Polícia
Publicado em 20/08/2026, às 08h23 Reprodução/TV Globo Redação BNews
Uma investigação conduzida pela polícia revelou que traficantes passaram a oferecer cursos para ensinar criminosos a operar drones no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Imagens obtidas pelas autoridades mostram uma grande quantidade de pessoas reunidas em uma quadra durante uma aula realizada há cerca de duas semanas.
Segundo as investigações, o treinamento faz parte da expansão do uso de drones pelo crime organizado. Os equipamentos, que podem ser adquiridos legalmente, passaram a ser adaptados por criminosos para monitorar territórios, acompanhar a movimentação policial e até lançar granadas contra grupos rivais.
De acordo com as autoridades, alguns dos equipamentos já foram identificados sobrevoando áreas próximas às rotas utilizadas por helicópteros e aeronaves que chegam ou deixam o Aeroporto de Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade. Uma eventual colisão pode causar danos graves e comprometer o controle da aeronave.
Na última semana, um drone equipado com uma granada foi utilizado em um ataque contra rivais na comunidade do Canal, em Vargem Grande. O explosivo atingiu um trailer, mas não deixou feridos.
Segundo a Polícia Militar, o equipamento foi lançado a partir de um apartamento de cobertura alugado por traficantes em um prédio no Recreio dos Bandeirantes. O drone percorreu aproximadamente dois quilômetros até o ponto onde a granada foi lançada.
Dois homens suspeitos de envolvimento na ação foram presos. Com eles, os agentes apreenderam outras granadas de fabricação caseira, dinheiro e o drone utilizado no ataque.
Apesar de os drones serem comercializados legalmente e facilmente encontrados na internet, o uso dos equipamentos segue regras de segurança, especialmente em áreas próximas a aeroportos e helipontos.
As normas também estabelecem restrições de altitude e exigem autorizações para determinadas operações no espaço aéreo. Segundo as investigações, criminosos ignoram essas regras ao utilizar os equipamentos em ações criminosas.
Atualmente, a Polícia Civil investiga 18 ocorrências envolvendo bombas lançadas por drones e acredita que o número real de casos possa ser ainda maior.
Além dos ataques, os equipamentos são utilizados pelo crime organizado para ampliar a capacidade de vigilância. Segundo as autoridades, os drones permitem que criminosos tenham uma visão privilegiada de áreas controladas por facções e acompanhem a movimentação de forças de segurança.