Polícia
Publicado em 19/02/2026, às 08h07 Reprodução/TV Bahia Redação BNews
O professor João Vitor Dias da Cruz, de 27 anos, deu detalhes sobre as agressões que afirma ter sofrido por policiais militares durante o Carnaval de Salvador, na noite do último sábado (14), nas imediações do Morro do Gato, no circuito Ondina. Em entrevista à TV Bahia, ele relatou a abordagem e reforçou a denúncia de homofobia envolvendo agentes da corporação.
O caso ocorreu enquanto João e o marido, o soldado Marlon Araújo do Rosário, dançavam atrás de um trio elétrico. Segundo o professor, os dois estavam abraçados quando começaram a ouvir ofensas homofóbicas vindas de um folião que estava atrás deles.
De acordo com o relato, a situação evoluiu para uma discussão envolvendo um segundo policial militar, amigo do casal, e a esposa dele, além de outras pessoas que acompanhavam o agressor. João afirma que tentou evitar um confronto, mas foi surpreendido pela chegada de uma patrulha (prefixo 1007), que teria abordado os envolvidos com violência.
"Já chegaram com truculência, disparando quatro golpes de cassetete em mim. Um nas costas, dois no tórax e um ao lado do peito", disse.
O marido e o amigo de João se identificaram como policiais militares, mas, segundo ele, as agressões continuaram e o amigo foi atingido com golpes no rosto. A vítima sofreu ferimentos na testa e na gengiva e precisou ser levado ao Hospital Geral do Estado, onde passou por cirurgia maxilar.
"Não tivemos nenhum tipo de apoio da patrulha que iniciou toda a situação e não fomos conduzidos a um posto médico", afirmou.
Imobilização e tentativa de gravação
Segundo João, após a chegada de uma segunda guarnição formada por alunos oficiais, ele e o marido foram conduzidos ao módulo policial. No local, afirma que foi imobilizado com o braço torcido mesmo sem apresentar resistência.
Durante a ação, um dos oficiais teria dito: "Cala a boca, veado da desgraça, você ainda não viu o que é violência".
Ele relatou ainda que, em meio ao nervosismo, começou a mexer no cabelo e ouviu mais um comentário ofensivo de um dos agentes.
João contou que decidiu gravar a abordagem com o celular, mas que o aparelho foi tomado por uma policial antes que ele pudesse continuar registrando a situação. Segundo ele, os agentes pediram que desbloqueasse o telefone, o que foi recusado. Depois, ele e o marido teriam sido liberados na porta do módulo policial.
Investigação e afastamento dos envolvidos
O caso é investigado pela Polícia Civil. Um juiz da 3ª Vara de Garantias do Tribunal de Justiça da Bahia determinou o afastamento cautelar de policiais militares envolvidos na ocorrência para garantir a apuração dos fatos sem interferências.
Na decisão, o magistrado apontou que há elementos que indicam, em tese, o crime de injúria racial por homofobia, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). Também foi determinada a instauração de inquérito policial militar pela Corregedoria.
Além dos agentes, o próprio Marlon, companheiro de João Vitor, teve o afastamento da atividade ostensiva determinado enquanto as investigações seguem.
A Polícia Militar da Bahia ainda não se manifestou oficialmente.
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