Colunas / Na Sombra do Poder
Publicado em 18/06/2026, às 06h00 Imagem criada por IA Redação Bnews
Mutirão de cirurgias de catarata sem autorização, em Salvador, deixa idosos cegos, mesmo com pagamento da ordem de R$ 100 milhões nos últimos doze anos. No ano de 2026, a Clínica Clivan realizou 138 cirurgias de catarata em pacientes do SUS sem autorização da Prefeitura de Salvador. Foram 26 procedimentos na mesma sala e no mesmo dia. Após as cirurgias, dezenas de pacientes apresentaram complicações graves, incluindo infecções. Pelo menos 13 pacientes tiveram perda irreversível da visão em um dos olhos. Mais de 30 pacientes relataram sequelas. A Prefeitura de Salvador interditou a clínica somente após o surgimento de denúncias de pacientes. Antes disso, não houve autorização nem fiscalização efetiva que impedisse a realização do mutirão em condições que resultaram nas complicações. A gestão da Prefeitura de Salvador, comandada pelo prefeito Bruno Reis, é responsável pela regulação, autorização e fiscalização dos serviços de saúde contratados com clínicas credenciadas pelo SUS. O caso envolve recursos públicos destinados a atendimentos do SUS e levanta questões sobre a fiscalização de contratos de saúde no município. Investigações da Polícia Civil e da Justiça continuam para apurar as responsabilidades de todos os envolvidos, incluindo a clínica, os profissionais de saúde e os órgãos públicos de gestão. Esse é mais um exemplo de descaso público com a saúde do cidadão de Salvador. Acorda, prefeito.
A polêmica do cachê
Nos bastidores da política baiana corre a informação de que teve prefeito do interior do estado que tentou uma manobra inusitada para não perder o show de Flávio José no São João. Após o Ministério Público impor restrições devido ao valor do cachê, o gestor municipal teria oferecido ao cantor dinheiro do próprio bolso para pagar a diferença "por fora", a fim de que ele aceitasse baixar o valor para o limite exigido pelo órgão de controle e se apresentar. No entanto, o cantor teria sido inflexível quanto à proposta e decidiu não fazer shows nas festas juninas da Bahia. O cachê do artista sofreu um aumento de 40% em comparação ao ano passado, sem que houvesse qualquer justificativa aparente, como o lançamento de um novo sucesso ou mudança estrutural no show, o que fez o MP tentar um acordo com o forrozeiro.
Silêncio Consignado
Desde que veio à tona a reportagem apontando que empresas ligadas ao ex-ministro baiano Ronaldo Bento receberam R$ 11 milhões do grupo Master após sua passagem pelo Ministério da Cidadania, o barulho mais alto produzido pelo ex-auxiliar de Jair Bolsonaro foi o do relógio. Ele demorou nove dias para responder ao Intercept, e os aliados também não se manifestaram sobre o caso.
Conta que não fecha
A Prefeitura de Cruz das Almas recebeu o Selo de Transparência do Ministério Público dos festejos juninos. Até aí tudo bem, se não fosse a quantia declarada para a realização da festa. A gestão informou, até o momento, ter gasto R$ 1,5 milhão, mas a conta não fecha. Isso porque o município do Recôncavo baiano contratou atrações de peso como Bell Marques, Ana Castela, Nattan, João Gomes, Pablo e Gustavo Mioto. Como referência, só o cachê cobrado por Ana Castela para se apresentar em Irecê neste ano foi de R$ 900 mil. A não ser que mais dados sejam disponibilizados para sanar, de uma vez, as dúvidas que ainda pairam sobre o valor da festa, tanto o prefeito Ednaldo Rodrigues (Republicanos) quanto o MP têm que dar explicações. Fora isso, o selo não vai valer de nada.
O peso da capital
Os aliados de Jerônimo Rodrigues projetam que o início das obras da ponte Salvador-Itaparica e a inauguração do VLT do Subúrbio, aliadas à má avaliação do prefeito Bruno Reis, podem mudar o cenário eleitoral favoravelmente ao petista na capital. Não se espera que Jerônimo vença em Salvador na disputa com ACM Neto, mas que diminua a diferença. Mantendo a vantagem no interior, preveem que a disputa pode ser mais fácil que em 2022.
Cabeça-dura 1
Integrantes do núcleo duro da campanha de oposição na Bahia estão às turras com ACM Neto. Eles reclamam da “cabeça-dura” do ex-prefeito de Salvador, que só dá ouvidos às mesmas figuras que o levaram à derrota em 2022. Tem deputado que mudou de lado há pouco tempo e já está arrependido da escolha.
Cabeça-dura 2
Inclusive, ACM Neto também continua mantendo um assessor que tem uma péssima relação com a imprensa na ponta de lança da sua equipe, em vez de dar uma chance para outros bons quadros novos que também fazem parte da sua pré-campanha e que acabam tendo atuação tolhida em função da presença do cidadão.
Bolsoneto 1
Valdemar Costa Neto resolveu apostar na paciência. Mesmo com ACM Neto circulando ao lado de Ronaldo Caiado e mantendo o compromisso de apoiá-lo no primeiro turno, o comandante nacional do PL garante que, lá na frente, o ex-prefeito acabará abraçando a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Bolsoneto 2
Na Bahia, parte do PL continua resistindo à ideia de pedir votos para ACM, enquanto João Roma já ocupa a vaga de senador na chapa como quem acredita que o casamento sai, só falta marcar a data da cerimônia.
Ausência do presidente
Chamou atenção a ausência de Carlos Muniz na reunião com vereadores de Salvador organizada pelo pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto, na manhã de terça-feira (16). Que o presidente da Câmara não é tão chegado a Neto não é novidade, mas, pelo visto, Muniz não vai fazer questão nenhuma de pedir voto para o líder da oposição durante a campanha.
Fã ou hater?
Ao defender o subsídio do transporte público aprovado pela Câmara de Salvador, o presidente Carlos Muniz afirmou que o transporte público de Salvador é “caótico” e que, se sua mãe estivesse viva, jamais deixaria ela pegar os ônibus. Mesmo assim, disse que a prefeitura faz um bom trabalho em relação às demandas do transporte soteropolitano.
Vai de bike?
O vereador André Fraga (PV), que deve disputar uma vaga na Alba, está naquele período de caça às bandeiras. Essa caça pode até parecer estranha: não é crime ambiental nem eleitoral. O edil está muito preocupado com o projeto da ponte Salvador-Itaparica e por um motivo inusitado: terá ciclovia? A obra mal começou e Fraga já quer saber se pode apreciar o passeio pela Baía de Todos-os-Santos de bike.
Guerra em Camaçari
A Prefeitura e a Câmara de Camaçari estão em pé de guerra de novo. Desta vez, o motivo da confusão é um projeto que autoriza o consórcio entre a Prefeitura e o Governo do Estado para a gestão da Policlínica de Camaçari. Sem o acordo, a unidade de saúde, que está praticamente pronta, não pode operar. O prefeito Luiz Caetano acusa os vereadores de oposição Jamessom, Herbinho e Jamelão de travarem a pauta, que está parada há mais de um mês na Comissão de Finanças e Orçamento da Casa. Os edis, por sua vez, alegam problemas de transparência no processo. Apesar do impasse, Caetano garantiu que a policlínica será entregue neste mês, mesmo sem o aval do Legislativo. A queda de braço promete ser intensa nos próximos dias.