Colunas / Na Sombra do Poder
Publicado em 12/03/2026, às 06h00 Imagem criada por IA Editoria de Política
Poker do Amor
Sábado passado, num apartamento de cobertura num bairro nobre de Salvador, quatro casais se reuniram para uma mesa de poker que começou inocente e terminou em climão histórico. As cartas voavam, o gin corria solto, as risadas altas. Lá pelas tantas da madrugada, quando as meninas já estavam altinhas e largadas no sofá, um dos maridos, ja em “água dura” resolveu jogar a bomba: “Quem perder essa rodada escolhe uma das meninas pra ‘enamorar-se’.” Silêncio sepulcral. Ninguém riu. Ninguém respondeu. Do sofá veio o grito seco de uma delas: “Chega de gim e poker. Vamos embora.” O climão se espalhou pelo apartamento luxuoso e as esposas se levantaram, pegaram as bolsas, os maridos gaguejaram desculpas. Nos grupos de WhatsApp da turma, o assunto foi banido. Mas todo mundo ficou com uma dúvida: será que o casal faz estripulias em alguma ambiente plural?
O Menudo de Vorcaro
Informes super secretos e seguros circulam nos corredores mais fechados da elite brasiliense: Daniel Vorcaro não se contentava só com loiras bonitas e farras internacionais. Ele tinha um “Menudo” particular — um rapaz que, para o mundo, posava de empresário bem-sucedido do showbusiness, organizando festas, trazendo artistas e circulando com sorriso de comercial de perfume caro. Para fora, era o cara do networking, do convite VIP, do contato com celebridade. No íntimo, servia de consolo e amor ultra secreto para Vorcaro. Muitas das gatinhas que adoravam o rapaz nem sonhavam que o charme era, em parte, ferramenta de sobrevivência e ascensão. Ele recebia, organizava, sorria, e voltava para o papel de consolo particular quando as luzes apagavam. Agora, com Vorcaro preso e o esquema desabando, o Menudo sumiu do radar.
Swing “Vorcabaiano”
As notícias e os dados que vazam evidenciam que Daniel Vorcaro não era só banqueiro, mas o maestro de farras que misturavam loiras bonitas, jatinhos, hotéis cinco estrelas nacionais e internacionais e muito lobby disfarçado de diversão. Entre os participantes fixos do “clube exclusivo”, quatro nomes circulam com força nos bastidores soteropolitanos: um empreiteiro, um advogado, um banqueiro e um médico famoso. Todos levavam as respectivas esposas loiras — bonitas, bem-vestidas, sempre sorridentes nas fotos — para “agradar” Vorcaro. Não era caridade. Era investimento. Dinheiro circulava, contratos eram assinados, licitações andavam mais rápido, emendas chegavam, favores eram trocados. Tudo embalado em champanhe, música alta e privacidade absoluta. Agora, com Vorcaro preso e o esquema desmoronando, o swing vorcabaiano começa a aparecer silenciosamente. As famílias que posam de paladinas da moralidade estão em pânico. O medo não é só de exposição. É de que as esposas, que sabiam de tudo e participavam ativamente, resolvam delatar.
Quem será o próximo?
Nos bastidores da política baiana, pelo menos mais três figurões do alto escalão já contam os dias para o Coaf e a PF abrirem o baú das empresas de “consultoria” contratadas por Vorcaro. Um deles, em pânico antecipado, correu para alterar o contrato social da firma, tentando dar cara de honestidade ao que nasceu torto. Ajustou o objeto social, trocou datas, maquiou sócios. Tudo em vão. Registros na Junta Comercial não mentem. Fluxo bancário não apaga com Ctrl+Z. O dinheiro entrou, saiu, circulou. As notas fiscais existem. Os impostos foram recolhidos. Mas o serviço? Ninguém viu relatório, reunião ou entrega que justifique milhões. Quando a bomba explodir — e ela está cronometrada —, a desculpa não vai colar, porque não é só um caso. É padrão.
Temaki de pão de queijo podre
Uma mistura entre o Japão e um jeca de “Bolohorizonte” tem feito muita gente ficar sem dormir. A dupla que tentou atuar na Bahia foi praticamente expulsa daqui pela porta dos fundos. Fornecedores sem receber 1 real, funcionários com salários atrasados, reclamações na porta do escritório da empresa. Todos esses ingredientes rechearam esse temaki com pão de queijo “mofado”, o que levou alguns emissários a sugerirem aos rapazes que vazassem do estado antes que fossem indiciados pelas autoridades. Pelo jeito, a culinária oriental com a mineira deu dor de barriga na turma toda.
Estratégia ou vacilo?
Ninguém entendeu o vai e vem do governador Jerônimo Rodrigues sobre a saída ou não do MDB da chapa. Na segunda, ele disse que abriu diálogo com o PSD para que o partido indicasse um nome para a vaga. No dia seguinte, ele próprio se desmentiu e afirmou que o MDB continua no páreo. Se a estratégia é confundir, a meta foi alcançada com sucesso.
