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Jornalistas da GloboNews criticam vídeo de Nikolas Ferreira gravado na Bahia: 'Não entende nada do povo nordestino'

Comentaristas da GloboNews acusaram o deputado de reforçar estereótipos sobre a pobreza na região e criticaram a representação dos nordestinos no conteúdo gravado na Bahia.  |  Reprodução

Publicado em 23/10/2026, às 06h32 - Atualizado às 06h46   Reprodução   Adelia Felix

O vídeo “O Nordeste que foi esquecido”, publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) na terça-feira (20), foi alvo de críticas de jornalistas da GloboNews durante o programa Central das Eleições, na noite desta quinta-feira (22).

Os comentaristas acusaram o parlamentar de reforçar estereótipos sobre a população nordestina ao retratar a pobreza na região. A repercussão aumentou após questionamentos sobre os moradores entrevistados e a divulgação de bastidores da gravação feita em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia.

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“Ele quis dizer que o Nordeste é aquilo, e o Nordeste não é aquilo”, afirmou o jornalista Valdo Cruz durante o debate.

Jornalistas acusam Nikolas de reforçar preconceito

A jornalista Natuza Nery criticou a maneira como o deputado apresentou a realidade nordestina e afirmou que o conteúdo estigmatiza a região.

“Tem pobreza no Nordeste brasileiro, mas você caracterizar o Nordeste como se o Nordeste fosse aquilo mostra que eles não entendem nada de povo, eles, no caso, o Nikolas e o grupo dele não entende nada de povo nordestino, assim como quem diz que mulher que tem Bolsa Família, tem filho para ganhar benefício, que é um ponto que eu insisto aqui, não entende nada de pobreza também e não entende a mulher nos extratos mais vulneráveis da sociedade”, declarou.

Ela também comparou a abordagem de Nikolas a discursos que associam mulheres beneficiárias do Bolsa Família à decisão de ter filhos para receber benefícios sociais.

“Há uma falta de compreensão muito grande de quem é o povo nordestino, né?”, acrescentou.

Mônica Waldvogel classificou a abordagem como preconceituosa. “É preconceituoso, né? E ir buscar um clichê antigo, né?”, afirmou.

Valdo Cruz concordou com as críticas e disse que a representação também deprecia mulheres nordestinas de baixa renda. A comentarista Mônica Waldvogel lembrou os esforços de estados da região para promover o desenvolvimento econômico.

O jornalista Pedro Figueiredo questionou a associação entre pobreza e Nordeste. “E como se não tivesse pobreza no Sudeste, no Centro-Oeste, né?”, disse.

Moradores contestam imagem apresentada no vídeo

Durante o programa, Natuza Nery afirmou ter recebido gravações de moradores do sertão que demonstraram indignação com o conteúdo publicado pelo deputado.

Segundo a jornalista, pessoas comuns passaram a compartilhar imagens das próprias casas para mostrar condições de vida que, na avaliação delas, não correspondem à representação apresentada no vídeo.

“Isso aqui é água, água doce, sabe o que que é isso aqui? Isso aqui é energia elétrica, sabe o que que é isso aqui, Nikolas? Isso aqui é reboque. Sabe o que que é isso aqui? Televisão de tela plana, sabe o que que é isso aqui?”, relatou Natuza, reproduzindo trechos das manifestações que disse ter recebido.

O economista, filósofo e comentarista político Joel Pinheiro da Fonseca também criticou a escolha das imagens.

“O Nikolas pegou uma imagem estereotipada do que é o Nordeste para quem é de fora do Nordeste, associam para lugares comuns ao Nordeste, numa peça em que supostamente era para falar com quem é da região, mas quem é da região é que não vai se identificar com o estereótipo criado dos lugares comuns do Sertão”, afirmou.

Valdo Cruz acrescentou que o conteúdo poderia prejudicar a estratégia eleitoral associada à campanha de Flávio Bolsonaro (PL), adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026.

Jornalistas da GloboNews detonaram o vídeo de Nikolas Ferreira sobre o Nordeste. Natuza Nery acusou o deputado de estigmatizar a região, enquanto comentaristas classificaram a abordagem como preconceituosa e criticaram o uso de estereótipos sobre a pobreza nordestina. https://t.co/a3Q3zjT86q

— bnewsvideos (@bnewsvideos) October 23, 2026

Entrevistado teria uma Hilux, aponta deputado

Uma das controvérsias envolve um homem conhecido como Binha, que aparece no vídeo de Nikolas relatando dificuldades financeiras. O deputado federal Pedro Campos (PSB-PE) contestou a representação do entrevistado e afirmou que ele teria uma caminhonete Toyota Hilux e uma casa com móveis novos.

As alegações sobre o veículo e a residência foram feitas por Campos e passaram a alimentar questionamentos sobre a escolha dos participantes e a maneira como foram apresentados na gravação.

Durante o Central das Eleições, Valdo Cruz mencionou as informações sobre os entrevistados e avaliou que a utilização de personagens que não corresponderiam à imagem transmitida no vídeo poderia prejudicar o deputado.

“Isso tá pegando muito mal para ele e pegando muito mal no Nordeste”, afirmou o jornalista.

Prefeito de Luís Eduardo Magalhães defende Nikolas

Na quinta-feira (22), o prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Júnior Marabá (PL), publicou um vídeo em apoio a Nikolas. Na gravação, o gestor afirmou que o município se tornou referência em desenvolvimento e qualidade de vida por seguir um caminho diferente do adotado por cidades que apoiam Lula.

“Luís Eduardo Magalhães é Nordeste, mas o Nordeste precisa ser Luís Eduardo Magalhães”, escreveu Marabá na legenda da publicação.

A cidade, considerada um reduto bolsonarista na Bahia, foi o cenário escolhido para a gravação do conteúdo criticado pelos jornalistas. No primeiro turno das eleições de 2026, Flávio Bolsonaro recebeu 38.496 votos no município, enquanto Lula obteve 20.173.

A escolha do local também entrou no debate porque Nikolas já havia publicado outro vídeo destacando a produção agrícola, a geração de empregos e os investimentos privados de Luís Eduardo Magalhães.

No conteúdo mais recente, o parlamentar apresentou relatos de moradores sobre dificuldades financeiras e acesso a serviços públicos, com críticas ao governo Lula.

Bastidores ampliaram a polêmica

A repercussão do vídeo cresceu após a circulação de imagens dos bastidores da gravação. Em um dos trechos, integrantes da equipe de Nikolas discutem o enquadramento de uma residência para evitar que uma antena parabólica apareça na imagem. A equipe sugere mudar o ângulo da câmera e destacar partes mais simples da construção.

Nikolas acompanha o ajuste e aprova o resultado. “Putz, melhorou mil por cento”, afirma o deputado em um dos registros.

As imagens provocaram críticas à forma como as cenas foram construídas e à possível influência dos enquadramentos na percepção do público. A produção também chamou atenção pelo uso de equipamentos profissionais, iluminação e teleprompter, aparelho que permite acompanhar um texto enquanto se olha para a câmera.

Classificação Indicativa: Livre


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