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'Rir de Deus é um direito', afirma chefe do Charlie Hebdo 10 anos após atentado em Paris

Massacre de Charlie Hebdo completou 10 anos nesta terça-feira  |  Reprodução

Publicado em 07/01/2025, às 10h53 - Atualizado às 10h55   Reprodução   Alex Torres

Nesta terça-feira, 7 de janeiro, se comemora 10 anos do ataque terrorista ocorrido na cidade de Paris, na França, que resultou em oito mortes no episódio que ficou conhecido como o Massacre de Charlie Hebdo.

Redator-chefe do semanário satírico há cerca de 20 anos, Gerard Biard concedeu entrevista ao jornal Folha de São Paulo e lembrou do atentado. Ele destacou ainda que teria escapado do crime porquê estava de férias, em Londres. 

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Sobre a intolerância na Europa, Biard opinou se percebeu um aumento ou uma diminuição nos últimos 10 anos: "Paradoxalmente, aumentou ainda mais a tensão na sociedade, por causa das redes sociais, que estão criando uma sociedade totalmente individualista [...] Os algoritmos nos ajudam a encontrar só quem concorda conosco. Assim que você expressa uma opinião diferente, pode ser confrontado por alguém que diz: 'Você não me respeita'". 

Durante a entrevista, o redator-chefe afirmou que a função dos jornais, e principalmente do Charlie Hebdo, é servir de oposição aos regimes políticos. Mesmo assim, Biard destaca que, por ideologia, o veículo satírico francês se enquadra no campo da esqueda e também seria ateu. 

"A ideia de Deus está arruinando a vida de milhões e milhões de pessoas em todo o mundo. Todos os dias, pessoas são oprimidas, torturadas, mortas e espancadas em nome da ideia de Deus. Portanto, temos o direito de rir dessa ideia. Porque você precisa desafiar esse poder. Não se trata de desafiar a fé. A fé é outra coisa. Fé é o que você tem dentro de si. Existem três coisas. Existe a fé. Existe a adoração, que é como você expressa essa fé. E depois existe a religião, que é o que organiza a fé e a adoração para controlar uma sociedade. Portanto, é política. E temos o direito de rir disso", completou. 

Gerard Biard está à frente da redação do Charlie Hebdo desde 2004. Vale destacar que o veículo satírico está em sua segunda edição, que foi inaugurada em 1992. Sua biografia no site do semanário afirma que "não tem Facebook nem Twitter, então não adianta procurá-lo para mandá-lo f**** a própria mãe"

Classificação Indicativa: Livre


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