Polícia
Publicado em 25/09/2026, às 08h04 - Atualizado às 08h10 Divulgação Redação Bnews
A escritora Djamila Ribeiro defendeu, em texto publicado em sua coluna na Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (24), que as autoridades investiguem possíveis crimes de exploração sexual e tráfico de pessoas para fins de exploração sexual relacionados a festas atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro.
No artigo, publicado na quinta-feira (24), ela questiona o tratamento dado às mulheres envolvidas nos episódios e afirma que as evidências sobre os casos “se multiplicam a cada semana”.
Segundo Ribeiro, a realização de orgias que teriam reunido mulheres brasileiras e estrangeiras contratadas como garotas de programa, autoridades públicas brasileiras e convidados de Vorcaro deveria ser analisada pela Polícia Federal (PF) sob a perspectiva de possíveis crimes sexuais.
A colunista cita, entre as hipóteses que considera necessárias de investigação, exploração sexual, tráfico de pessoas para fins de exploração sexual e registros de imagens sexuais sem consentimento.
Ribeiro também questiona como a delação premiada de Vorcaro teria tratado a organização dessas festas. Entre os pontos levantados estão a identidade das mulheres, suas idades à época dos fatos e a forma como teriam sido recrutadas.
No artigo, Djamila Ribeiro afirma que uma das apurações jornalísticas revelou a existência de uma passagem de ônibus de Kiev, capital da Ucrânia, para Varsóvia, capital da Polônia, destinada a uma das garotas de programa que teria participado de uma das festas.
A colunista relaciona o episódio à situação de guerra vivida pela Ucrânia e afirma que, em sua avaliação, o eventual tráfico de mulheres desses países poderia envolver tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.
Ribeiro também menciona um pedido formal de investigação apresentado pela deputada federal Tabata Amaral ao Ministério Público Federal (MPF) sobre as festas e possíveis crimes sexuais. Segundo a colunista, até o momento o órgão não teria se manifestado sobre o pedido.
Outro episódio citado no artigo envolve uma festa realizada em Trancoso. Ribeiro menciona uma reportagem da revista piauí segundo a qual a casa noturna Madame Satã teria sediado uma comemoração financiada por Daniel Vorcaro e produzida por um ex-ministro do governo Jair Bolsonaro.
Segundo a reportagem citada pela colunista, celulares teriam sido lacrados, DJs internacionais teriam sido contratados e havia quatro mulheres para cada homem no evento, com preferência pelas mais “novas”.
Ribeiro também cita mensagens que, segundo ela, indicariam uma cobrança feita por uma possível cafetina a Vorcaro por supostos serviços sexuais de uma garota de programa para, possivelmente, um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com o relato apresentado pela colunista, Vorcaro teria pago R$ 10 mil pelo encontro. Ribeiro afirma que a situação deveria ser investigada para verificar se existiria alguma hipótese de corrupção.
A coluna também recupera um episódio envolvendo um chamado “clube do charuto” em Londres. Ribeiro afirma ter escrito anteriormente sobre a necessidade de investigar a organização do evento, após uma reportagem do portal Poder360.
Segundo o relato da colunista, mais de R$ 3 milhões provenientes de fundos de pensão de aposentados teriam sido gastos em duas horas de degustação de uísque em um “clube de cavalheiros”.
Ribeiro afirma ainda ter levado informações sobre o caso a uma autoridade policial de Londres e encaminhado relatórios para autoridades holandesas.
O texto também menciona uma suposta orgia no hotel The Peninsula, em Londres, atribuída pelo portal Metrópoles a uma festa com “suicinhas” no quarto presidencial.
Ao abordar os episódios, Djamila Ribeiro defende que os responsáveis pelas investigações identifiquem quem teria reunido as mulheres para essas festas e ouçam testemunhas que estavam nos locais.
A colunista também afirma que cantores, DJs e outros artistas contratados para os eventos deveriam ser ouvidos pelas autoridades.
No fim do artigo, Djamila sustenta que a forma como as mulheres aparecem nos episódios seria resultado de um “pacto da masculinidade” e afirma que elas são tratadas como “apêndices e objetos”.
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