Polícia
Publicado em 24/07/2026, às 06h54 - Atualizado às 07h12 Reprodução Redação Bnews
Um trabalhador morreu durante uma ação da 49ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) na noite desta quinta-feira (23), no bairro de São Cristóvão, em Salvador. A ocorrência, registrada na localidade da Lessa Ribeiro, terminou em protesto, com vias bloqueadas, pneus incendiados e um ônibus queimado por moradores revoltados com a morte.
Quem era a vítima
A vítima foi identificada Leonardo Gil Lima, conhecido entre os moradores como “Léo do Lanche”. Segundo familiares e pessoas da comunidade, ele era trabalhador e não tinha envolvimento com atividades criminosas.
Léo começou vendendo lanches em uma bicicleta, depois adquiriu uma moto e, mais recentemente, conseguiu abrir um ponto comercial, o “Leo Lanches”. Ele era casado e tinha dois filhos. A vítima chegou a ser socorrida para o Hospital Menandro de Faria, mas não resistiu aos ferimentos.
Como aconteceu a operação
De acordo com relatos da população, a região estava sem energia elétrica quando equipes policiais entraram no bairro para realizar uma operação. Durante a ação, o homem acabou morto. As circunstâncias do ocorrido ainda estão sendo apuradas.
— bnewsvideos (@bnewsvideos) July 24, 2026
Protesto fecha vias e tem ônibus incendiado
Após a morte, moradores bloquearam a principal via do bairro. Pneus foram queimados para interditar o trânsito, e um ônibus foi incendiado durante o protesto. Um caminhão da Limpurb (Empresa de Limpeza Urbana de Salvador) também foi atravessado na pista. Imagens que circulam nas redes sociais mostram a interdição e o movimento de moradores durante a manifestação.
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Sem troca de tiros
Durante o protesto, uma mulher que se apresenta como irmã da vítima, e cujo nome não é identificado no vídeo, reprova a versão de confronto, caso seja apresentada pela polícia, e relatou o que teria presenciado no momento da ação.
“Não houve nenhuma troca de tiro! Eu sou vizinha do meu irmão. Meu irmão chegou do trabalho. Deu um tiro no ouvido do meu irmão. No momento que eu abordei, ela foi se retirando junto com o soldado, eu disse: ‘Volte, que vocês vão assumir! Olha a farda! Vocês mataram um pai de família! Olha a farda!’. Quando eles se deram conta da besteira... ‘Aqui não dá socorro? Aqui não dá socorro? Agora vocês vão dar socorro!’. Eu ouvi ela [a policial] abordando o meu irmão. Procurando saber quem é Leonardo? Infelizmente, muitos vestem a farda por vestir”, desabafou.
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Outra mulher, também não identificada, reforçou que não houve troca de tiros, e que a autora do tiro teria sido uma policial militar identificada somente como Marta. “Não quero que saia na mídia que foi troca de tiros ou que foi bandido. Isso não pode existir. Isso aqui é uma comunidade. A esposa dele está lá na delegacia. Ela [a policial] encostou o revólver aqui [na cabeça] em Leo. Leo virou e perguntou e ela deu um tiro. A gente não quer que saia que Leo reagiu, que Leo é vagabundo”, disse.
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Manifestação na porta da CIPM
Revoltados, manifestantes seguiram até a sede da 49ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), onde realizaram um ato cobrando esclarecimentos sobre a ação e pedindo justiça.
O que diz a PM
A reportagem entrou em contato com a Polícia Militar da Bahia (PM) para solicitar esclarecimentos sobre a ação e o protesto. Até a publicação deste texto, não houve retorno. Assim que a corporação se posicionar, a matéria será atualizada.