Polícia
Publicado em 14/05/2020, às 13h02 Reprodução // TV Globo Redação BNews
Em mais uma etapa da Lava Jato no Rio de Janeiro, a Polícia Federal prendeu, na manhã desta quinta-feira (14), o ex-deputado estadual Paulo Melo, o empresário Mário Peixoto e outras três pessoas. Peixoto e Melo já foram sócios e acabaram presos nesta Operação Favorito porque surgiram indícios de que o grupo do empresário estava interessado em negócios em hospitais de campanha.
O alvo seriam as unidades montadas pelo estado - com dinheiro público - no Maracanã, São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Campos e Casimiro de Abreu.
"Surgiram provas de que a organização criminosa persiste nas práticas delituosas, inclusive se valendo da situação de calamidade ocasionada pela pandemia do coronavírus, que autoriza contratações emergenciais e sem licitação, para obter contratos milionários de forma ilícita com o poder público", afirmou a PF.
A PF afirma que o grupo pagou ainda vantagens indevidas a conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) -- atualmente afastados, deputados estaduais e outros agentes públicos. O parlamentar, ex-presidente da Alerj, já tinha sido preso em uma etapa anterior da Lava Jato no RJ.
Peixoto é dono de empresas que celebraram diversos contratos, como o de fornecimento de mão de obra terceirizada, com os governos estadual -- desde a gestão de Sérgio Cabral, cresceu durante o governo de Luiz Fernando Pezão e presta serviços ao governo de Wilson Witzel -- e está em unidades do governo federal.
O ex-sócio de Paulo Melo estava em Angra dos Reis, na Costa Verde. A casa dele fica em um condomínio de luxo em Mombaça. Em outros endereços com mandados de busca, a PF encontrou dinheiro em espécie -- como R$ 21 mil em uma casa no Méier, na Zona Norte do Rio. Segundo a PF, o nome da operação tem relação com o tempo de relacionamento do empresário com a administração pública -- "ou seja, pelo menos 10 anos sendo o 'favorito'".
O advogado de Mario Peixoto não se apresentou à PF até o momento para acompanhar o seu cliente. O advogado Flavio Mirza, que defende o ex-deputado Paulo Melo, está estudando o inquérito, para ver quais medidas tomará. Os outros envolvidos ainda não se manifestaram.