Curiosity em três pontos do Monte Sharp, onde o robô coleta fragmentos de rochas a até quatro centímetros de profundidade para análises detalhadas por difração de raios X.

As rochas analisadas estão em camadas ricas em sulfato e foram formadas há cerca de 3,5 bilhões de anos, quando Marte ainda apresentava água líquida em sua superfície. A presença desses minerais sugere que o planeta passou por um processo de transformação atmosférica, no qual o dióxido de carbono foi gradualmente retirado do ar e armazenado nas rochas.

Além da siderita, os cientistas identificaram oxihidróxidos de ferro nas mesmas amostras, indicando que Marte pode ter tido um ciclo de carbono funcional semelhante ao da Terra. Parte do CO₂ retido em rochas teria voltado para a atmosfera em algum momento do passado.

Ao comparar os dados obtidos pelo Curiosity com informações coletadas por satélites, os pesquisadores estimam que camadas semelhantes distribuídas por Marte podem ter retido até 36 milibares de dióxido de carbono, o que seria suficiente para alterar significativamente o clima do planeta.

A descoberta também tem implicações práticas para a Terra. Tutolo estuda formas de combater as mudanças climáticas por meio da transformação do dióxido de carbono produzido pelo homem em minerais estáveis, imitando o que parece ter ocorrido naturalmente em Marte. O robô Curiosity foi construído pelo Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e lidera a missão de exploração do planeta em nome da Diretoria de Missões Científicas da agência espacial.

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