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Publicado em 18/02/2026, às 18h34 Sabrina Chinellato Redação
A Nasa lançou três foguetes para estudar o que acontece por trás da aurora boreal, fenômeno que ilumina o céu com cores como verde e roxo em regiões próximas aos polos. O objetivo é entender como funcionam as correntes elétricas que formam esse espetáculo natural. Os lançamentos ocorreram no Campo de Pesquisa Poker Flat, no Alasca, em duas missões diferentes.
A primeira missão, chamada Black and Diffuse Auroral Science Surveyor, foi lançada no dia 9 de fevereiro, às 9h29 (horário de Brasília), e chegou a cerca de 360 quilômetros de altitude.
Já a segunda, batizada de Geophysical Non-Equilibrium Ionospheric System Science (Gneiss, na sigla em inglês), enviou dois foguetes no dia seguinte, às 7h19. Eles alcançaram aproximadamente 319 quilômetros de altitude.
A missão Black and Diffuse Auroral Science Surveyor foi liderada pela pesquisadora Marília Samara, da Nasa. A Gneiss teve coordenação da cientista Kristina Lynch, do Dartmouth College, nos Estados Unidos.
COMO A AURORA SE FORMA
A aurora boreal surge quando partículas energizadas vindas do espaço entram na atmosfera da Terra e colidem com gases como oxigênio e nitrogênio. Esse choque libera energia em forma de luz.
De forma simples, é como se a atmosfera funcionasse como uma grande lâmpada que se acende quando recebe essa carga de energia.
Os cientistas já sabem como a aurora se forma. O que ainda gera dúvidas é o caminho que os elétrons fazem depois de produzir o brilho. A corrente elétrica de retorno ocorre de maneira desorganizada e turbulenta, influenciada por ventos na atmosfera, diferenças de pressão e variações nos campos elétricos e magnéticos.
Essa movimentação caótica dificulta as medições feitas pelos pesquisadores. Por isso, a solução foi enviar foguetes diretamente à região onde o fenômeno acontece.
O QUE AS MISSÕES DESCOBRIRAM
Ao chegar à aurora, os foguetes da missão Gneiss liberaram quatro pequenos módulos em pontos diferentes. Esses equipamentos mediram a densidade do plasma - gás formado por partículas carregadas - e ajudaram a identificar por onde passam as correntes elétricas. Os dados permitiram criar uma imagem tridimensional do ambiente elétrico da aurora.
Os cientistas também enviaram sinais de rádio do solo. Quando esses sinais atravessaram o plasma, sofreram alterações. A partir dessas mudanças, foi possível calcular informações detalhadas sobre a estrutura elétrica do fenômeno.
Já a missão Black and Diffuse Auroral Science Surveyor estudou um ponto específico: as chamadas "auroras negras", áreas escuras dentro da própria aurora. Os pesquisadores acreditam que essas regiões podem revelar em que momento a corrente elétrica muda de direção e passa a se comportar de forma desordenada.
Agora, os dados coletados serão analisados para aprofundar o entendimento sobre o funcionamento das auroras boreais.
Além de esclarecer dúvidas científicas, as informações são importantes para a tecnologia no dia a dia. As correntes elétricas da aurora podem interferir em satélites, sistemas de comunicação e GPS. Com mais conhecimento, será possível melhorar a previsão do chamado clima espacial e reduzir riscos de falhas nesses serviços.