BNews Nordeste

Prefeitura vira alvo do MP e MPF após “omitir” Braskem e assumir obras como próprias

Prefeito Rodrigo Cunha e o ex-prefeito JHC participam da inauguração da Linha Verde, em Maceió.  |  Divulgação

Publicado em 23/07/2026, às 06h35 - Atualizado às 06h46   Divulgação   Redação Bnews

A Prefeitura de Maceió foi cobrada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) por divulgar como próprias obras custeadas pela Braskem, entregues após o afundamento do solo que atingiu a cidade.

A recomendação, assinada no último dia 14, exige que o município corrija as informações em placas e redes sociais, incluindo publicações do prefeito Rodrigo Cunha (Podemos), sob risco de ação judicial caso não haja cumprimento. As informações são do colunista Carlos Madeiro, do Uol.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

obras da Braskem viram alvo após Prefeitura omitir origem dos recursos
obras da Braskem viram alvo após Prefeitura omitir origem dos recursos
obras da Braskem viram alvo após Prefeitura omitir origem dos recursos

MPs apontam omissão e risco de desvio de finalidade
Segundo o documento, a prefeitura inaugurou e divulgou intervenções sem mencionar que os recursos vieram da Braskem, responsável por financiar medidas de reparação após acordo firmado com os ministérios públicos. Para os órgãos, a prática pode induzir a população ao erro.

“A ausência da devida identificação induz a população atingida a erro quanto à real natureza das medidas, atribuindo à gestão municipal ações que, na verdade, decorrem de dever reparatório de terceiro e são custeadas por recursos alheios ao erário”, diz a recomendação.

Os MPs afirmam ainda que a conduta “aproxima-se de desvio de finalidade da publicidade institucional, em ofensa aos princípios da impessoalidade e da publicidade que regem a Administração Pública”.

Obras citadas foram inauguradas sem referência à Braskem
Entre os casos apontados estão a reinauguração do Caps (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas) da Cidade Universitária, em 1º de julho, e a entrega da avenida Linha Verde, no dia 3. Nos dois eventos, houve presença de autoridades, incluindo o prefeito, secretários, vereadores e o ex-prefeito JHC, pré-candidato ao governo de Alagoas pelo PSDB.

De acordo com os MPs, não houve “qualquer referência à origem dos recursos”, mas sim menção de que os investimentos teriam sido feitos pela própria prefeitura.

Linha Verde foi inaugurada antes de ficar pronta
A recomendação também chama atenção para a inauguração da Linha Verde, que liga as avenidas Durval de Góes Monteiro e Menino Marcelo. Segundo os órgãos, a entrega ocorreu antes da conclusão total da obra, que ainda tinha pendências como drenagem, sinalização, dispositivos de segurança e urbanização.

Um e-mail enviado pela Braskem à prefeitura no dia 3 de julho questionou a data da inauguração. A empresa indicou que a obra só estaria concluída cerca de 20 dias depois e alertou sobre riscos.

“A obra se encontra atualmente com diversas atividades pendentes de finalização, que são essenciais para assegurar a sua trafegabilidade, segurança e consequente disponibilização segura e efetiva a veículos e transeuntes”, diz o texto.

No mesmo documento, a Braskem afirma que não se responsabiliza pela liberação da via para circulação.

Prefeitura diz que já toma providências
Em nota, a Prefeitura de Maceió informou que mantém diálogo com o MPF, o MP-AL e a Defensoria Pública da União e que já adota medidas para dar a devida publicidade às ações reparadoras entregues à população.

Entenda por que a Braskem financia as obras
Os ministérios públicos lembram que, em 2019, foi ajuizada uma ação civil pública contra a Braskem após a descoberta das causas do afundamento do solo. Em 2020, a empresa firmou acordo para reparar os danos socioambientais e urbanísticos.

Em 2023, a Prefeitura de Maceió aderiu ao acordo, que prevê o pagamento de R$ 1,7 bilhão pela empresa para ações de compensação. Ao todo, foram definidas 44 iniciativas — sendo 35 sob responsabilidade direta da Braskem e nove a cargo do município, mas também com recursos da empresa.

O afundamento do solo está ligado à exploração de sal-gema realizada pela Braskem e sua antecessora, Salgema, que abriram 35 poços em Maceió. O problema levou ao deslocamento permanente de cerca de 60 mil pessoas a partir de 2018, após evacuação de imóveis em bairros afetados.

Classificação Indicativa: Livre


TagsMPFMinistério PúblicoAlagoasBraskemMaceió