Polícia

Operação mira organização criminosa especializada na fabricação clandestina de anabolizantes

Justiça determinou o bloqueio de valores que chegam a R$ 32 milhões, além de carros de luxo  |  Divulgação/PCDF

Publicado em 12/08/2026, às 09h15   Divulgação/PCDF   Bernardo Rego

A Operação Narciso, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), com intermédio da Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf), resultou no desmantelamento de uma organização criminosa especializada na fabricação clandestina, distribuição, marketing e escoamento de anabolizantes, substâncias controladas e termogênicos adulterados em diversos estados do Brasil.

As investigações tiveram início a partir de provas obtidas em busca e apreensão realizada na residência de um dos líderes do esquema, cujo aparelho celular apreendido continha extenso histórico de mensagens que detalhava a estrutura criminosa em diferentes núcleos de atuação. A Justiça determinou o bloqueio de valores em contas bancárias e instituições financeiras vinculadas aos investigados e às pessoas jurídicas a eles relacionadas, em montante que soma mais R$ 32 milhões.

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Segundo a PCDF, o grupo produzia de forma caseira e precária substâncias hormonais, diuréticos e estimulantes, em residências e depósitos improvisados, sem qualquer controle de esterilidade, pureza ou segurança sanitária. Com o objetivo de dar aparência de legitimidade aos produtos, as embalagens e os rótulos traziam nomes em língua estrangeira e bandeiras de outros países, simulando importações de laboratórios inexistentes ou reproduzindo marcas já consolidadas no mercado.


A engrenagem contava com a participação de profissionais de diferentes áreas: designers responsáveis pela identidade visual das marcas clandestinas, nutricionistas e treinadores que recomendavam e davam respaldo ao consumo das substâncias, médicos veterinários que emitiam receitas falsas para viabilizar a compra de medicamentos de uso controlado em estabelecimentos agropecuários, e uma gráfica que imprimia rótulos e embalagens sob encomenda, adotando a prática de apagar os arquivos de impressão das máquinas para dificultar a identificação da origem do material pela polícia.

A organização também estruturou um esquema de lavagem de dinheiro em múltiplos níveis para dissimular a movimentação financeira e ocultar o proveito das atividades ilícitas. O fluxo de recursos entre o núcleo liderado pelo investigado central e sua principal fornecedora, localizada em região de fronteira, contava com o auxílio de doleiros profissionais, que indicavam contas bancárias de terceiros e de empresas de fachada no Brasil para pulverizar os depósitos recebidos.

Outros integrantes utilizavam chaves Pix e contas bancárias de parentes próximos para receber pagamentos de clientes finais, enquanto outra ramificação do esquema utilizava uma empresa específica para movimentar recursos entre estados. Além do uso de "laranjas" e contas de passagem, os investigados recorriam de forma estruturada a contas em casas de apostas virtuais e plataformas de jogos de quota fixa, ambiente utilizado para conversão, fracionamento e transferência rápida dos valores ilícitos, dificultando o rastreamento por parte dos órgãos de inteligência financeira.

No Distrito Federal estavam concentradas as bases de fabricação e estocagem, academias vinculadas à divulgação dos produtos e a gráfica utilizada na produção das embalagens. Em Goiás, as ações se voltaram ao recebimento de insumos em depósitos na divisa com o Distrito Federal, ao funcionamento de uma farmácia de manipulação envolvida no esquema e à movimentação financeira do grupo.

Na Paraíba, em João Pessoa, os investigadores identificaram um laboratório filial operado a partir de uma mansão alugada e da residência de alto padrão à beira-mar de um dos líderes, que contava com apoio de familiares e de uma parceira local no recebimento de insumos importados por via postal. No Paraná, as ações se concentraram em Foz do Iguaçu, de onde a fornecedora de fronteira e seu cônjuge coordenavam o fornecimento interestadual das substâncias.

A rede se estendia ainda a cidades do Acre, como Rio Branco, e de Minas Gerais, como Uberlândia, municípios utilizados tanto para o escoamento contínuo dos produtos quanto para a localização de patrimônio dos investigados.

Foram expedidos 45 mandados de prisão contra líderes, articuladores logísticos e intermediários financeiros da organização, além da determinação de busca e apreensão pessoal e domiciliar contra 50 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, com caráter itinerante, de modo a viabilizar o cumprimento onde quer que os investigados fossem localizados.

A Justiça também decretou o sequestro de 11 veículos de luxo de alto padrão, entre eles um modelo alemão de luxo elétrico, um automóvel esportivo, duas berlinas de marca premium europeia, duas caminhonetes de grande porte, um utilitário esportivo (SUV) e uma motocicleta de alta cilindrada, além de cláusula aberta que autoriza a apreensão imediata de outros bens móveis de valor relevante localizados durante o cumprimento das buscas.

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