Polícia
Publicado em 12/10/2026, às 09h13 Reprodução / Globo Cibele Gentil
A influenciadora digital Paula Simões e o advogado Patrick Cardoso foram presos após uma investigação conjunta das polícias do Brasil e da Itália revelar um esquema milionário de tráfico internacional de drogas. De acordo com a Polícia Federal, os dois comandavam operações de envio de cocaína para a Europa a partir de portos brasileiros.
O esquema estaria ligado à 'Ndrangheta, uma das principais organizações mafiosas italianas. As investigações foram iniciadas em 2019, quando Nicola Assisi e, Patrick Assisi, pai e filho respectivamente, integrantes da máfia da Calábria, no sul da Itália, foram encontrados escondidos em Praia Grande, no litoral de São Paulo.
A influenciadora é casada com Patrick Assisi. De acordo com a investigação, Paula assumiu a representação dos negócios criminosos após a prisão do marido. O advogado Patrick Cardoso, que defendia os mafiosos, teria atuado como intermediário entre os presos e os demais integrantes da organização.
Conforme foi publicado pelo site G1, os criminosos contratavam a logística de Paranaguá, para exportar grandes quantidades de cocaína para o exterior, e também usavam doleiros para fazer essa movimentação financeira.
A máfia italiana usava o serviço das quadrilhas para esconder drogas em contêineres no porto. O esquema continuou operando mesmo após a prisão de Nicola e Patrick Assisi.
A Polícia Federal apontou que Patrick Cardoso se aproveitava das prerrogativas como advogado e do contato privado com os clientes presos para transmitir recados. Os investigadores identificaram fotografias de bilhetes e dos próprios integrantes da máfia feitas dentro da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.
Os bilhetes continham orientações sobre os negócios da organização criminosa, incluindo informações sobre pessoas que deviam dinheiro ao grupo. Em um deles, Patrick Assisi orientava a esposa a enviar um comparsa, conhecido como “BXX”, para recuperar todo o dinheiro e os bens que pudessem ser vendidos.
O homem chamado de "BXX" é Franklin Rodrigues de Oliveira, que integrava a quadrilha desde a época em que Nicola e Patrick Assisi estavam soltos. Ele era o responsável pelas remessas de drogas e pelos pagamentos do grupo. Ele também atuava como elo entre integrantes da máfia italiana 'Ndrangheta e facções criminosas brasileiras.
Franklin era sócio de Willian Barile, preso em 2025 e conhecido como um "faz-tudo" do Primeiro Comando da Capital (PCC). Durante a operação policial, Franklin tentou fugir, mas acabou preso.
As autoridades de Brasil e Itália, com apoio da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), passaram a investigar conjuntamente as operações criminosas dessa máfia italiana. Durante essas apurações, foi descoberto que o grupo criminoso abriu uma "exceção" para a influenciadora Paula Simões ser a representante deles por aqui, apesar de mulheres normalmente não assumirem posições de tanto protagonismo entre os mafiosos.
Os investigadores também encontraram fotos de Patrick Cardoso em seu celular, nas quais o advogado aparecia com drogas e grandes quantias de dinheiro. De acordo com a polícia, ele também tinha envolvimento em atividades criminosas com integrantes do Comando Vermelho.
Quando a influenciadora e o advogado assumiram os negócios, o grupo mantinha um estoque de mais de duas toneladas de cocaína. Durante a investigação, foram interceptadas conversas realizadas através de um aplicativo usado exclusivamente por criminosos.
Nas conversas, os comparsas do marido de Paula discutiam acertos relacionados ao tráfico de drogas. Segundo a polícia, o grupo comandado pelos mafiosos liderava um esquema de tráfico internacional de drogas que movimentou quantias incalculáveis de dinheiro.
Os advogados de Franklin Rodrigues de Oliveira afirmaram que não vão comentar as acusações contra o cliente e que vão demonstrar a inocência dele à Justiça. A defesa de Patrick Cardoso afirmou que o advogado atuou dentro dos limites da advocacia e que já apresentou um pedido de revogação da prisão preventiva.
Já o advogado de Paula Simões afirmou que ela nega todas as acusações. Ele afirmou que nenhuma droga foi apreendida com a cliente e que a suspeita de que as atividades criminosas teriam continuado após a prisão dos Assisi são inferências da autoridade policial, não fatos comprovados.
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