Polícia

Delator do PCC ficou 21 dias recluso em casa; saiba motivo

Durante os 21 dias que ficou em casa, nem a família do delator podia sair para fazer compras  |  Reprodução

Publicado em 16/11/2024, às 11h21   Reprodução   Cadastrado por Lorena Abreu

Por medo de ser morto por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), Antônio Vinícius Lopes Gritzbach contou à polícia, em 2022, que chegou a ficar 21 dias sem sair de casa, junto de sua família. Dois anos depois, o delator do PCC acabou sendo assassinado no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, com 10 tiros por dois homens não identificados e encapuzados nesta sexta-feira (08).

Segundo o portal Metrópoles, em um dos pedidos de soltura de Gritzbach, na época, então preso preventivamente por supostamente mandar matar outros dois integrantes da facção criminosa, a defesa argumentou que ele havia ficado “enclausurado em seu apartamento durante 21 dias, temendo por sua vida e de seus familiares”, porque “a todo o momento recebe informações que sua morte está decretada pelo PCC”.

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De acordo com os autos do processo, ninguém da família podia sair de casa nem mesmo para “fazer compras de alimentos e as crianças irem à escola”. Na ocasião, ele estava sendo acusado de mandar matar Anselmo Santa Fausta, conhecido como Cara Preta, e Antônio Corona Neto, o Sem Sangue, no Tatuapé, na zona leste da capital, em 2021.

O motivo pelo qual o empresário teria mandado matar Cara Preta seria o fato de supostamente ter recebido dele quase R$ 200 milhões para investir em criptomoedas, mas teria desviado o dinheiro, e foi descoberto. Gritzbach operava a compra e venda de imóveis para Cara Preta no esquema de lavagem de dinheiro do PCC.

Com o dinheiro investido por Cara Preta para comprar criptomoedas, Gritzbach estaria adquirindo imóveis, carros, helicópteros e até mesmo jet skis. A defesa do delator do PCC afirma, no inquérito, que seu cliente apenas intermediava a compra e venda de imóveis e relata que, no fim de 2021, pouco depois dos assassinatos, Gritzbach passou a ser ameaçado.

Em janeiro de 2022, ele teria recebido uma mensagem de uma pessoa conhecida como “Cigarreiro”, solicitando um encontro para “conversar” no Tatuapé. No local, além do homem que o havia chamado, foram chegando outros supostos integrantes do PCC que formavam o chamado “tribunal do crime”.

A defesa alega que o empresário foi mantido sob o poder da facção, sendo pressionado e ameaçado de morte, por nove horas. O delator do PCC contou à polícia que conhecia essas pessoas como sendo empresários de jogadores de futebol, contraventores do ramo do jogo de bicho e donos de lojas de alimentos.

Em fevereiro, outras duas pessoas também supostamente da facção teriam invadido a imobiliária do empresário e levado documentos, contratos, cheques, dinheiro e arquivos digitais.

Após a execução de Gritzbach, uma força-tarefa da Secretaria da Segurança Pública (SSP) investiga três principais hipóteses para tentar esclarecer o crime. O Ministério Público (MP) acompanha as apurações e a Polícia Federal (PF) também faz sua investigação própria. A Guarda Civil Municipal (GCM) de Guarulhos apura por qual motivo seus agentes não estavam no local no momento da execução.

O delator era réu na Justiça por lavagem de dinheiro para o crime organizado e também acusado por um duplo homicídio. Ele fez a delação premiada para revelar quem são os agentes de segurança e integrantes do PCC envolvidos em um esquema ilegal de lavagem de dinheiro para o crime organizado. A Justiça homologou a delação com o Ministério Público em março.

Oito dias antes de ser executado, Gritzbach fez uma denúncia de extorsão na Corregedoria da Polícia Civil. Ele acusou policiais civis de exigirem R$ 40 milhões para deixar de investigá-lo pela morte de integrantes do PCC, em dezembro de 2021.

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