“Estou pronta”
Uma deputada foi flagrada pela Sombra nos corredores da Alba em uma empolgação acima do normal. O motivo da alegria? A possibilidade de ser indicada para a vice na chapa do governador Jerônimo Rodrigues. “Nasci pronta”, disse a parlamentar em meio a uma resenha com colegas. Apesar de pequena, existe uma chance de o nome para a vaga ser de alguém da Casa.
O super PSD
Chega a ser engraçada a profusão de candidaturas envolvendo políticos, com ou sem mandato, ligados ao PSD ao posto de vice-governador na chapa de Jerônimo Rodrigues. É até bom para umas risadas em meio à tensão. Otto, que não é bobo nem nada, tem se mantido silente para evitar uma implosão na base. O caminho, ao que parece, será definido mesmo no conselho político do governo, marcado para acontecer antes do fim do mês.
Novela repetida?
A possível saída de Geraldo Júnior da chapa encabeçada por Jerônimo Rodrigues (PT), por retirar o MDB do governo e jogar o partido para a oposição, é vista como improvável. Os emedebistas perderiam muito mais que uma vice: perderiam estrutura para aumentar bancadas. Se confirmada, a saída do MDB reproduziria um cenário semelhante ao de 2010, quando Edmundo Pereira, então vice de Wagner, não foi candidato à reeleição ao lado do petista. Geddel Vieira Lima havia rompido com o governo, saiu candidato a governador e o resultado das eleições daquele ano deixou um cenário que o MDB, por certo, não desejará ver repetido. Talvez seja melhor perder somente a coroa de vice, mas não mãos, pés e fôlego para construir bancadas na ALBA e na Câmara dos Deputados.
Sem rancor
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, classificou como “deslealdade” a mensagem atribuída ao vice-governador Geraldo Júnior que pedia para interlocutores “viralizarem” críticas contra ele em um grupo de WhatsApp. Apesar do incômodo com o episódio, Rui afirmou que não pretende alimentar ressentimentos. “Não faço política com rancor, com mágoa ou com raiva. Às vezes você se surpreende com a deslealdade das pessoas”, disse o ministro, em entrevista ao jornalista Giorlando Lima, durante agenda ao lado do governador Jerônimo Rodrigues em Belo Campo.
A corrida começou
O governador Jerônimo Rodrigues afundou o pé no acelerador e iniciou uma série de entregas e assinaturas de ordens de serviço para prefeituras Bahia afora. A expectativa é de que o ritmo seja ainda mais intensificado com a aproximação da eleição. Nos bastidores, os comentários dão conta de que a campanha está na rua e o modo reeleição foi ativado.
Abalo na chapa
A situação política de dois integrantes da chapa da oposição ao Governo da Bahia não anda nada boa após as recentes notícias sobre o escândalo do Banco Master, que sacode a política nacional. Enquanto o ex-ministro e pré-candidato ao Senado João Roma (PL) foi intimado a depor na CPI do Crime Organizado, agora foi a vez do pré-candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União) ter o nome citado no caso. Segundo o Coaf, a empresa do ex-prefeito de Salvador e de sua esposa recebeu mais de 3 milhões da instituição de Daniel Vorcaro e do fundo de investimentos Reag. Neto confirmou os recebimentos e justificou que prestou serviços de consultoria ao banco.
Marketing negativo
Para além dos valores vultosos, chama a atenção o fato de ACM Neto ter prestado consultoria para um banco que quebrou logo em seguida...
Sem meio termo
Os “bolsonaristas raiz” devem aumentar a pressão sobre ACM Neto. Se o ex-prefeito de Salvador quiser o apoio, terá que declarar apoio claro, “sem meio termo”, ao pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL). Não bastará se declarar contra Lula; querem que o ex-prefeito faça campanha para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O porta-voz desta posição foi o deputado estadual Diego Castro, que em coletiva na ALBA mandou a direta para Neto: “estamos em um momento em que é preciso decidir um lado. Infelizmente, quando a gente se depara com quem fica em cima do muro, cai para o lado esquerdo. A gente está cansado disso”. Castro pontuou que a diferença de votos na Bahia entre Lula e Bolsonaro foi fundamental para a eleição do petista em 2022.
Rachadinha Master
Se ACM Neto ceder à pressão dos bolsonaristas e apoiar claramente Flávio Bolsonaro em outubro, já fica montado o mote para peças dos adversários. Pode nascer, para as más línguas, a dupla “Rachadinha Master”. Ninguém no staff de Lula, nem no de Jerônimo, deixará de trabalhar com golpes em todas as alturas, inclusive na canela, se for necessário. A “consultoria” Master de Neto e a “rachadinha” abafada de Flávio podem voltar com força, para a infelicidade de União Brasil e PL.
