Polícia
Publicado em 01/10/2026, às 10h50 Reprodução/Unama Santarém Redação BNews
Um jovem de 23 anos, identificado como Bruno Hashimura San Juliano, foi morto a tiros durante uma discussão de trânsito em Taubaté, no interior de São Paulo, nesta quarta-feira (30). O suspeito de efetuar o disparo é um bombeiro, que acabou preso.
O caso aconteceu na Avenida Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo. De acordo com o boletim de ocorrência, o suspeito, Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, alegou que pensava estar sendo vítima de um assalto.
Segundo a Polícia Militar, a ocorrência foi registrada por volta das 7h. A vítima estava em um Chevrolet Prisma, enquanto o bombeiro dirigia um Jeep Renegade, onde também estavam a esposa e o filho dele.
Conforme a investigação, após uma discussão no trânsito, os dois veículos pararam nas proximidades de um semáforo. Marcos teria descido do carro e se identificado como bombeiro militar. Na sequência, houve o disparo contra o jovem.
Bruno, que cursava o 4º semestre de Medicina, foi atingido e chegou a ser socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ele foi encaminhado ao Hospital Regional de Taubaté, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
Uma pistola Taurus calibre .380, que estava com o bombeiro, foi apreendida. Marcos foi preso em flagrante e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes.
Segundo o advogado Cláudio Rodrigues, que representa Marcos, o bombeiro teria levado uma "fechada" no trânsito antes da discussão. Na sequência, o motorista do Prisma teria mostrado um objeto prateado, que o suspeito acreditou ser uma arma de fogo.
Ainda de acordo com a defesa, posteriormente foi constatado que o objeto era uma faca. Ao chegarem a um semáforo, Marcos teria acreditado que estava diante de uma tentativa de assalto.
O advogado alega que o bombeiro desceu do Jeep Renegade, se identificou como militar e ordenou que Bruno saísse do veículo. Segundo a versão apresentada pela defesa, o estudante não teria obedecido e teria quebrado o vidro do próprio carro com uma faca.
Nesse momento, Marcos teria efetuado o disparo. A defesa sustenta que o bombeiro agiu em legítima defesa.
O caso foi registrado pela Polícia Civil como homicídio consumado. Segundo o boletim de ocorrência, a autoridade policial não identificou, até o momento, elementos objetivos que comprovassem que Bruno teria anunciado um assalto ou apresentado uma arma de fogo.
Ainda conforme o documento, nenhuma arma de fogo foi localizada com a vítima ou dentro do veículo em que ela estava.
O delegado responsável também afastou, inicialmente, a hipótese de legítima defesa e representou pela conversão da prisão em flagrante de Marcos em prisão preventiva. A dinâmica da discussão e as circunstâncias do disparo continuam sendo investigadas.
Bruno era estudante do 4º semestre de Medicina da Universidade de Taubaté (Unitau). Após a morte do jovem, a instituição divulgou uma nota de pesar e informou a suspensão das aulas do curso.
A universidade também disponibilizou acolhimento e atendimento psicológico para estudantes e professores. As atividades permaneceram suspensas nesta quinta-feira (1º) para que colegas pudessem acompanhar o velório e o sepultamento do estudante.
Marcos Paulo Fujarra de Oliveira é soldado de 1ª classe do Corpo de Bombeiros Militar e está na corporação há pouco mais de dez anos. Segundo informações divulgadas sobre o caso, ele estava afastado por licença desde maio deste ano.
Após a prisão, o bombeiro foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes e deverá passar por audiência de custódia. A Polícia Civil investiga o caso.