Polícia
Publicado em 08/06/2026, às 13h29 Divulgação Redação Bnews
Uma ex-gerente da Cacau Show é investigada por suspeita de comandar um esquema de desvio de dinheiro contra franqueados no Distrito Federal. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), os golpes teriam começado no início de 2024 e resultaram em prejuízos superiores a R$ 240 mil. A principal suspeita, Lilmara Neto Oliveira, foi demitida por justa causa em outubro de 2025 e, desde então, não foi mais localizada.
Como funcionava o esquema
De acordo com as investigações, Lilmara usava o cargo de consultora de negócios para induzir empresários a realizar transferências bancárias sob diferentes justificativas. Ela atuava diretamente no gerenciamento administrativo e financeiro das unidades, com acesso ao fluxo de caixa e aos pagamentos.
A estratégia envolvia orientar lojistas a fazer depósitos via Pix para contas de terceiros ou empresas supostamente ligadas a ela. Comprovantes analisados pela polícia indicam que os valores não eram usados para quitar transações legítimas, mas direcionados a pessoas próximas da investigada.
Além disso, segundo a 32ª Delegacia de Polícia (Samambaia), a suspeita manipulava a movimentação de mercadorias entre lojas. Ela alegava que produtos estavam sendo transferidos para abastecer unidades, enquanto encobria as fraudes financeiras.
Franqueada relata prejuízo de mais de R$ 190 mil
O caso ganhou força após denúncia da empresária Lucifátima Ferreira Barros Seabra, dona de uma franquia em Samambaia. Ela afirma ter perdido mais de R$ 190 mil após seguir orientações diretas da então consultora.
“Ela era apresentada como representante da empresa. Era quem acompanhava resultados, orientava campanhas, fiscalizava lojas e intermediava demandas entre franqueados e a franqueadora. Não havia motivo para desconfiar”, relataram a empresária e o marido à coluna Na Mira, do Metrópoles.
Segundo o casal, o esquema se sustentava no abuso da posição corporativa e na confiança institucional que a função transmitia dentro da rede.
Mentiras e manipulação para sustentar fraude
As investigações apontam que Lilmara criava justificativas para evitar que outros lojistas cobrassem diretamente os franqueados lesados. Entre as estratégias, estavam histórias falsas e até crises familiares inventadas.
“Ela acabava mentindo para os outros lojistas afirmando que estávamos em situação difícil e até que uma irmã da minha esposa havia morrido, sendo que nem irmã a minha esposa tem”, disse o franqueado Daniel Oliveira.
A polícia também identificou uma rede de triangulação, com criação de contatos telefônicos falsos e simulação de conversas entre empresários. O objetivo era fazer com que lojistas cobrassem uns aos outros, espalhando a percepção de inadimplência generalizada.
Transferência de alto valor marcou ápice do esquema
Um dos episódios mais relevantes ocorreu em janeiro de 2025, quando a suspeita convenceu a franqueada a transferir R$ 136.045,08. O valor teria sido enviado para a conta de uma empresa ligada à investigada, sob a justificativa de centralizar pagamentos da campanha de Natal. O montante nunca foi repassado à franqueadora.
Empresa diz que acionou autoridades
Em nota, a Cacau Show informou que a funcionária foi desligada por justa causa após investigação interna.
“A empresa acionou as autoridades competentes, formalizou a denúncia e encaminhou à Polícia Civil todas as evidências reunidas durante o processo de investigação interna”, afirmou.
A companhia também declarou que identificou o caso no fim de 2025 e adotou medidas imediatas após apurar os indícios de irregularidades.
Investigação já vinha sendo acompanhada
Segundo os franqueados, alertas internos sobre pedidos indevidos de dinheiro e atrasos em repasses já haviam sido comunicados anteriormente. O diretor regional confirmou que o caso já era acompanhado pela 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul) antes do registro formal feito pela família.
Ainda de acordo com o casal, as consequências foram além do prejuízo financeiro. A loja teve sistemas bloqueados, fornecimento de produtos interrompido e pedidos cancelados, o que levou ao encerramento do contrato de franquia no fim de 2025.