Polícia

Retaliação mata 33 presos em RR; essa é a 2ª maior matança após o Carandiru

Publicado em 06/01/2017, às 14h01      Folhapress

Quatro dias após a morte de 60 detentos em duas penitenciárias de Manaus (AM), outros 33 presos foram assassinados na madrugada desta sexta (6), desta vez na maior penitenciária de Roraima. O número de presos mortos pode crescer, já que a contagem de corpos ainda não foi concluída.

A matança em Roraima é a segunda maior em número de vítimas em presídios do país desde o massacre do Carandiru, em 1992, em São Paulo, quando uma ação policial deixou 111 presos mortos na casa de detenção.

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Nesses seis primeiros dias de janeiro foram registradas 95 mortes em presídios no Brasil. Esse número representa cerca de 25% do total de mortes registradas em todo o ano passado (372).

De acordo com o governo de Roraima, as mortes na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, a cerca de 10 km do centro de Boa Vista, são uma reação do PCC (Primeiro Comando da Capital) ao ocorrido em Manaus no início da semana. Na capital do Amazonas, a maioria dos mortos era ligada à facção de origem paulista, após a invasão de uma ala por integrantes da FDN (Família do Norte), um braço do Comando Vermelho que disputa com o PCC a hegemonia nos presídios do Norte do país.

Nesse novo massacre, em Roraima, os mortos são em sua maioria ligados à Família do Norte. Segundo o governo do Estado, o presídio tem capacidade para 750 pessoas, mas abrigava 1.475 detentos. Relatório da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), de 2016, aponta que cerca de 940 detentos estão presos preventivamente e aproximadamente 180 nunca foram ouvidos em juízo. Apenas 425 já foram sentenciados e mais de 18 estão registrados em prisão domiciliar.

A ação aconteceu por volta das 2h30 (4h30 no horário de Brasília) em todas as alas do presídio, quando um grupo de presos deixou as celas e iniciou a chacina. Segundo o governo, equipes do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e da Polícia Militar (PM) estão na unidade e os presos já foram recolocados em suas celas. A pasta disse ainda que não houve fuga de detento.

No final desta manhã, a polícia montou um bloqueio a cerca de 2 km da entrada do presídio. Aflitos, familiares de presos se aglomeram na rodovia à espera de informações sobre os mortos. Do local, é possível ouvir o estouro de bombas no interior do presídio, onda já estão a tropa de choque da PM e integrantes da Polícia Federal. Carros do IML estadual e de funerárias particulares também já estão no presídio.

No ano passado, na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, e na Penitenciária Ênio dos Santos Pinheiro, diferenças entre o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho, causaram a morte de 18 detentos.

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) afirmou nesta sexta, em nota, que levará à Corte Interamericana de Direitos Humanos as matanças em Manaus e em Boa Vista. Segundo o órgão, o objetivo é fazer com que os Estados tomem as providências."O Estado precisa retomar, urgentemente, o controle das prisões que estão nas mãos do crime organizado", afirma.

O órgão também diz que articulará uma agenda de vistoria nos presídios que se encontram em estado mais crítico no país, no primeiro trimestre deste ano.

CRISE NAS PRISÕES — No mesmo dia em que a presidente do Supremo Tribunal Federal passou três horas em Manaus e anunciou apenas a criação de grupo de trabalho para solucionar o caos do sistema carcerário local, o governo Michel Temer (PMDB) divulgou medidas requentadas que, se efetivadas, irão reduzir em apenas 0,4% o atual deficit de vagas no superlotado sistema carcerário do país.

A promessa de Temer é construir cinco novos presídios federais de segurança máxima, com capacidade total para pouco mais de 1.000 vagas. Isso não supriria nem o deficit de 5.438 vagas do Amazonas, onde 56 presos foram assassinados no início da semana em presídio do Estado.

Segundo o governo, a licitação para a construção das unidades prisionais será feita imediatamente, mas ele não deu prazo para a entrega das novas carceragens federais.

Em todo o país, segundo último balanço do governo federal, de 2014, são 622,2 mil presos para 371,9 mil vagas, o que representa um deficit de 250,3 mil vagas –cada presídio federal tem, em média, capacidade para 208 presos.

O governo anunciou R$ 200 milhões para as obras das cinco novas unidades carcerárias e outros R$ 230 milhões para aprimoramento do sistema de segurança de presídios estaduais, sendo R$ 150 milhões para transferência de tecnologia de bloqueadores de celulares e R$ 80 milhões para compra de scanners corporais. Todos esses recursos, porém, já fazem parte do Orçamento do governo para 2017. 

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