Polícia

Lava Jato prende 5 pessoas em operação contra esquema na área de compra e venda de petróleo

PF cumpre 11 mandados de prisão. Executivo ligado a ex-cônsul honorário da Grécia é alvo de mandado de busca  |  Marcelo Camargo / Arquivo Agência Brasil

Publicado em 05/12/2018, às 07h53   Marcelo Camargo / Arquivo Agência Brasil   Redação BNews

A Polícia Federal (PF) está nas ruas para cumprir mandados da 57ª fase da Operação Lava Jato. De acordo com a PF, esta nova fase batizada de “Sem Limites”, investiga a ação de uma organização criminosa que agia na área de trading da Petrobras.

Foram expedidos 11 mandados de prisão preventiva, e 26 de busca e apreensão. Até o momento, segundo o G1, cinco pessoas foram presas no estado do Rio de Janeiro. A maioria dos mandados de prisão também devem ser cumpridos no estado do Rio de Janeiro. Somente um tem endereço em Curitiba.

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Seis mandados de intimações também foram expedidos, para que os depoimentos sejam realizados nesta quarta-feira.
Há ainda ordens de sequestros de imóveis, indisponibilidades de contas bancárias de investigados, e bloqueio de valores até o limite dos prejuízos.

O pagamento de pelo menos US$ 31 milhões em propinas para funcionários da Petrobras, entre 2009 e 2014 é investigado. O pagamento, ainda conforme a polícia, foi feito por grandes empresas do mercado de petróleo e derivados. O valor atualizado equivale a R$ 119.427.500.

Entre os detidos, estão os advogados Gustavo Buffara Bueno  e André Luiz dos Santos Paza. De acordo com as investigações, eles lavavam dinheiro para agentes públicos. Um atual funcionário da Petrobras e dois ex-gerentes estão entre os presos. 

Os detidos serão levados para a Superintendência da PF, em Curitiba. Os investigados podem responder por corrupção, organização criminosa, crimes financeiros e de lavagem de dinheiro, segundo a PF.

Um dos mandados de busca e apreensão é contra Omar Emir Chaves Neto. Ele é diretor de uma empresa de transporte marítimo. Chaves Neto era ligado a Konstantinos Kotronakis, ex-cônsul honorário da Grécia. Kotronakis chegou a ser proibido de deixar o país, pelo então juiz federal Sérgio Moro, por suspeita de pagar propina ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

A área de trading realiza negócios de compra e venda de petróleo e derivados da Petrobras por empresas estrangeiras. Conforme a PF, foram verificados indícios de irregularidades na realização de negócios de locação de tanques de armazenagem da Petrobras pelas empresas investigadas.

Todas as ações viabilziavam o pagamento de vantagens indevidas a executivos e ganhos acima dos praticados no mercado para essas empresas, ainda de acordo com a PF.

Esta etapa também apura esquemas de corrupção na área de afretamento de navios.

O esquema criminoso, de acordo com a PF, ocorreu até meados de 2014. Contudo, a PF não descarta a continuidade do esquema na área a trading, com ramificações internacionais. As operações de trading de óleos combustíveis e derivados eram de responsabilidade da diretoria de Abastecimento da Petrobras, especificamente da gerência executiva de Marketing e Comercialização.

Gigantes' sob investigação - Vitol, Trafigura e Gleconre –empresas com atuação internacional – estão entre as investigadas. Elas têm, de acordo com o MPF, faturamento superior ao da Petrobras.

Ainda segundo o MPF, essas três empresas pagaram, respectivamente, S$ 5,1 milhões, US$ 6,1 milhões e US$ 4,1 milhões para intermediários e funcionários.

Os pagamentos estão relacionados a mais de 160 operações de compra e venda de derivados de petróleo e aluguel de tanques para estocagem.

Além dessas três, outras trading companies também estão sendo investigadas.

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