Polícia
Publicado em 06/08/2026, às 14h23 Reprodução/Redes Sociais Gabriel Santana
O pai e a madrasta de um menino,identificado como Gustavo Veloso Feitosa, de três anos, encontrado morto na casa do casal, em Palmas, capital do Tocantins (TO), foram presos na madrugada desta quinta-feira (6) pela Polícia Civil do estado (PC-TO), como os principais suspeitos de envolvimento no caso.
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Gustavo foi encontrado morto com múltiplos ferimentos. De acordo com o g1, o atestado de óbito do garoto apresentava choque hemorrágico, hemorragia interna, laceração intestinal e violência sexual como causas da morte, o que foi descartado posteriormente pela investigação. O laudo apontou que a morte aconteceu com crueldade, insensibilidade, indiferença e multiplicidade de lesões.
A morte da criança foi comunicada às autoridades na última segunda-feira (5). O menor estava na casa do pai e advogado, Igor Gustavo Veloso de Souza, que é divorciado da mãe da criança desde 2023.
O fim do relacionamento aconteceu quando Gustavo tinha apenas oito meses de vida. Além de Igor, a atual companheira do homem, Kathellen Moreira, também foi presa como suspeita, e ambos negam as acusações da polícia.
Os responsáveis pela apuração do caso acreditam que a criança sofreu agressão e tortura e pode ter morrido no último domingo (4). O delegado da 1ª Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, Eduardo Menezes, contou que as lacerações no ânus e no intestino corroboram um contexto de "fortes agressões". Novas perícias serão realizadas.
"Se no laudo cadavérico houvesse apenas as lesões anais e intestinais, nós estaríamos diante de um crime de estupro seguido de morte. Como há, somado a essas lesões, lesões na cabeça e hemorragia interna, a gente afastou inicialmente a ocorrência de uma relação sexual."
Igor contou aos policiais que o menino teria se afogado na piscina da própria casa, no domingo (2). Segundo ele, a criança teria caído na piscina, sido socorrida no local, expelido a água e dormido depois, mas foi encontrada morta na manhã seguinte.
A defesa do pai do menino relata que Igor teria deixado a casa, mas depois se apresentou de forma espontânea à delegacia, relatou o caso, prestou depoimento à polícia e entregou as chaves da casa.
A defesa de Kathellen Moreira apontou que ficou surpresa com a decisão que decretou a prisão preventiva da investigada e que o pedido de prisão não considerou que ela é mãe de uma bebê de cinco meses, que ainda está em fase de amamentação. O pedido de substituição da prisão preventiva por medidas cautelares menos severas ou por prisão domiciliar será realizado pelos advogados da suspeita.
O pai e a madrasta vão responder por homicídio duplamente qualificado e tortura. Menezes conta que não existem evidências de participação direta de Kathellen nas agressões, mas que ela teria sido omissa. Exames complementares para a pesquisa de sêmen, álcool e drogas foram solicitados pela investigação da Polícia Civil e serão incorporados ao inquérito.
"Por mais que não seja a mãe, naquele momento ali ela assume também uma condição de responsável legal e, nessa condição, não impediu o resultado", concluiu o delegado.
O diretor do Instituto Médico Legal (IML), Eduardo Godinho, contou que o estado em que o menino chegou foi incomum e que o primeiro exame descartou a possibilidade de afogamento.
"Muita violência. Sinais de violência pela face, pelo intestino, internamente. Isso não é comum nos dias de hoje. Até agora, o primeiro exame não tem indício nenhum de afogamento. Ali realmente foi outro tipo de trauma que levou à causa da morte."
A mãe da criança, Sabrina da Silva Feitosa, não morava com o pai e vivia disputas judiciais com o suspeito. Em um vídeo gravado no fim de semana do crime, a criança recusa ir para a casa do pai porque, segundo ela, a justificativa era que o pai batia.
A advogada de Sabrina, Stella Bueno, relatou que ela não poderia impedir que a criança visse o pai para não caracterizar alienação parental e que movia uma ação na Justiça cobrando o pagamento da pensão.
"Ela já havia me reportado diversas situações em que a criança chegava machucada das visitas. No entanto, o medo e o temor dela pela própria vida, pela vida do filho e da família, em relação a ele, em virtude das ameaças, impediam que ela nos permitisse tomar providências mais drásticas em relação a isso naquele momento."
A Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Tocantins (OAB-TO) anunciou na última quarta (5), a suspensão cautelar do registro profissional de Igor Gustavo.
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