Polícia

Cremeb instaura sindicância após médico ser alvo de operação que investiga crimes sexuais contra menores em Salvador

Cremeb afirma que sanções públicas só serão divulgadas após conclusão de processo ético-profissional relacionado ao caso do médico  |  Reprodução/Redes Sociais

Publicado em 27/08/2026, às 10h43   Reprodução/Redes Sociais   Redação BNews

O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou, nesta quinta-feira (27), que vai instaurar uma sindicância para apurar as circunstâncias do caso envolvendo o médico urologista Samuel Juncal, alvo de um mandado de busca e apreensão durante a Operação Brilho do Amanhã, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia.

Em nota, o Cremeb afirmou que tomou conhecimento do caso por meio da imprensa e que a Corregedoria vai instaurar uma sindicância "ex officio" para apurar os fatos e verificar eventuais responsabilidades no âmbito ético-profissional.

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O conselho ressaltou ainda que eventuais sanções públicas somente serão divulgadas caso a denúncia resulte na abertura de um Processo Ético-Profissional (PEP) e após o trânsito em julgado da decisão.

"Em conformidade com o disposto no Código de Processo Ético-Profissional (CPEP), o Cremeb esclarece que todos os processos éticos tramitam sob sigilo, assegurando-se o amplo direito à defesa e ao contraditório", finalizou.

O que diz o médico

A operação investiga suspeitas de crimes relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes, incluindo estupro de vulnerável e produção e armazenamento de material de pornografia infantil. O caso tramita sob segredo de Justiça.

Um dos alvos é o médico urologista Samuel Juncal, que chamou as denúncias de "infundadas e caluniosas".

Em nota assinada pela assessoria de imprensa e defesa técnica, o médico disse ser "totalmente inocente" e declarou que pretende comprovar a sua inocência ao longo da investigação. A defesa também destacou que o médico estaria colaborando com as autoridades desde o início do procedimento. 

Ainda conforme a nota, o caso tramita sob segredo de Justiça para preservar a intimidade e a integridade de menores. A defesa criticou o que classificou como "espetacularização" e vazamento de informações, alegando que essas práticas afrontariam garantias previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Os representantes questionaram ainda a necessidade do cumprimento de mandado de busca e apreensão realizado nesta manhã. Segundo a defesa, a medida teria sido "desnecessária e desproporcional", uma vez que o urologista teria se colocado à disposição das autoridades policiais para colaborar com a apuração.

Segundo o posicionamento, nos dias 12, 17 e 20 de agosto, foram indicadas à Delegacia de Polícia testemunhas que, segundo os advogados, podem contribuir para comprovar a inocência do médico. Além disso, mensagens armazenadas nos celulares de Samuel Juncal e de familiares poderão demonstrar a falsidade da acusação que teria motivado a operação.

Operação Brilho do Amanhã

Sete pessoas investigadas por crimes praticados contra crianças e adolescentes na Bahia foram presas na manhã desta quinta-feira (27) durante a Operação Brilho do Amanhã, deflagrada em Salvador, Lauro de Freitas, Itagi e Seabra. 

As prisões na capital baiana ocorreram nos bairros do Calabetão, Pernambués, Fazenda Grande do Retiro e Arenoso, com um total de quatro detidos. Também houve capturas em Lauro de Freitas, uma em Itagi e outra em Seabra.

Segundo a Polícia Civil, um policial militar aposentado, suspeito de cometer abusos contra cinco familiares, integra a lista dos alvos. Ele foi encaminhado para o Batalhão de Choque, onde está custodiado.

Um homem de 24 anos também é um dos investigados por suspeita de estupro de vulnerável, produção de conteúdo e armazenamento de pornografia infantil. "As investigações apontam que pelo menos três vítimas foram abusadas pelo suspeito, que teria se aproveitado do vínculo de parentesco para cometer os crimes", revelou a instituição.

O cumprimento das medidas judiciais também resultou na apreensão de aparelhos celulares e HDs externos. Conforme esclarecido pela Polícia Civil, os dispositivos serão submetidos à análise para identificar possíveis registros de crimes, outras vítimas e eventual participação de outros envolvidos.

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