Polícia

Maridos que matam Sônia, Clarissa, Maria: "É uma barbárie"

Semana sangrenta marca a capital e o interior com a violência contra a mulher  |  

Publicado em 20/12/2012, às 06h04      Caroline Gois (twitter: @goiscarol)

Cinco casos de crimes brutais contra a mulher marcam esta semana - considerada sangrenta - na capital e no interior do Estado. Em cada ocorrência, histórias de vida diferentes, mas o mesmo fim trágico. Mulheres assassinadas pelos companheiros. O motivo: fim do relacionamento.

A 'chacina' começou domingo (15). o primeiro caso foi registrado no bairro de Águas Claras. Cosme de Assis Souza, 46 anos, foi preso após esfaquear e matar a esposa identificada como Maria Climendes. O casal vivia junto há 16 anos e tinha três filhos. Cosme desconfiava de uma possível traição da companheira e após discussões ele pegou uma faca e desferiu três golpes no tórax da esposa. O assassino não conseguiu fugir e foi detido por populares no bairro. Maria foi levada para o Hospital do Subúrbio e veio a óbito.


No mesmo dia, Antônio Marcos Souza, 29, conhecido como "Marquinhos", foi  preso na delegacia de Santo Amaro, acusado de homicídio. Segundo a polícia, ele deu 22  facadas na esposa - cuja identidade não foi revelada, após entrar na casa onde os dois viviam e flagrar a mesma com um homem deitada na cama. Segundo o acusado, que confessou o crime e se entregou no Fórum do município de Candeias, ele desconfiava que a companheira o traia há um bom tempo. Marquinhos vai permanecer preso, à disposição da Justiça.

Ainda no domingo,  uma adolescente de 17 anos foi morta a facadas pelo namorado. Irena Letícia da Costa estava na casa do acusado, na rua Ceará, no bairro de Alto de Coutos, quando foi esfaqueada durante uma discussão com o companheiro. A jovem chegou a ser socorrida para o Hospital do Subúrbio, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no início da madrugada de segunda-feira (17). O suspeito, que não teve o nome divulgado pela polícia, segue foragido.



Mas, os registros da violência ainda iriam contabilizar mais duas vítimas. Na segunda-feira (16), um homem invadiu o restaurante Mignon, no bairo da Graça, em Salvador e atirou cinco vezes contra a mulher, que chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. O atirador identificado pelo prenome de Guilherme foi preso em flagrante. A vítima, identificada como Sônia Bárbara Oliveira Souza, tinha 32 anos. O crime foi passional.

E ontem, às 14h30, o último dos crimes registrado contra mulheres, até a manhã desta quarta-feira (19). O corretor Anderson Coelho Nunes, 36 anos, invadiu o Centro Médico Albert Enstein, em Vilas do Atlântico, no município de Lauro de Freitas e deu dez tiros na ex-mulher, com quem tem três filhos - a fisioterapeuta Clarissa Vieira Nunes, 34 anos. Anderson entrou na clínica de Clarissa, que fica dentro do Centro Médico e disparou contra a empresária, dona da Galerria Corpore. Após assassinar a jovem, Anderson fugiu para o condomínio Albatroz, em Jauá - onde o casal morava há poucos meses, e se suicidou com um tiro na cabeça.

"Um homem que faz isso, que mata alguém e ainda tira a própria vida, não está em suas condições normais. A gente fica realmente estagnado. Sem ter o que dizer", disse a deputada estadual e presidente da Comissão de Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Luiza Maia, em conversa com o Bocão News. Segundo a deputada, tem havido debates e ações  - políticas e públicas para enfrentar estas questões da violência contra a mulher. "É uma preocupação. Uma barbárie. Acredito que é uma questão de educação. Precisamos educar. E toda esta violência é uma questão do próprio sistema. Hoje nos deparamos com o individualismo, o egoísmo e, não só entre casais, mas todos os tipos de relacionamento", disse.

Números assustam

Segundo o Mapa da Violência 2012 publicado pelo Ministério da Juastiça, na Bahia - a taxa é de 5,6 homicídios para cada grupo de 100 mil mulheres, sendo o oitavo estado do país onde mais ocorrem mortes detse tipo. Em Salvador, o índice supera o nacional, que é de 4,4 homicídios para cada grupo de 100 mil mulheres. A mesma taxa foi verificada em Salvador, que ocupa a 16ª posição entre as capitais do país.

Luiza Maia acredita que a disputa entre as pessoas de forma desumana e selvagem, leva "a esta desvalorização da mulher e que nos coloca como objetos. Sei que temos que reconhecer que há 50 anos atrás era muito pior. Avançamos e alcançamos nosso espaço. Mas, ainda assim, a violência contra a mulher é uma coisa muito séria", ressaltou.

A presidente da Comissão de Direitos da Mulher da Alba reforça que o investimenro na educação possa diminuuir estas ocorrências. "Ninguém nasce violento. Isso é sim falta de estrutura familiar e aí as pessoas aprendem a ser violentas. A desigualdade, a pobreza também contribuem. A violência em si é um problema real e independe de classe. Acho que a sociedade tão logo terá que rever as posturas, os valores", disse.

Maia aposta também nas punições e cumprimento da lei para que casos de violência contra a mulher diminuam. "Somos agredidas e desvalorizadas nas novelas, propagandas e na música. Nos colocam como objeto e propriedade. E acho que a grande mídia também não contribue. Noticia, mas não amplia discussões sobre o assunto. Faço a minha parte e temos que nos esforçar para mobilizar a sociedade", criticou.


Arte: Bocão News
Foto: Gilberto Junior // Bocão News


Nota originalmente publicada às 10h58 do dia 19/12

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