Polícia

S. F. do Conde: advogado do vereador aponta irregularidades na investigação

“Vivemos em uma sociedade policialesca”, dispara defesa do acusado de mandar matar “suspeito”  |  

Publicado em 10/03/2013, às 16h34      Fabíola Lima (Twitter:@fabiolalimaa)

Depois da repercussão da matéria em que a família relata a tortura sofrida por Mesaque dos Santos Celestino, de 30 anos – suspeito de roubar aparelhos de som do comitê de campanha do vereador Sandro Valença da Silva (PHS) no ano passado, o advogado de defesa do edil procurou a reportagem do Bocão News para falar sobre o caso.

Em posse de documentos sigilosos, o advogado de defesa, Domingo Arjones Neto, relatou uma série de erros nos autos do processo e execução da prisão de Sandro.

“Sequer foi impetrada uma investigação de forma coerente. O delegado não tem preparo. Não posso mostrar os documentos que tenho em mãos, mas só para se ter ideia, o Ministério Público (MP), órgão que fiscaliza  a ação penal pública incondicionada, a exemplo de homicídio, sequestro ou crimes mais violentos, não foi acionado. Mas, neste caso específico, houve quebra de sigilo telefônico, busca e apreensão, decretação de prisão preventiva, e o representante do MP em nenhum momento foi ouvido”.

Neto alega que o vereador foi apontado como suspeito de ser mandante de um crime sem provas concretas que evidenciem a sua culpa. Em conversa com a reportagem do site, ele cogitou a possibilidade de uma ação com objetivo de desmoralizar Sandro.

“Um promotor de Justiça é fiscal da lei, trabalha também para uma espécie de controle da atividade policial. Mas, a autoridade policial se reportou à Juíza, pediu a prisão preventiva de um homem público, primário, com bons antecedentes, e sem pretensão de fugir do distrito da culpa. Todo isso sem intervenção do MP. Há alguma coisa de podre por trás de tudo isso”, rebateu.



Domingo Arjones Neto - Advogado do vereador // Fotos: Gilberto Jr - Bocão News

Inconformado com o processo e metodologia executada pelo delegado Bruno Oliveira, titular da 21ª delegacia, responsável pela prisão dos acusados, o advogado assegura que seu cliente é inocente e vai solicitar quebra do sigilo do processo com objetivo de provar a fragilidade da justiça e irregularidades.

“O país não tem segurança jurídica e vivemos em um estado policialesco. Esta prova material que a família cita, o exame de DNA, não há materialidade, não há documentação deste exame no inquérito. Oficialmente não há registro do Instituto Médico Legal (IML) sobre o corpo, que evidencie um homicídio. Vou entrar com um mandado de segurança para desconstituir os sigilos dos autos porque este processo não vai correr em sigilo. Este processo a sociedade precisa saber inclusive o relatório do delegado, onde há erros grosseiros”, finalizou.  

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