Polícia

Familiares fazem manifestação e questionam mortes de detentos ocorridas dentro de presídio em Salvador

Manifestação acontece na manhã desta quarta-feira (16) em Salvador  |  Leitor Bnews

Publicado em 16/07/2025, às 10h40 - Atualizado em 17/07/2025, às 06h00   Leitor Bnews   Redação Bnews

Familiares de detentos - custodiados no Complexo Lemos Brito -, no bairro da Mata Escura, em Salvador, realizam, na manhã desta quarta-feira (16), uma manifestação contra as mortes ocorridas dentro de instalações da unidade - gerida pela
Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap). 

Ao Bnews, a advogada Desirée Ressutti explicou a finalidade do movimento."Estamos aqui para manifestar sobre as mortes e a falta de atendimento que estão ocorrendo nas unidades aqui da Mata Escura. A Seap sempre diz que o interno foi a óbito, mesmo com atendimento médico, mas, sabemos que não é isso. Os internos falecem por falta de atendimento, por negligência", disse Ressutti. 

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Camila Reis, representante da massa carcerária, também concedeu entrevista ao Bnews. "Eles sempre dizem que foi morte natural ou suícidio, mas a realidade não é essa. Teve um caso em que um interno faleceu por causa de um choque num bebedouro que não tinha manutenção", alegou Camila. 

Questionada pela reportagem sobre o resultado dos laudos periciais emitidos após as mortes, a advogada informou que a Seap não disponibiliza esse documento para a família. "Eles não dão acesso. Inclusive, no dia 24 de dezembro, eu estive aqui concedendo uma entrevista porque houve a morte de três internos dentro do Conjunto Penal Masculino, e eles disseram que a morte havia sido porque algum dos internos tinha distribuído cocaína lá dentro.Depois, tivemos acesso aos vídeos de dentro do pátio, e as mortes ocorreram por negligência.Esses monitores de ressocialização ficaram vendo o rapaz condicionar e não deram socorro", declarou.

Em nota enviada ao BNEWS, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) informou que todas as sete unidades prisionais do Complexo da Mata Escura possuem postos médicos, assim como as demais unidades prisionais do estado. A pasta acrescentou que o complexo conta ainda com uma Central Médica de Atendimento, que funciona 24 horas para atender casos de emergência.

Segundo a Seap, a central é composta por uma equipe de 16 médicos, nove enfermeiros plantonistas, sete profissionais da área administrativa e 15 técnicos de enfermagem, que atuam em regime de plantão. Apenas em 2025, esse grupo já teria realizado 1.186 atendimentos. Considerando todas as áreas da saúde, os atendimentos em todo o sistema prisional estadual neste ano somam 12.802.

A secretaria ressaltou ainda o compromisso com a saúde e segurança dos custodiados, afirmando não ter conhecimento de qualquer denúncia relacionada à negligência ou omissão de socorro nas unidades do Complexo da Mata Escura. Sobre a alimentação, informou que há uma fiscalização rigorosa realizada por uma comissão de nutricionistas, responsável por validar a qualidade e segurança dos alimentos fornecidos aos internos em todas as unidades do estado, inclusive na capital.

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