Polícia
Publicado em 30/11/2025, às 10h04 - Atualizado às 10h30 Reprodução | Redes Sociais Redação Bnews
O delegado Marcelo Martins, responsável por coordenas as diligências que apuram a fatalidade envolvendo o garoto Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, que morreu após receber uma dose fatal de adrenalina na veia, em um hospital particular de Manaus, revelou contradições nos depoimentos da médica e da enfermeira que atenderam a criança.
"O que nós estamos avaliando durante as investigações é a ocorrência de dolo eventual. Esse elemento de prova já vem sendo trazido desde o início da investigação e foi por isso que eu representei pela prisão da médica. Nós constatamos uma divergência de depoimentos entre a técnica de enfermagem e entre a médica. Eu solicito uma nova intimação delas para que elas façam uma acareação para que nós possamos esclarecer esses pontos divergentes", disse por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais.
Com suspeita de laringite, Benício deu entrada na unidade médica no último fim de semana. No hospital, a médica teria recomendado que as equipes de enfermagem realizassem lavagem nasal, soro e três doses do medicamento adrenalina, de 3 miligramas cada, a serem aplicadas de maneira endovenosa (na veia), de 30 em 30 minutos. O garoto morreu no dia 23 de novembro, após ter recebido a adrenalina.
Ainda de acordo com o delegado, as investigações estão sendo direcionadas para vários caminhos. "Tem uma cadeia de eventos que levaram a esse resultado fatal da criança. Isso também é parte de responsabilidade do hospital. A gente já percebeu que há vários protocolos de segurança. Os pacientes não foram observados ou então não estavam implementados no hospital, conforme depoimentos de várias pessoas que já constaram durante a investigação".
Ele também destacou que, além da médica e da enfermeira, outros profissionais podem ser responsabilizados pela morte da criança. "Esse também vai ser um foco da nossa investigação, inclusive, para que nós possamos delimitar a responsabilidade não só da médica e da técnica de enfermagem, como também possivelmente de outras pessoas desses protocolos de segurança que tinha a responsabilidade de corrigir a falha que constava da prescrição. A médica que foi interrogada deixou claro que ela não prescreveu a adrenalina intravenosa. Ela disse que prescreveu a adrenalina por nebulização, porém, por um erro do sistema, teria sido trocado", revelou Martins.
Durante depoimento à Polícia Civil do Amazonas, a médica teria dito que a mãe de Benício também tinha sido informada sobre a forma como a adrenalina seria aplicada. "Ela alega também que não revisou a prescrição. Alega que informou verbalmente à mãe que deveria ser por nebulização", declarou o delegado.
"Todas as pessoas envolvidas na administração de um medicamento, elas têm que fazer a checagem da correção daquele medicamento. Ou seja, se o nome da pessoa está certo, se a via está correta, se o medicamento está certo, se a dosagem está certa.Se alguém perceber que tem algo de errado, existe um protocolo de correção. Todos os profissionais de saúde que tiveram contato com a extração do medicamento serão interrogados para avaliar a sua eventual responsabilidade nesse evento fatal da criança, Benício", completou Marcelo.
Apesar do delegado ter solicitado a prisão da médica, o pedido foi negado pela Justiça do Amazonas.
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