Colunas / Na Sombra do Poder
Publicado em 10/09/2026, às 06h00 Imagem criada por IA Editoria de Política
Doces ou Traquinagens
Há semanas, intermediários de políticos atravessam agências de Salvador com ordem de retirada em espécie. São empresários conhecidos, lobistas em busca de futuros contratos e até playboys menudos de camisa preta e gel no cabelo derretendo debaixo de sol. O dinheiro não fica no canteiro de obra. Segue para quem disputa voto e para quem distribui na porta da urna. Caixa que não aparece na prestação. Envelope que aparece em sacos plásticos fornecidos pela agência bancária. O que quase ninguém sabe e o que o circuito ainda trata como rotina é que esses saques já não são só movimento bancário. Estão gravados, cruzados, acompanhados até o destinatário. A polícia não quer o discurso de consultoria. Quer o momento em que o pacote muda de mão. Uma operação está montada para esse flagrante. Não foi deflagrada. Está no ponto. Quem continua sacando como se o caixa fosse silêncio ainda não entendeu o atraso. O leitor que reconhece o tipo, aquele com o carro na porta, o volume na mão e o olhar assustado, já pode aguardar que a polícia vai enquadrar.
Prefeita cana dura
No interior da Bahia, o forró tem lugar certo. Fato inusitado ocorreu quando uma gestora sobe ao palco para cumprimentar o povo na praça e troca o microfone pela garrafa. Whisky direto do gargalo. Em público. Filmado pelo celular de quem foi só ver o show. O vídeo correu a Bahia mais rápido do que o decreto da festa. A oposição falou em postura. A plateia falou em folia. Crime, não houve. Espetáculo, sim. Não era a primeira polêmica da cadeira: show caro, Justiça no meio, festa que virou processo. A garrafa no palco foi só o capítulo que coube num story. Tem quem jure que foi descontração de São João. Tem quem jure que foi desgoverno com gelo. O munícipe que estava na frente do palco ficou com a imagem deplorável. O resto da Bahia, com a dúvida: era a prefeita celebrando o arraial ou o arraial celebrando que a cana, naquela noite, mandava mais que o gabinete? O cargo pedia recato. A garrafa pediu bis.
Choque de realidade
A primeira pesquisa AtlasIntel da eleição de 2026 na Bahia, encomendada pelo jornal A Tarde, caiu como um banho de água fria nas duas campanhas que polarizam a disputa pelo Governo da Bahia. O levantamento colocou ACM Neto e Jerônimo Rodrigues tecnicamente empatados no primeiro e segundo turnos. Com o calendário eleitoral apertando e apenas um mês para a votação, a tendência é de que a temperatura suba ainda mais nos próximos dias. Quem achar que já ganhou ou perdeu pode se surpreender.
Sinal amarelo
A semana acendeu o sinal amarelo no entorno de Lula. Novas pesquisas mostraram uma redução da vantagem do presidente e, em alguns cenários, empate técnico com Flávio Bolsonaro. Com a eleição se aproximando, o recado é simples: a campanha vai precisar prestar mais atenção ao retrovisor.
Ruído na oposição
A distribuição interna de recursos eleitorais gerou um forte mal-estar dentro da bancada baiana do União Brasil. A revelação dos dados, trazida à tona pelo BNews, caiu como uma verdadeira bomba nos corredores partidários: parlamentares experientes e com histórico de votos consolidados descobriram que a maior fatia financeira do estado não foi destinada a quem já exerce mandato, mas sim a uma postulante estreante na corrida pela Câmara dos Deputados. A disparidade dos valores escancarada pela matéria inflamou grupos de mensagens e abriu espaço para cobranças diretas sobre os critérios adotados pela cúpula. Nos bastidores, deputados que tentam a reeleição não escondem a insatisfação com a prioridade concedida à novata, enquanto a direção tenta conter os estilhaços da divulgação para evitar que o racha pelo cofre contamine de vez as campanhas.
Netonaro
A imagem de ACM Neto dividindo bandeira com Flávio Bolsonaro no ato de 7 de Setembro, no Farol da Barra, rendeu uma pequena saia-justa eleitoral. Neto diz que seu candidato a presidente é Ronaldo Caiado, mas os apoiadores aparentemente resolveram facilitar a vida dos fotógrafos e juntar seu nome ao do filho de Jair Bolsonaro.
Quem leva a princesinha?
Feira de Santana parece ter virado parada obrigatória na agenda de ACM Neto depois que os números resolveram acender a luz amarela. Uma pesquisa recente apontou avanço de Jerônimo Rodrigues no município, tradicional reduto eleitoral do grupo oposicionista. Resultado? Neto intensificou a presença na cidade e passou a apostar ainda mais no corpo a corpo.
Cadê Caiado?
Ainda não há previsão para o candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) vir à Bahia durante a campanha eleitoral. Nem mesmo o candidato a governador da Bahia, ACM Neto (União Brasil), que se diz apoiador do goiano, parece fazer questão da visita dele ao estado.
Quem tem boca, não fala com Roma
O anúncio de que o presidenciável Flávio Bolsonaro cumprirá agenda em Vitória da Conquista no dia 17 de setembro, e não em Salvador como havia cravado Leandro de Jesus, escancarou mais um curto-circuito no PL baiano. Enquanto aliados de Leandro juram de pés juntos que a costura para a capital existia, o entorno de João Roma rebate que o plano sempre foi o sudoeste baiano. O desencontro deixa uma saia-justa no ar: se a vinda a Salvador era real, como o presidente estadual da sigla ficou de fora da rota de seu próprio candidato? E se a conversa nunca passou de miragem, por que um deputado da base estaria mentindo abertamente sobre a agenda de sua maior liderança?
Barrado no clique
João Roma (PL) foi excluído, nesta quarta-feira (9), da lista de candidatos ao Senado apoiados por Flávio Bolsonaro (PL) no site “Senadores da Direita”, mantido pela campanha presidencial do senador. Na página, ao menos até a noite desta quarta, apenas Angelo Coronel (Republicanos), que disputa a reeleição, aparecia como candidato apoiado na Bahia. A campanha de Roma classificou a ausência como um “erro” e informou ter acionado a equipe de Flávio para que a correção fosse feita.
Sem moral?
O senador e candidato à reeleição Angelo Coronel ainda não recebeu nenhum centavo do Republicanos para sua campanha. Enquanto os adversários já tiveram aportes milionários, ele conta apenas com uma doação, feita por ele mesmo, no valor de R$ 100 mil. Se for reeleito com esse valor, Coronel vai ficar marcado como o senador que gastou menos dinheiro para se reeleger. Vamos ficar de olho.
STF em chamas
O Supremo conseguiu a proeza de transformar a toga em uniforme de campeonato interno. André Mendonça afasta o chefe da PF, Flávio Dino manda reintegrar, Edson Fachin entra em campo e anula as decisões dos dois, enquanto Alexandre de Moraes perde até a relatoria do inquérito das fake news que comandava havia mais de sete anos. No meio disso, a sessão do STF é cancelada e a Corte convoca plenário extraordinário para tentar descobrir quem, afinal, está mandando na casa.