Polícia
Publicado em 15/06/2026, às 10h53 - Atualizado às 11h07 Divulgação Redação Bnews
Um caso envolvendo graves denúncias de agressão física, cárcere privado e supostos crimes sexuais atribuídos a um pai de santo está sob investigação da Polícia Civil do Paraná. A ex-companheira de Wilker Novaes, 46 anos, o acusa de violência psicológica, patrimonial e agressões severas, além de manipulação financeira durante o período em que estiveram juntos.
Em entrevista ao GMC Online, a vítima detalhou os episódios que teriam ocorrido ao longo de quase um ano de convivência. Durante o relato, Rayanne explicou que conheceu Wilker por intermédio da religião e que o vínculo evoluiu rapidamente para um namoro. Segundo ela, os primeiros sinais de comportamento manipulador surgiram logo nos meses iniciais do relacionamento.
“Começou com manipulação psicológica e financeira. Depois vieram as agressões físicas”, desabafou a denunciante.
A mulher relatou que o líder religioso habitualmente solicitava auxílio financeiro para custear despesas pessoais e manutenção do terreiro. Ela pontuou que, no princípio, acreditava estar apenas oferecendo suporte ao parceiro, sem perceber que estava sendo alvo de uma exploração baseada em manipulação emocional e afetiva.
Os episódios teriam ocorrido na cidade de Maringá, onde a vítima afirma ter sido agredida fisicamente ao tentar encerrar discussões. De acordo com o depoimento, ela era impedida de deixar o local, tendo celular, chaves e pertences pessoais retidos pelo então namorado.
“Naquele momento, eu achei que ia morrer. Se eu perdoasse novamente, ele poderia me matar”, disse ao recordar momentos de terror que incluíram sufocamento, puxões de cabelo e fortes apertões nos braços.
Rayanne informou que registrou um boletim de ocorrência em novembro de 2025, logo após um episódio violento. E mesmo tendo feito o exame de corpo de delito, o laudo pericial atestou lesões corporais leves. Ela ressaltou ainda que, após as agressões, era frequentemente convencida a manter o relacionamento sob promessas de mudança e fortes apelos sentimentais.
Com a repercussão pública do caso, ela afirma ter sido procurada por outras pessoas que descreveram condutas semelhantes.
A advogada Jacheline Batista, responsável pela defesa de Wilker, declarou que seu cliente refuta as acusações. A defesa sustenta que o investigado também registrou um boletim de ocorrência contra Rayanne, em novembro de 2025, após um desentendimento mútuo.
Segundo a defesa, Wilker teria sido vítima de ameaças, agressões e danos materiais, tendo inclusive arcado com o conserto de dispositivos danificados durante brigas. Sobre as transações bancárias, a defesa afirma que os valores referem-se a despesas compartilhadas e serviços religiosos prestados antes do início do namoro.
“Até este momento, ele está sendo acusado. Na sociedade, ele já foi acusado e julgado sem o devido processo legal, contraditório ou ampla defesa”, pontuou a advogada.
Em nota, a Polícia Civil do Paraná informou que há três inquéritos em apuração envolvendo o mesmo investigado:
“A PCPR informa que foram instaurados três inquéritos para investigar casos envolvendo o mesmo autor, em Maringá. Sobre a ocorrência registrada no dia 5 de maio deste ano, o inquérito foi finalizado e encaminhado à Justiça por crime contra a honra.
Em relação ao inquérito relacionado ao boletim registrado no dia 28 de novembro de 2025, a vítima foi ouvida e realizou o laudo de lesões, que, após ser concluído, constatou lesão corporal de natureza leve. A PCPR segue as diligências para esclarecer o caso.
O terceiro procedimento investiga o autor pelos crimes de importunação sexual e assédio sexual. Quatro vítimas registraram a ocorrência até o momento. As equipes policiais seguem com a investigação para esclarecer os casos.”
Até o momento, Wilker Cesar Novaes não possui condenação judicial. O processo permanece sob investigação da Polícia Civil, podendo apresentar novas atualizações à medida que os inquéritos avancem ou ocorram manifestações por parte do Ministério Público e do Poder Judiciário.
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