Polícia

Ginecologista é investigado por estupro após paciente denunciar abusos e exibição de vídeos pornográficos em consulta

Paciente foi atendida pelo ginecologista entre 2014 e 2022 em um consultório na Zona Sul de São Paulo  |  Reprodução/ Redes Sociais

Publicado em 24/09/2026, às 09h41   Reprodução/ Redes Sociais   Redação Bnews

O ginecologista Osmar Trojan, de 82 anos, é investigado pela Polícia Civil por supostamente ter cometido crime de estupro contra uma paciente que atendia entre 2014 e 2022. A jovem, que tinha 16 anos quando as consultas iniciaram, foi atendida em um consultório particular no Brooklin, na Zona Sul de São Paulo.

Ao G1, Esther Neves contou que o médico fazia os atendimento sem a utilização de luvas, tirava fotos das partes íntimas dela e exibia vídeos pornográficos. Em um dos episódios, ele chegou a sugar os seios dela sob a justificativa de verificar o que saía deles, de acordo com a paciente.

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"Ele não cobrava as consultas. Eu e a minha mãe sentíamos que a gente estava devendo algo para ele. Então quando ele falava que queria me fotografar, eu me sentia na obrigação de ir, porque ele falava que era uma coisa boa", disse Esther. 

Esther disse ainda que comentou com a mãe sobre algumas situações com o médico que lhe  pareciam estranhas. Segundo ela, a mãe dizia que cabia a ela interromper aquela relação, mas também ressaltava que Osmar era uma pessoa de confiança da família e nunca havia cobrado pelas consultas.

“Ele assistia esse site e colocava uma pessoa com um tipo físico muito parecido com o meu, pesava mais ou menos uns 45 kg. E aí ele falava: ‘olha, essa menina é novinha igual a você. Você é linda, você é perfeita. Ela tem aqui um plugue anal. Se você quiser, eu posso comprar para você e eu te ensino a usar’”, afirmou a paciente que atualmente é advogada. 

O ginecologista é investigado por estupro em inquérito policial instaurado no 1° Distrito Policial de Itapecerica da Serra, após pedido do Ministério Público. O advogado Alessandro Fischer Martins Silveira, que representa Osmar, negou as acusações e afirmou que "confia que, no curso da instrução processual, mediante o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa e a produção das provas pertinentes, demonstrará sua inocência".

Fotos íntimas para estudo

A advogada relatou que em uma das consultas o médico a convenceu a fazer uma sessão de fotos no consultório, com os seios nus. Segundo ela, Osmar disse que estava escrevendo um artigo de conscientização sobre o câncer de mama e que costumava fotografar pacientes.

“Ele me mostrou uma relação de fotos de várias pacientes dele e falou: 'olha, você precisa fazer isso também, porque fazer um ensaio fotográfico é uma coisa muito cara. E eu sei que você não tem condição de pagar, então eu vou te fazer de graça [...] Eu fico com essas fotos e te dou em um pendrive."

Depois das fotos dos seios, Esther afirma que o médico passou a fotografar outras partes do corpo.

“Ele fotografou minhas mamas por causa do câncer de mama. Até aí, tudo bem. Só que aí, ele começou com uma história de que ele tinha pacientes muito complexadas com o tamanho dos grandes lábios da vagina delas [...] ele tirou muitas fotos da minha vagina também, do meu ânus", acrescentou a jovem. 

"Foi um sofrimento muito grande. Eu tinha crises de ansiedade todos os dias. Eu chorava pra caramba, eu ficava me tremendo. Meu pai, inclusive, ele é enfermeiro e me deu um remédio uma vez que era pra epilepsia para você ter uma ideia", desabafou a advogada. 

Médico nega acusações

No interrogatório à polícia, Osmar negou as acusações feitas por Esther e afirmou que nunca praticou qualquer ato de conotação sexual durante os atendimentos. Ele ainda disse que os exames eram realizados na presença da mãe ou de uma auxiliar.

O médico confirmou que fez um exame retal em Esther, mas afirmou que o procedimento ocorreu uma única vez, com luvas, por suspeita de endometriose. O inquérito não foi finalizado e o médico ainda não foi indiciado.

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