Mesmo campo
A possível candidatura do investigador da Polícia Civil da Bahia, Douglas Pithon, ao Senado pelo Novo deve disputar espaço no mesmo eleitorado do ex-ministro e presidente estadual do PL, João Roma. Com perfil ligado à segurança pública, discurso conservador e trânsito entre policiais e militares, Pithon tende a mirar o mesmo campo político que já é ocupado por Roma na direita baiana. Caso aceite o convite feito por José Carlos Aleluia, a movimentação pode embaralhar ainda mais a disputa por votos desse segmento na eleição de 2026.
No ‘preju’
A multa de R$ 5 mil aplicada pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia ao ex-deputado Marcelo Nilo, em ação movida por Vítor Bonfim por declarações em um podcast, caiu como mais um banho de água fria nas pretensões do ex-presidente da Alba para 2026. Nos bastidores, aliados já admitem que Nilo corre o risco de terminar a eleição sem espaço nem para disputar o Senado nem para ocupar a vice na chapa de ACM Neto. Ou seja, pode acabar saindo do jogo sem chapa e ainda no prejuízo se continuar falando bobagens por aí.
Estranho no ninho
Chamaram a atenção as caras e bocas de Leo Prates na visita de Hugo Motta ao governador Jerônimo Rodrigues. A um passo de entrar no Republicanos, o parlamentar foi o anfitrião do presidente da Câmara dos Deputados nas agendas de Salvador nesta semana.
Troca-troca
A janela partidária vem causando um verdadeiro “Deus nos acuda” em deputados governistas e da oposição. Em meio à chegada e saída de filiados, alguns vão ficando sem saber para onde ir e podem acabar em partidos que são verdadeiras barcas furadas. Até abril, quando o prazo para mudança de legenda chegar ao fim, muita coisa vai rolar. Quem não pensar direito pode ter uma longa dor de cabeça.
Trabalho por amor?
A presidente da OAB-BA, Daniela Borges, anda com dificuldades para fechar o time de voluntários da Ordem. O comentário nos corredores é que está sobrando demanda e faltando braço para as comissões de Prerrogativas e para o Tribunal de Ética e Disciplina (TED). Pelo visto, o entusiasmo para trabalhar de graça em áreas tão espinhosas anda em baixa na advocacia baiana. O apelo por indicações virou a ordem do dia na tentativa de desafogar os processos que não param de chegar.
Cadê a homenagem?
Na segunda-feira (9), a Câmara de Vereadores de Salvador homenageou as mulheres vereadoras da capital baiana e, por decisão de Carlos Muniz, presidente da Casa Legislativa, a mesa diretora foi presidida por elas. Ainda por decisão dele, a semana toda deveria ser comandada pelas mulheres. O problema é que isso só se concretizou por um dia: a segunda-feira. Na terça e na quarta, quando houve votação de projetos, os homens voltaram a dominar e as mulheres mais uma vez ficaram no papel de coadjuvantes na semana que Muniz afirmou que deveria ser delas e para elas.
A fuga das homenageadas
Homenageadas na Câmara Municipal pelo Dia Internacional da Mulher, apenas quatro das nove vereadoras marcaram presença na semana que deveria ser de celebração às mulheres da Casa. Pelo menos quatro estavam presentes fisicamente, porque em espírito elas foram e confirmaram presença, segundo afirmou o telão de presença.
Registro
A ex-deputada estadual bolsonarista Talita Oliveira, que ocupou o mandato entre 2019 e 2022, foi vista circulando pelos corredores da Alba nesta semana.
Cadê o concurso?
Enquanto os olhos de Conquista estão voltados para as definições de quem serão os deputados da região que vão disputar as eleições, o MP-BA quer saber o motivo de o novo procurador-geral da Câmara da cidade ocupar o cargo de forma nomeada. Segundo denúncia recebida pela NSP, o regimento interno do Legislativo conquistense prevê a existência de cargo efetivo de advogado público, o que não se vê na prática. Ou os vereadores se movimentam ou a Câmara pode ser alvo dos procuradores em breve para acabar com essa farra.
Tem caneta no poleiro
A recente operação da Polícia Civil contra uma organização criminosa que trafica canetas emagrecedoras na capital baiana passou muito perto de uma famosa empresa de comunicação baiana, conhecida nos bastidores por estar familiarizada a batidas policiais. Relatos feitos à coluna dão conta de que um desses funcionários já não esconde mais que faz do ofício um verdadeiro balcão de negócios, no qual oferece as milagrosas canetinhas para os colegas. Diante de uns quilinhos perdidos pelos colegas, a conversa rolou solta e os bastidores indicam que tudo acontece com anuência da chefia. Uma segunda fase da operação pode chacoalhar de vez o esquema.
Saiu pela culatra
Uma postagem da Prefeitura de Salvador enaltecendo a construção da Arena Multiuso, na Boca do Rio, acabou virando espaço para uma série de críticas contra a ausência de árvores na cidade.